Se surgisse o medo, ele inventava o aconchego.
Luanda
Só agora, mais de 8 anos depois do lançamento, tomamos conhecimento do livro Flor do Quilombo, de autoria de Sirlene Jacquie de Paula Silva.
Foi uma grata surpresa, já que se trata de muito boa literatura, apta a enriquecer as melhores bibliotecas brasileiras. A história, contada pela personagem Luanda, de 13 anos, avança por um tema central (onde entra o seu amigo Professor), contextualizado por informações sobre o ambiente (a comunidade rural das Furnas do Dionízio, no município de Jaraguari – MS) e por “causos” contados por seus moradores.
Frequentemente a narradora, aparentemente a revel de si própria, alça voo de fada para o território da melhor Poesia, embora o texto se restrinja à Prosa. E quando volta a pisar no chão, enriquece a narrativa com bons diálogos e as deliciosas expressões populares da sua comunidade.
Não dá para falar mais do tema central, que é relativamente simples mas tomado de um ponto de vista surpreendente (como são surpreendentes algumas construções frasais da autora). Mas, falando dos “causos”, temos o de uma cavalgada do Tio Sebastião, visando alcançar um conhecido visto num ponto X mais adiante na estrada. Embora não conheça Zenon, o Preto Velho faz, nas entrelinhas, uma linda citação do Paradoxo de Aquiles e a Tartaruga. O que mostra como Tio Sebastião, com esse fino humor, se sentiria à vontade na Academia ou no Partenon de Atenas…
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Flor do Quilombo, de Sirlene Jacquie de Paula Silva, Editora Letra Livre, 2004, 96 páginas.




































