Campo Grande – MS. Ontem, 26/01/2012, à tarde, choveu 91 milímetros no espaço de 1 hora, verificando-se inundações em vários pontos da cidade. A maior inundação, embora com poucos danos materiais, ocorreu na Via Parque, próximo à Avenida Afonso Pena, onde o Córrego Prosa recebeu recentemente um açude de vazante, erroneamente chamado de “piscinão”.
Já houve, na região, chuvarada mais intensa, beirando os 120 milímetros, e a inundação foi menor, mesmo com vasão limitada na tubulação que atravessava a Avenida. Na época havia 2 tubulões Armco de 3 metros de diâmetro, ou seja, um corte de vasão de 14 metros quadrados, menor que o da tubulação a montante, sob a Via Parque, que chega a 18 m2. Atualmente aquele corte chega a cerca de 26 m2, resolvendo o ponto de estrangulamento.
Ao nosso ver, o que causou o alagamento de toda essa área foi justamente a presença do tal “piscinão”. A margem esquerda do córrego foi rebaixada de 3 metros de altura para 1 metro e meio. Isto quer dizer que a água que chega de montante começa a ser retida logo no início da chuva, talvez dentro de 15 minutos. Quando a chuva atinge o auge, talvez aos 40 minutos, o açude já está cheio, e a grande massa de água estática (15 milhões de litros) faz pressão sobre a correnteza no leito do córrego. Com a pressão a velocidade dessa correnteza é bruscamente reduzida, o que provoca, riacho acima, o encavalamento das águas, e logo o seu extravazamento sobre a Via Parque.
Isto não ocorreria se houvesse, entre a tubulação da Via Parque (18 m2) e, a jusante, a tubulação da Afonso Pena (26 m2), apenas um corredor com a largura inicial de 6 metros (a da primeira tubulação citada) e final de 7,5 metros (a da segunda tubulação). Com a manutenção de uma velocidade constante em todo o trecho (pois não haveria pressão lateral), a torrente seria melhor distribuída durante o decorrer da chuva e período posterior.

À direita, o prefeito Nelsinho Trad. O alcaide tem uma personalidade cativante, um verdadeiro "médico de família"; mas é mau administrador, pois não procura resolver efetivamente os problemas da cidade, limitando-se a homenageá-los com a injeção de verbas cavadas junto ao Governo Federal.
O Esgarçamento da Represa
Alguns quilômetros acima, no Córrego Sóter, tributário do Córrego Prosa, uma nova represa, prestes a ser inaugurada, passava pela sua prova de fogo. Ou melhor, prova de água. E foi reprovada. A estrutura central, com parede muito fina, foi esgarçada pela pressão da água que ali se represou durante e após a chuvarada. Na estrutura secundária várias placas, simplesmente encaixadas e coladas, rolaram enxurrada abaixo.
Nós, contribuintes, esperamos que não nos chamem a pagar, através dos cofres municipais, por esse erro (de projeto ou de execução).
A propósito, havia anteriormente, no Córrego Sóter, três pequenas represas, que suportaram bem as chuvas do ano passado e até o temporal de ontem. Junto à terceira dessas represas (mais especificamente, 100 metros a montante), resolveram construir represa mais alta, talvez com o triplo da capacidade de represamento da menor, que passaria então a servir como mero enfeite. Enquanto as menores custaram já exorbitantes 700 mil reais cada (veja As Represas de Mármore , de abril/2010), essa nova foi orçada em R$ 1.800.000,00.
Pode-se concluir que quanto mais dinheiro a prefeitura da Capital enterra numa represa, mais fraca ela fica. Não seria melhor enterrar mais concreto?
Aspecto do Piscinão no dia 09/01/2012:




























































