Luanda, seu amigo Professor, o Preto Velho e o Paradoxo de Zenon

junho 13, 2013

Se surgisse o medo, ele inventava o aconchego.

Luanda

Flor-do-Quilombo

Só agora, mais de 8 anos depois do lançamento, tomamos conhecimento do livro Flor do Quilombo, de autoria de Sirlene Jacquie de Paula Silva.

Foi uma grata surpresa, já que se trata de muito boa literatura, apta a enriquecer as melhores bibliotecas brasileiras. A história, contada pela personagem Luanda, de 13 anos, avança por um tema central (onde entra o seu amigo Professor), contextualizado por informações sobre o ambiente (a comunidade rural das Furnas do Dionízio, no município de Jaraguari – MS)  e por “causos” contados por seus moradores.

Frequentemente a narradora, aparentemente a revel de si própria, alça voo de fada para o território da melhor Poesia, embora o texto se restrinja à Prosa. E quando volta a pisar no chão, enriquece a narrativa com bons diálogos e as deliciosas expressões populares da sua comunidade.

Não dá para falar mais do tema central, que é relativamente simples mas tomado de um ponto de vista surpreendente (como são surpreendentes algumas construções frasais da autora). Mas, falando dos “causos”, temos o de uma cavalgada do Tio Sebastião, visando alcançar um conhecido visto num ponto X mais adiante na estrada. Embora não conheça Zenon, o Preto Velho faz, nas entrelinhas,  uma linda citação do Paradoxo de Aquiles e a Tartaruga. O que mostra como Tio Sebastião, com esse fino humor,  se sentiria à vontade na Academia ou no Partenon de Atenas…

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Flor do Quilombo, de Sirlene Jacquie de Paula Silva, Editora Letra Livre, 2004, 96 páginas.

Isto sim é Poesia!

maio 17, 2013

Imagino:

O Clube da Esquina se reune em novo local, provavelmente no Rio de Janeiro. Milton, Lô e Márcio. Todos estupefatos com o sucesso repentino, principalmente do moço Milton Nascimento. E preparam novo álbum. Mas, longe das raízes mineiras, a inspiração demora, parece ter sido deixada atrás pela pressa da viagem. E depois do quinto dia, a consciência, a cada 24 horas, de que “lá se vai mais um dia”…

Então a Musa aparece, disfarçada de nostalgia, estranha e incompreensível para essa gente tão jovem. Saiu um primeiro acorde, ou saiu um primeiro verso, e depois tudo foi se encaixando pouco a pouco. Ora a Musa passava a peteca para Milton, ora para Lô, ora para Márcio.

E saiu uma música perfeita, em que melodia e letra se harmonizam de forma explêndida. Saiu “Clube da Esquina nº 2″.

Você ouve mil vezes e não tem coragem de separar letra e melodia. Mas quando a coragem vem, você percebe que a letra é um belo poema, que conta um pouco da saga do grupo:

CLUBE DA ESQUINA Nº 2

Por que se chamava moço
também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou prá trás
ao primeiro passo asso asso …

Por que se chamavam homens
também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos calmos calmos…

E lá se vai
mais um dia…

E basta contar compasso
e basta contar consigo
que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
e o coração na curva de um rio…

E lá se vai
mais um dia…

E o rio de asfalto e gente
entorna pelas ladeiras
entope o meio fio
Esquina mais de um milhão
quero ver então a gente gente gente…

A música (com muitas fotos do pessoal do clube) está disponível neste linque: letras.mus.br .

P.S.- A Wikipédia conta que a letra é de Márcio Borges, feita em 1979 (quando a melodia, de Milton e Lô, vem de 1972), a pedido de Nana Caymmi. Mas continuo apostando na minha versão.

E o Bernal ?!

abril 21, 2013

Chácaras dos Poderes, zona suburbana de Campo Grande:

EstradaNE-4

13/03/2013. Estrada NE-4, próximo à nascente do Córrego Pedregulho. Empedramento e compactação.

Recapeamento da Avenida das Bandeiras, com recursos próprios da Prefeitura de Campo Grande:

Desentupimento de bueiros, talvez a primeira ação desse tipo em 20 anos.

13/03/2013. Desentupimento de bueiros, talvez a primeira ação desse tipo em 20 anos.

Vista mais ampla do mesmo local da foto anterior.

Vista mais ampla do mesmo local da foto anterior.

AvenidaBandeiras-01

29/03/2013. Trecho concluído. A sinalização horizontal ocorreria poucos dias depois.

Concluído o primeiro trecho, de 900 metros de extensão, que já ultrapassou a Via Morena, a obra avança até a esquina do Frigolop. Tubulação antiga, de águas pluviais, está sendo desentupida e recolocada.

Domingo, 21/04/2013. Concluído o primeiro trecho, de 900 metros de extensão, que já ultrapassou a Via Morena, a obra avança até a esquina do Frigolop. Tubulação antiga, de águas pluviais, está sendo desentupida e recolocada.

Observação: o blogueiro é independente, não tendo nenhum tipo de vínculo com a administração municipal. E nem propugna por ter. Mas como cidadão está gostando do estilo do novo prefeito, que, coisa raríssima no país (e marca do bom administrador), parece que sabe tirar proveito de  recursos parcos. O reaproveitamento mostrado na última foto é um bom exemplo.

Bosques e Jardins dos Tribunais

abril 14, 2013

Campo Grande, manhã de domingo, 14 de abril de 2013.

Tribunal de Contas do Estado de MS:

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Tribunal de Justiça do Estado de MS:

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Um Ecologista Verdadeiro

abril 10, 2013

JoseAntonioMCoelho

Ao par de suas atividades profissionais, que culminaram na atuação como Técnico Agropecuário, o paulista José Antônio Masiero Coelho, cedo (1977) chegado a Campo Grande, se destacou como Ativista Ecológico, primeiro, e Botânico, depois.

Ele escreveu, há alguns anos, as obras Levantamento Florístico do Parque Estadual Matas do Segredo e Histórias da Mata do Segredo.

A primeira tem valor documental e histórico, pois descreve a vegetação existente na área (depois parque) que abriga as nascentes do Córrego Segredo, curso d’água que hoje, em quase toda a sua extensão, corta região urbana da capital do Mato Grosso do Sul. A segunda, baseada em cuidadosas anotações feitas desde o início de 1990 até o fim de 1995,  conta a saga do autor na defesa das matas nativas da região norte da cidade. É uma peça de grande conteúdo ecológico e humanista.

O leitor poderá conferir as obras citadas (infelizmente ainda não transpostas a livro, como mereciam) nos linques abaixo:

Levantamento Florístico do Parque Estadual Matas do Segredo.

Histórias da Mata do Segredo.

Aproveitamos para dar uma olhada no Parque Estadual Matas do Segredo. Parece que após o cercamento da área, patrocinada por uma empresa de Três Lagoas há muitos anos atrás, nada foi feito de concreto pelos órgãos estaduais responsáveis. Moradores vizinhos continuam invadindo a área (há vários pontos de passagem), empresas de materiais de construção retiram ilegalmente areia da estrada contígua (provocando o seu afundamento), e cidadãos inconscientes jogam entulho e lixo próximo à cerca (facilitando o surgimento de incêndios).

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O canto mais distante do parque. Aquém do portão, estrada que prolonga a Avenida Marquês de Herval.

A estrada referida na foto anterior. À direita, entulho junto a portão do parque.

A estrada referida na foto anterior. Junto ao carro, José Antônio Masiero Coelho. À direita, entulho junto a portão do parque.

A mesma estrada, extenso limite de uma lado do parque.

A mesma estrada, extenso limite de um lado do parque.

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Junto ao carro, uma jovem Kielmeyera florida.

Uma flor da Kielmeyera citada.

Uma flor da Kielmeyera citada.


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