Cará em Concreto na Lagoa Itatiaia

agosto 30, 2018

30 de agosto de 2018, cerca de 14:30 horas.

Lagoa Itatiaia, local margeado por sequências de belos sobrados. Nas suas águas, quase na margem, foi erigida, basicamente em concreto armado, escultura de 5 metros de comprimento por 2 metros de altura, pelo artista plástico Pedro Guilherme Garcia Goes, conhecido por exposições e intervenções urbanas em Campo Grande. Esta obra em particular, representativa do peixe Cará, foi patrocinada pelo Fundo Municipal de Incentivo à Cultura, conforme edital de aprovação publicado no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) nº 1571, de 20 de maio de 2004.

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Campo Grande e a COSIP Fora-da-Lei

agosto 15, 2018

Durante décadas, depois que descobriram o truque da cobrança indireta e escondida, casada com a fatura de energia elétrica, no final dos anos 70, as prefeituras brasileiras cobraram dos seus munícipes um tributo ilegal, verdadeiro imposto pirata travestido de “taxa” de utilização da iluminação pública. Acionada, a Justiça deu seguidos e incontrastáveis ganhos de causa a ações diretas de inconstitucionalidade, mas adicionando complacências (“para não prejudicar as administrações”) que inviabilizavam quaisquer compensações para os contribuintes lesados, mesmo que apenas uma insignificante minoria destes as procurassem. Assim, havia uma fragrante ilegalidade a corrigir, mas nenhuma punição que a alcançasse…

Em face da insegurança jurídica que a situação causava às prefeituras, sempre dependentes da cumplicidade do Poder Judiciário, aquelas começaram a pressionar o Congresso por algum dispositivo legal que autorizasse a cobrança. Assim, os congressistas aproveitaram o desastroso estertor do governo Fernando Henrique Cardoso para engendrar uma gambiarra: a Emenda Constitucional número 39, que acrescentava à Constituição Federal o artigo-pirata 149-A. Autorizava-se a instituição, pelos municípios de uma “contribuição” para o custeio do serviço de iluminação pública.

Esperava-se que com a tal “segurança jurídica” conquistada as prefeituras tomassem jeito e criassem uma legislação e uma cobrança civilizadas. Parecia mesmo que isto iria acontecer, até pelo advento, em alguns municípios, de Leis Complementares  utilizando texto sugerido por algum jurista tão competente e consciencioso quanto anônimo*. Em Campo Grande, um desses municípios, expediu-se a LC 51, em 23 de dezembro de 2002. Em seu artigo 8º ela declarava, auspiciosamente, que “o montante arrecadado pela COSIP será destinado exclusivamente ao custeio do serviço de iluminação pública, de que trata esta Lei“. Mais, o artigo 2º, parágrafo 2º, encarregava a Secretaria Municipal de Serviços e Obras Públicas – SESOP – de elaborar a “planilha do custo total dos serviços de iluminação pública” do município, com base no decreto que certamente iria especificar os parâmetros. E determinava ainda, a LC, no artigo 6º:

A base de cálculo da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública será obtida em função da planilha de custo, em razão do universo de contribuintes representado pelas unidades imobiliárias autônomas, edificadas ou não, e não imobiliárias, ligadas à rede de energia elétrica, obedecendo a seguinte fórmula:

Vc = CTS x Ci UIA : ∑ Ct UIA [ onde: ]

Vc = Valor mensal da contribuição

CTS = Custo total mensal do serviço

Ci UIA = Consumo individual mensal da Unidade Imobiliária Autônoma

Ct UIA = Consumo total mensal das Unidades Imobiliárias Autônomas

Pois bem. O decreto regulamentador, de número 8585, não especificou parâmetro algum (e, aliás, nem seria necessário para juntar, numa planilha, todos os gastos do exercício de 2002 com materiais e serviços relacionados à iluminação pública). O então prefeito, André Puccinelli, não apenas se esqueceu da planilha como ignorou os artigos 6º e 8º da LC. Voltou-se, desse modo, à farra fiscal costumeira, reproduzindo-se os mesmos critérios da legislação das falsas taxas e das falsas tarifas. Assim, afrontando o major, o capitão disse que a base de cálculo seria, não o montante da planilha de custos, mas sim, o consumo individual de cada unidade ligada à rede de energia elétrica; e a alíquota não seria proporcional ao consumo, como na LC, mas sim, de acordo com uma tabela progressiva em anexo, que parecia, como as tabelas das leis anteriores, esfolar apenas os maiores consumidores de energia elétrica.

Ninguém (Ministério Público, jornalistas, a “atuante” classe média) se deu ao trabalho de verificar se a Lei Complementar ou o seu decreto regulamentador estavam sendo cumpridos. A classe média, certamente porque usufruia do extremo conforto do débito da fatura Enersul em conta corrente, o que a induzia a não se preocupar com “esses detalhes”; mas, e os outros?! Na verdade, nem a Lei Complementar 51 nem o Decreto 8585 estavam sendo cumpridos na arrecadação dessa “contribuição”. Apresentamos abaixo quadro comparativo da taxação de algumas unidades consumidores, em abril de 2003, de acordo com a LC, de acordo com o Decreto e de acordo com o critério extra-legal aplicado pela empresa distribuidora de eletricidade:

CONSUMO TARIFA kWh   COBRANÇA      LC51 COBRANÇA DEC. 8585 COBRANÇA EFETIVA
126 kWh R$ 0,26855 R$ 1,23 R$ 1,68 R$ 6,84
526 kWh R$ 0,26855 R$ 5,41 R$ 14,77 R$ 13,68
1.026 kWh R$ 0,26855 R$ 12,30 R$ 47,00 R$ 19,15
2.026 kWh R$ 0,26855 R$ 19,68 R$ 80,57 R$ 20,52

Como se vê, o critério ilegal da cobrança efetiva não esfolou os consumidores mais abastados, mas fez a classe média arcar, proporcionalmente, com um quilowatt-hora mais caro do que o daqueles privilegiados. Os elementos acima se baseiam nas seguintes fontes:

1) Nota Fiscal 29790051, da Enersul, datada 08/04/2003.

2) Tabelas abaixo, com dados Aneel e estimativas nestes baseadas.

CosipCampoGrandeAbril2003

Para ver esses quadros em detalhes, clique aqui.

A base de cálculo efetivamente utilizada pela Enersul (e, anos depois, pela sucessora, Energisa) era a tarifa cobrada das prefeituras por 1 MWh (megawatt-hora, ou 1000 quilowatt-hora) de consumo da iluminação pública. As alíquotas constantes do decreto 8585 eram (e continuam sendo) aplicadas sobre essa base de cálculo, que em abril de 2003 tinha o valor de R$ 136,80.

Com essa base de cálculo ilegal, a prefeitura, já em 2003, esfolava os contribuintes, cobrando-lhes no geral o dobro do que deveria cobrar, e no particular discriminava negativamente a classe média, fazendo-a arcar com os maiores encargos. Alguém poderia supor que em 2003 a prefeitura gastou com a iluminação pública quatro vezes mais do que no ano anterior (o que legalmente seria irrelevante), mas não foi o que aconteceu. Em 2003 a municipalidade se esforçou bastante para aumentar os dispêndios, mas,  efetivando os contratos do quadro abaixo, apenas conseguiu dobrar os valores contratuais dispendidos em 2002:  

Contratos-IP-pmcg

Para ver esse quadro em detalhes, clique aqui.

Como se percebe, em 2003 Puccinelli aplicou, em materiais elétricos e em serviços de instalação e conserto de luminárias, uma média mensal (superestimada, já que os materiais elétricos se destinavam em boa parte aos prédios da instituição) de R$ 483.022,04. Somando-se a esse valor o montante mensal  médio  (superestimado em R$ 582.873,31, ou 30% do valor obtido pela Enersul nas 72 cidades que atendia em MS**), pago pela prefeitura à Enersul a título de consumo de energia elétrica pela iluminação pública,  teríamos um gasto total, por mês, de cerca de R$ 1.065.895,34. Grosso modo, metade do valor médio mensal extorquido da população…

______________________________

*Os textos de vários municípios, de vários Estados, apresentam ipsis litteris o mesmo conteudo do artigo 6º, caput, da Lei Complementar 51/2002, de Campo Grande. É o caso dos municípios goianos de Sítio D’Abadia, Heitoraí, Cristalina, Padre Bernardo e Piracanjuba, dos sulmatogrossenses Coxim e Miranda, e do paranaense Nova Esperança.

** Valor esse (R$ 1.942.911,03, conforme http://relatorios.aneel.gov.br/_layouts/xlviewer.aspx?id=/RelatoriosSAS/RelSAMPClasseConsNivel.xlsx&Source=http%3A%2F%2Frelatorios%2Eaneel%2Egov%2Ebr%2FRelatoriosSAS%2FForms%2FAllItems%2Easpx&DefaultItemOpen=1) que engloba não apenas a iluminação pública a cargo das prefeituras, mas também aquelas a cargo dos governos estadual e federal.

CGB Capítulo 16 – Abril de 2004

março 21, 2018

Eventos

A EXPOGRANDE, Exposição Agropecuária de Campo Grande, em sua 66ª edição, ocorrida entre 31 de março e 11 de abril, registrou 375.000 ingressos e movimentou R$ 147 milhões. Nos shows musicais apresentados, participaram, entre outros, Bruno e Marrone (dia 2), Capital Inicial (3), Exalta Samba (4), Chrystian e Ralf (5), duplas sertanejas (7), Mato Grosso e Mathias (9), Skank (10) e Double You (11). 1

Caso Santa Casa

No dia 1º de março o jornalista Sérgio Cruz opinara sobre a crise permanente da administração da Santa Casa. Dizia ele:

“A tabela do SUS, defasada para procedimentos ambulatoriais, é extremamente generosa para intervenções cirúrgicas, quando é automaticamente complementada em 50%.

“O que mais pesa no custeio da Santa Casa não é o Pronto-Socorro, como alegam seus dirigentes, e sim os altos salários que são pagoas a alguns funcionários do quadro de direção administrativa. Há cargo que remunera em até R$ 7 mil por mês (…).

“Enquanto meia dúzia de marajás, indicados por parentes e aderentes, comprazem-se de suas nababescas e inustificáveis remunerações, centenas de enfermeiros lutam na Justiça por um salário digno (…).”2

No dia 19 de abril Arthur D’Ávila comunicava a liberação de R$ 2 milhões pelo Banco Rural, empréstimo intermediado por André Puccinelli. O dinheiro seria usado para pagamento dos salários de janeiro dos médicos, e também para quitar encargos trabalhistas em atraso. O pagamento do empréstimo seria efetuado em 6 parcelas mensais, a serem descontadas dos repasses da prefeitura. 3

A dívida total da Santa Casa estava orçada em R$ 27 milhões.4

Principais Ocorrências Policiais

Motoristas de ônibus urbanos faziam paralização, em protesto contra os constantes assaltos de marginais, 80% deles adolescentes. O Secretário de Segurança Pública, Dagoberto Nogueira, prometia policiamento especial. O sindicato da categoria informava que ocorriam, em média, 3 assaltos diários. 5

Locutor é atingido por raio quando narrava partida de futebol nas Moreninhas. 6

Dupla armada invade empresa de turismo e rouba R$ 7 mil em dinheiro e cheques. 7

Na penitenciária de segurança máxima, homem preso por estupro assassina outro detento. 8

Cobrador é assaltado quando deixava o ônibus, sendo obrigado a entregar R$ 250,00 e 70 vales. 9

No Residencial Parque do Sol, homem pagava R$ 5,00 para molestar crianças. 10

No Caiçara, duas motos colidem entre si e um motoqueiro morre. 11

Homem é morto durante troca de tiros na Vila Carlota. 12

Motoqueiro cuja moto colidiu com carro da base aérea morre no hospital. 13

PM registra 4 assaltos a postos de combustíveis. 14

Veículo em trânsito pega fogo na área central. 15

No Campo Novo, carro atropela pedestre e bate em árvore. O pedestre morre. 16

Trabalhador de fazenda é atacado por um porco e morre ao adentrar o hospital. 17

Na área central, colisão entre motocicleta e ônibus mata o motoqueiro. 18

No Jardim Monte Carlo, bandidos rendem família e roubam R$ 8.000,00. 19

Cinco postos de combustíveis são assaltados pelo mesmo ladrão em menos de 1 hora. 20

No São Bento, homem é baleado e morto quando tentava furtar som de carro. 21

Homem ameaça vizinha que resistiu a seu assédio, troca tiros com a polícia, é ferido na perna e no tórax e acaba morrendo no hospital. 22

Mulher é morta a facadas pelo marido, que é preso em flagrante. 23

Deficiente auditiva de 11 anos sofre abuso de marido de sua avó. 24

No Amambaí, depois da saida de banco, dupla assalta mulher e rouba R$ 3.000,00. 25

Ladrão assalta supermercado na Avenida Bandeirantes e leva R$ 600,00. 26

No bairro Catarina 2, moto colide com ônibus. Motoqueiro e carona morrem. 27

Carro ocupado por 3 jovens cai do viaduto da Avenida Ceará. Um dos jovens morre. 28

Na Rodoviária, adolescente é preso com 5 kg de maconha que ia para São Paulo. 29

Na Rodoviária, homem é preso com 3 kg de cocaina que ia para Goiânia. 30

No Coophavila 2, bandidos furtam computador e aparelho de soma de igreja. 31

No Caiobá, adolescente é espancado com pedras e paus e morre na Santa Casa. 32

Ações Político-Administrativas

Pela Lei nº 4146, de 1º de abril, a prefeitura aprovava os reajustes de salários dos servidores municipais (cerca de 8 mil), “em índices superiores ῢa inflação anual projetada, contada de 1º de maio de 2004 [sic] até 30 de abril de 2004”. O reajuste médio teria sido de 11,07%. 33

No dia 5 o governador José Orcírio Miranda dos Santos ativava 170 novos leitos no Hospital Regional. 34

O consórcio das empresas de transporte coletivo urbano pretendia extinguir, a partir de 1º de janeiro de 2005, a utilização dos passes de papel. A partir de 1º de agosto as vendas dos passes já seriam suspensas. Os cartões magnéticos, que já eram utilizados por cerca de 65 mil estudantes e 32 mil empregados de empresas, começariam a ser vendidos aos demais usuários na segunda-feira, 26. Com a universalização do uso dos cartões magnéticos, as empresas pretendiam livrar-se dos constantes assaltos ao caixa dos ônibus; mas os cobradores temiam perder o emprego num futuro próximo, e um grande número de usuários temia que os bandidos, não mais podendo contar com o caixa, se voltariam para os passageiros. 35

No dia 23 o prefeito Puccinelli recebia o prêmio “Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social”, edição 2003, pelas atividades da Central de Processamento de Alimentos, que funcionava próximo ao CEASA. A CPA atendia cerca de 600 famílias de baixa renda, repassando-lhes cestas de produtos horti-fruti-granjeiros recolhidos do CEASA, dos Mercados do Produtor e de supermercados. Tratava-se de produtos em bom estado mas descartados da comercialização por não atenderem a padrões de estética e tamanho. 36

Sucessão Municipal

Alegando pressões do PDT para que continuasse no Senado, Juvêncio César da Fonseca desistia da pré-candidatura ao cargo de prefeito de Campo Grande. O partido lançava, em seu lugar, Dagoberto Nogueira, Secretário de Justiça e Segurança Pública. Sem o mesmo apelo eleitoral de Juvêncio, a quem o PDT dava 20% de preferência popular, Dagoberto elogiava a administração do prefeito, enfatizando que iria fazer, caso eleito, um governo “nos mesmos moldes”, porém “com um aspecto melhorado”. E esperava alcançar 10% das indicações dos eleitores, já no mês de maio. 37

Antônio Cruz, a quem as estruturas do PT e do PMDB “não intimidavam”, criticava as multas aplicadas pela administração Puccinelli com base no Código de Posturas do município. 38

Nova pesquisa do Ibrape indicava que Nelsinho Trad tinha 39% da preferência popular, deixando os outros pré-candidatos com percentuais bem menores. Mas o deputado, que dias atrás propusera a pré-candidatura de Puccinelli ao governo do Estado (nas eleições de 2006), continha a comemoração, dizendo humildemente aguardar a decisão do PMDB. 39

Caso dos Números do Alex

Alex do PT tentava, no dia 6, difundir a noção de que a alta popularidade do prefeito André Puccinelli era devida, em grande parte, às vistosas obras (pavimentações, galerias, novas avenidas e praças, etc.) construidas quase que totalmente com recursos do governo federal. E ressaltava também o mérito do governo estadual, que estaria entregando ao município repasses cada vez maiores, mercês de um presumível aumento da eficiência arrecadatória da administração petista.

O vereador asseverava que “enquanto a arrecadação com o IPTU no município, entre 1998 e 2000, passou de R$ 32,6 milhões para 39,3 milhões, os repasses federais à prefeitura, no mesmo período, subiram de R$ 35 milhões para R$ 129,7 milhões”, com os repasses estaduais para Campo Grande crescendo “de R$ 24 milhões para 38,1 milhões”.

Citando esses dados que seriam da administração federal anterior (Fernando Henrique Cardoso) e da administração José Orcírio (porém do triênio 1998-2000), o vereador via neles a origem do anunciado (e transitório) superavit de caixa da prefeitura, de R$ 17 milhões. “O prefeito não reconhece o esforço do Estado em ajudar. Eu não entendo porque, com todo esse superavit, o André ainda reclama do governo e da União”. E concluía: “Se fosse o PMDB [o responsável por] esse repasse, [este] ficaria estagnado em função da roubalheira”. 40

Puccinelli rebateu:

“O Alex pra burro só falta as penas, e como burro não tem pena, não falta mais nada”.

E asseverou que o superavit da prefeitura seria “muito superior a 17 milhões”, devendo-se isto, não aos repasses dos governos federal e estadual, mas ao fato de ser ele, prefeito, “um bom administrador”. 41

Na verdade, pela análise dos balanços do triênio 1998-2000 não se nota nada de excepcional nos volumes dos repasses, embora aquelas “obras vistosas” tenham sido executadas com o dinheiro dos convênios federais, somado às pequenas contrapartidas da prefeitura. Interessante é que essas obras tiveram orçamentos relativamente reduzidos: a maior delas, a da canalização e cobertura do Córrego Prosa (no trecho entre a Rua Padre João Crippa e o Córrego Segredo), consignou “apenas” R$ 5.108.191,59, com contrapartida municipal de R$ 1.022.003,93.42 Mas não foram muitas essas obras, e uma das fontes da popularidade de Puccinelli, que o levaram a uma reeleição, em 2000, com 68,13% dos votos43, deve ser procurada nos repetidos contatos com as associações de bairros. Personagem considerada “difícil” e extremamente autoritária, essa “humildade” episódica de falar com o cidadão comum, primeiro para combinar o asfaltamento das vias do bairro (cobrando moderada Contribuição de Melhoria), e depois para entregar a obra pronta, não podia deixar de agradar ao populacho; e os palavrões do seu vocabulário estavam de acordo com o machismo vigente ou latente na sociedade brasileira. Outra fonte é que esses contatos eram convenientemente reforçados com generosas verbas entregues a ONGs e pequenas empresas que atuavam nesses mesmos bairros.

Os repasses excepcionais ocorreram nos dois anos seguintes, 2001 e 2002, e respondiam pela rubrica de “Convênios”. Para valores, no triênio 1998-2000, de R$ 8.962.718,97, R$ 5.058.758,05 e R$ 4.580.321,76, o governo federal repassou R$ 43.361.555,19 em 2001 e R$ 85.479.953,49 em 2002 (em 2003, com a crise do primeiro ano do governo Lula, os convênios diminuiram drasticamente, não ultrapassando o total de R$ 3.643.651,07). 44

No total de 2001 estão incluidos R$ 19.929.061,90 (Convênio 42292245, contrapartida de R$ 2.346.179,00), liberados para as obras no Córrego Bandeiras (onde ocorreu o caso Engecap), e R$ 9.769.246,46 (Convênio 45332046, contrapartida de R$ 987.058,00, com aporte financeiro do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento – e responsabilidade do governo federal), que propiciou a implantação do programa Habitar Brasil, com denominação local de “Mudando Para Melhor Buriti-Lagoa”. Este último recebeu vários prêmios nacionais, e mereceu dissertação (Iara Pereira da Silva Santana, “Manifestações sobre a Associação de Moradores Buriti-Lagoa na Perspectiva do Desenvolvimento Local”, UCDB 2008) e mestrado (Hellen Prado Benevides Queiroz, “Política de Desfavelamento no Município de Campo Grande : Uma Comparação entre o Projeto Buriti-Lagoa com o Projeto Sóter”, UNIDERP, 2012).

No total de 2002 o enorme destaque é para o convênio 37325247, publicado em 18 de janeiro desse ano, com repasse federal de R$ 58.520.797,59 (contrapartida de R$ 2.567.023,39), que ensejou as obras do Contorno Ferroviário, objeto de suspeitas do deputado estadual Semy Ferraz, que nelas via indícios de superfaturamento (não confirmado).

No quadro abaixo, um resumo das principais fontes da receita da Prefeitura Municipal no período de 1998 a 2003:

FONTES DAS RECEITAS DA PREFEITURA DE CAMPO GRANDE

Anos Receitas
Próprias
Repasses da União
e do Estado
Totais
1997 71.731.523,01 71.671.391,89 143.402.914,90
1998 81.624.687,81 95.874.979,28 177.499.667,09
1999 75.732.291,51 116.123.559,18 191.855.850,69
2000 83.973.767,23 137.392.878,89 221.366.646,12
2001 94.580.229,32 170.233.849,26 264.814.078,58
2002 115.363.728,02 277.165.806,78 392.529.534,80
2003 131.517.284,16 213.149.200,81 344.666.484,97

Fontes: Diogrande 302 (Balanço Geral 1998), 541 (BG 1999), 788 (BG 2000), 1032 (BG 2001), 1288 (BG 2002) e 1535 (BG 2003).

Percebe-se nesse quadro que no exercício de 1999 a soma das receitas próprias da prefeitura (IPTU, ISSQN, ITBI, taxas, Contribuição de Melhoria, etc.) diminuiu em relação ao exercício anterior, ao invés de aumentar pelo menos 1,78% (para compensar a inflação do ano anterior). Isto se deveu às Taxas de Serviços Urbanos (Taxa de Limpeza Urbana mais Taxa de Iluminação Pública), cuja arrecadação decaiu de cerca de 11 milhões, em 1998, para pouco mais de 4 milhões em 1999.

______________________________


1 Midiamax 90156, 90880, 91009, 91057, 91466, 91643, 91741 e 91846.

2 Primeira Hora 1363, de 01/03/2004, pág. 12, coluna Hora Extra.

3 Midiamax 92875.

4 Midiamax 92877.

5 Midiamax 90595, 90597, 90638 e 90788.

6 Midiamax 90968 e 90972.

7 Midiamax 91028.

8 Midiamax 91072 e 91075.

9 Midiamax 91077.

10 Midiamax 91179.

11 Midiamax 91201.

12 Midiamax 91327.

13 Midiamax 91366.

14 Midiamax 91385.

15 Midiamax 91612.

16 Midiamax 91628, 91632 e 91649.

17 Midiamax 91909.

18 Midiamax 92003 e 92010.

19 Midiamax 92214.

20 Midiamax 92335.

21 Midiamax 92508.

22 Midiamax 92647.

23 Midiamax 92828.

24 Midiamax 92838.

25 Midiamax 93018 e 93061.

26 Midiamax 93557.

27 Midiamax 93611.

28 Midiamax 93671.

29 Midiamax 93723.

30 Midiamx 93724.

31 Midiamax 93886.

32 Midiamax 94192.

33 Midiamax 90160; Diogrande 1539, de 2/4/2004, págs. 1 a 3.

34 Midiamax 91054.

35 Midiamax 93168.

36 Midiamax 93744 e 93790.

37 Midiamax 90936, 90942 e 91928.

38 Midiamax 92882.

39 Midiamax 92687 e 93662.

40 Midiamax 91299.

41 Midiamax 91387.

45 http://www.portaldatransparencia.gov.br + Convênio SIAFI 422922.

46 http://www.portaldatransparencia.gov.br + Convênio SIAFI 453320.

47 http://www.portaldatransparencia.gov.br + Convênio SIAFI 373252.

CGB Capítulo 15 – Março de 2004

fevereiro 18, 2018

Saude

CCZ encontra morcego infetado com o virus da raiva. O animal seria enviado para São Paulo para tipificação do virus. 1

Com o novo administrador, a Santa Casa continuava em crise financeira, agora com uma dívida de R$ 31 milhões com fornecedores de equipamentos, remédios e alimentação. Arthur D’Ávila chegou a ir a Brasília, junto com o governador, em busca de empréstimo de emergência na Caixa Econômica Federal. Havia um risco iminente de fechamento dos setores de pronto socorro e CTI. Cirurgias eletivas estavam a ponto de serem suspensas. 2

Principais Ocorrências Policiais

Na área central, dupla em moto aborda homem na rua e rouba R$ 4.500,00. 3

Mulher de 20 anos joga gasolina no marido, de 18, enquanto ele dorme. O homem acorda e sai correndo para a rua, com a mulher atrás dele, com uma caixa de fósforo. Até ser interceptada pela Polícia, na Avenida Ernesto Geisel. 4

Homem obriga ex-namorada a acompanhá-lo a motel e, diante de sua recusa ao ato sexual, passa a agredi-la com “mordidas de amor”. 5

Assaltantes invadem a CEASA de moto e arrecadam R$ 8.000,00. 6

Na BR-163, pessoa é atropelada e tem vísceras expostas, morrendo no local. 7

No Vida Nova, adolescente de 13 anos é estuprada por ciclista. 8

Elemento de trio sequestrador morre em tiroteio com a Polícia. A PM perseguia o trio, que fazia sequestros-relâmpagos, prendendo o segundo elemento. O terceiro conseguiu fugir. 9

No Jardim Anache, culminando discussão, genro mata sogro. 10

No Santa Emília, moto colide com caminhão e motoqueiro morre. 11

PM registra o furto de três veículos no fim-de-semana. 12

Na Vila Célia, duas motos se chocam e três pessoas ficam gravemente feridas. 13

Na Vila Jaci, ex-policial civil é assassinado com 8 tiros. 14

Na Avenida Bandeirantes, dupla armada rouba 5 malotes e o carro de empresário. 15

No Morada Verde, senhora de 78 anos morre no quintal, atingida por um raio. 16

Na Avenida Gury Marques, moto colide com caminhoneta e motoqueiro morre. 17

Na Cidade Morena, assaltantes roubam comércio e levam R$ 1.000,00. 18

Dupla assalta Hospital do Câncer e leva R$ 3.000,00. 19

Dupla armada rouba R$ 10.000,00 de empresa de transporte de valores. 20

Polícia registra o furto de 3 carros e 1 moto. 21

Na Avenida Salgado Filho, homem é eletrocutado quando cortava galho de árvore junto à fiação elétrica. 22

Para livrar a namorada de multa, homem oferece R$ 300,00 e é preso. Era um empresário, irmão de cônsul, e passando mal, é levado a hospital com escolta. 23

Golpe “Boa Noite Cinderela” faz passageiro perder R$ 1.700,00 na rodoviária. 24

No Panamá, mulher aceita carona e é violentada por 3 homens. 25

Nelson mantinha há seis meses um caso com Denir, esposa de Gleison. Pleiteando exclusividade, manifestara à amante o desejo de “sumir” com o concorrente. Gleison acabou descobrindo, e no dia 1º foi tomar satisfações, dizendo que aquilo “não ia ficar assim”. Encarando o dito como ameaça, Nelson puxou de uma faca e atingiu o outro no abdomem. Em seguida, socou-o e deu-lhe pauladas. Como a vítima ainda respirava, Nelson providenciou a sua asfixia. Depois enrolou o cadáver em cobertor e transportou-o, no seu carro Escort, até uma estrada rural, na saída para Três Lagoas. Lá, num lugar ermo, colocou fogo no cadáver. No dia seguinte voltou ao local, recolheu o que sobrara do corpo e, colocando essas sobras em sacos plásticos, despejou-as em local próximo, ainda mais ermo. E viajou para Ponta Porã, visitando parentes. No mesmo dia 2 a esposa registrou o desaparecimento do marido, contando a sua suspeita. Quando Nelson voltou da viagem, no dia 16, de madrugada, a polícia já o esperava e efetuou a prisão. Ele acabou confessando e contando todos os detalhes do crime. 26

Posto de gasolina é assaltado por dupla, que leva R$ 4.000,00. 27

Ladrões furtam 30 pilones do sistema de iluminação do aeroporto. 28

Estudante de 21 anos é sequestrada, mantida prisioneira, agredida e estuprada. 29

Ambulância atropela garoto de 8 anos que, 8 dias depois, morre no hospital. 30

Na saida de banco, ladrões levam malote de empresa com R$ 6.500,00. 31

Bombeiros atendem caso de ataque de enxame de abelhas 32

Dupla invade residốencia, mantém a família refém, estupra uma mulher, tenta saque em caixa eletrônico e sai com alguns eletrodomésticos. 33

Polícia registra 10 assaltos a ônibus urbanos em 4 dias. 34

Recém-nascido morre, esmagado pelos pais dormindo. 35

Polícia Militar Ambiental captura jibóia de 1,5 metro na vila da base aérea. 36

No dia 28, domingo, 6 pessoas tentaram suicídio. Os bombeiros da capital atendem diariamente, em média, 3 tentativas. 37

Dupla armada leva de funcionário de empresa de turismo malote com R$ 17.100,00. 38

No Carandá Bosque, muro em construção desaba e mata o pedreiro. 39

Caso das Metáforas

Alimentada pela metáfora do governador, utilizando o verbo “embretar”, do jargão agropecuário, a rivalidade entre o PT e o PMDB se acirrava. À acusação de que o partido de Puccinelli “destruira” o Estado na gestão de Wilson Martins (cujo nome, porém, nunca se mencionava), o prefeito, entrevistado, acusava o partido de Zeca de sabotar emendas do deputado federal Nelson Trad (pai de Nelsinho) em favor de Campo Grande. “Tenho como provar, tenho documentos assinados e que comprovam tudo”, asseverou. 40

E continuava, referindo-se a Semy Ferraz: “Teve um deputado do PT que é tão burro, tão retardado, que disse que a Águas Guariroba foi privatizada. Não foi; ela é concessionária. Ele disse que os espanhóis estavam roubando. E a SANESUL, que estava lá, não estava roubando? A SANESUL estava no meio também; ela estava juntinho também”. 41

Em nota à imprensa, o deputado acusou a Águas Guariroba de má gestão, e a agência reguladora municipal (“que embolsa 1% da receita de nossas contas de água e esgoto”) de inércia: “Precisamos de uma agência que analise quimicamente a água e certifique as quantidades de flúor e cloro, que analise o tratamento de esgoto e que exija o cumprimento do contrato de concessão, em investimentos e responsabilidades”. 42

No dia 19 o pré-candidato Vander Loubet concedia entrevista a Miltinho Viana, quando este observou que, de acordo com as últimas pesquisas de opinião, a candidatura do petista ainda não havia “decolado”. Vander justificou dizendo que o eleitor “ainda não estava no cio”. O PMDB de imediato pediu à emissora de rádio uma cópia em fita da entrevista. Paulo Pedra comentou que esta seria “uma demonstração do despreparo do candidato, por ter ofendido as mulheres”. 43

Semy Ferraz achou que Vander apenas fora “mal interpretado”, e que o deputado federal não quisera ofender o público, mas apenas referir-se ao clima de controvérsias e debates que antecede as eleições. Porém o vereador Elias Dib previa, para a próxima sessão da Câmara Municipal, muitos discursos inflamados a respeito da expressão utilizado pelo petista. “Não podemos ficar calados. Várias pessoas da nossa sociedade se sentiram ofendidas com o termo usado pelo deputado”. A vereadora Maria Emília, do PMDB, declarou: “Ele poderia ter falado de outra maneira, mas escolheu a pior. Mostra que não tem preparo para ser um parlamentar que recebeu 100 mil votos” E continuou, numa delirante extrapolação: “O termo chulo utilizado por ele ofendeu as mulheres. Quando ele usou o termo quis dizer que as mulheres só servem para procriar”. 44

No dia 23 a deputada estadual Simone Tebet, também do PMDB, apresentou na Assembléia Legislativa moção de protesto contra Vander, acusando-o de ter uma “visão descabida, desvirtuada e censurável”. Na Câmara Municipal, centenas de pessoas, inclusive muitos adolescentes, organizadas pelo “PMDB-Mulher”, lotavam a galeria, agitando faixas de protesto. Alex do PT estranhava o alvoroço: “Eles dizem que o Vander está em último lugar nas pesquisas. Eu nunca vi alguém atacar tanto um candidato que está em último lugar!” 45

No dia 24, a Assembléia Legislativa rejeitava, por 11 votos a 7, a moção proposta por Simone. Antes, o deputado estadual Pedro Kemp lera uma longa nota assinada por Vander Loubet, plena de referências a outros casos e discussões, e em que ao final da nota assevera: “Se alguém se sentiu ofendido ou ofendida com a reprodução de uma frase que é um jargão entre pesquisadores eleitorais (…), receba os meus sinceros pedidos de desculpas (…)”. Mas na propaganda eleitoral do PMDB, veiculada nesse dia, a vereadora Maria Emília, em vídeo de 30 segundos, dizia: “Os eleitores não entram no cio, mas estão envergonhados e indignados com o tratamento desumano e grosseiro do candidato do governo”. E termina “prestando solidariedade às mulheres”. 46

No dia seguinte, cerca de 500 pessoas lotavam o plenário da Câmara Municipal, desta vez para apoiar o pré-candidato Vander Loubet, com cartazes citando música de Milton Nascimento (“Cio da Terra”) e contestando a censura a uma palavra comum. A sessão da Câmara acabou sendo suspensa, alegando o presidente Youssif que o fizera “para evitar uma tragédia”, já que teria percebido, entre os manifestantes, “a existência de pessoas com laranjas”. Aparentemente Youssif não entendera que as laranjas não eram para serem lançadas, mas para referenciar o escândalo da Engecap.

E o PT entrava com ações na Justiça contra Puccinelli e contra Maria Emília. Alegava o partido que o prefeito forjara a manifestação do dia anterior, levando à Câmara, além de servidores municipais em horário de expediente, alunos do programa Agente Jovem, projeto do governo federal administrado pelo município, e que atendia adolescentes de 15 e 16 anos. Uma outra ação foi impetrada contra o diretor da escola, por ter levado os estudantes à Câmara sem a autorização dos pais. 47

Depois disso os políticos perceberam o ridículo da situação e de um lado e do outro os ânimos se acalmaram. Mas no dia 29 Puccinelli tentava reacender os debates, chamando o deputado federal petista de Vander “Roubet”, o que provocou o pedido de nova ação judicial, desta vez por calúnia e difamação. E do outro lado também havia incendiários. Ao contrário de Loubet, que usara o termo “cio” desavisadamente, o presidente do diretório municipal do PT, Sílvio Nucci, voltou a empregá-lo, em entrevista ao mesmo programa radiofônico de Miltinho Viana, em sentido provocativo. Mas só Waldir Neves, do PSDB, ligou. Pelo PMDB, Nelsinho Trad e Waldemir Moka, consultados, abstiveram-se de comentar o assunto. 48

O prefeito Puccinelli, entretanto, iria continuar com sua escalada de provocações.

Ações Político-Administrativas

Pelo menos 15 casas, entregues a mutuários que não ocuparam os imóveis, foram retomados pela EMHA. O presidente da entidade, Carlos Marun, afirmou: “Casa da EMHA é para morar, e eu não vou permitir que 17 mil pessoas fiquem na fila enquanto ainda existem casas desocupadas”. Outras 100 casas estariam em igual situação, ou seja, sem utilização pelas pessoas que as receberam. 49

Técnicos do FONPLATA visitavam as obras em andamento na área da nascente do Córrego Sóter. O fundo investia US$ 6,147 milhões, e a prefeitura, em contrapartida, US$ 1,5 milhão. Serão 8.100 metros de galerias, 150.000 m2 de pavimentação asfáltica, 4.800 metros de interceptores de redes de esgoto e 5.000 m2 de ciclovia. 50

A tarifa do transporte urbano subia de R$ 1,70 para R$ 1,80. As vans, que eventualmente furavam o cerco da AGETRAN, prometiam, caso fossem autorizadas a operar, baixar sua tarifa para R$ 1,20. 51

No dia 19, cerca de 3 mil pessoas compareceram ao Instituto Mirim para obter senhas para a seleção de novos participantes dos cursos da instituição. Havia 350 vagas. A diretora executiva esclarecia: “Nosso objetivo é atender, prioritariamente, as famílias mais necessitadas da cidade, sem ceder às indicações políticas”. 52

Decidida a nova localização, no espaço anexo à antiga estação ferroviária, a prefeitura apresentou o projeto da Feira Central, a ser implantado numa área de 13 mil m2 , aí incluída grande área para estacionamento. O custo previsto era de R$ 3,5 milhões. A prefeitura entraria diretamente com R$ 1 milhão, financiaria R$ 1,5 milhão e exigiria o milhão final dos feirantes, que receberiam cotas proporcionais à área que passariam a ocupar. 53

Sucessão Municipal

Recusando-se a considerar as pesquisas, o deputado federal Vander Loubet sonhava em conquistar a cadeira de prefeito, e já em primeiro turno. 54

Juvêncio confirmava a sua pré-candidatura à prefeitura da capital. 55

Nelsinho Trad ia se firmando como o mais provável nome do PMDB para as eleições majoritárias de outubro. No dia 11 acompanhava André num encontro com empresários beneficiados com incentivos fiscais, e até discursara. 56

Puccinelli, por sua vez, ia colecionando adesões para a coligação liderada pelo PMDB. Já cooptara PPS, PV, PRTB, PTC, PTdoB e PSC, e negociava com 5 outros partidos. 57

______________________________

1 Midiamax 86655 e 86745.

2 Midiamax 86543, 87648, 87653, 87656, 88123, 88725, 88771, 88773, 88835, 89136, 89173, 89178, 89447, 90352, 90422, 90430 e 90434.

3 Midiamax 86396.

4 Midiamax 86459.

5 Midiamax 86481.

6 Midiamax 86635.

7 Midiamax 86761.

8 Midiamax 86776.

9 Midiamax 87155.

10 Midiamax 87236.

11 Midiamax 87275.

12 Midiamax 87290.

13 Midiamax 87333.

14 Aquidauananews 30270.

15 Midiamax 87368.

16 Midiamax 87403.

17 Midiamax 87533.

18 Midiamax 87546.

19 Midiamax 87660.

20 Midiamax 87686.

21 Midiamax 87724.

22 Midiamax 87932 e 87963.

23 Midiamax 87999.

24 Midiamax 88493.

25 Midiamax 88653.

26 Midiamax 88663.

27 Midiamax 88808.

28 Midiamax 89145.

29 Midiamax 89453.

30 Midiamax 89458.

31 Midiamax 89462.

32 Midiamax 89578.

33 Midiamax 89609.

34 Midiamax 89612.

35 Midiamax 89614.

36 Midiamax 89020.

37 Midiamax 90038.

38 Midiamax 90161.

39 Midiamax 90419.

40 Midiamax 86334.

41 Midiamax 86335.

42 Midiamax 86495.

43 Midiamax 89018.

44 Midiamax 89129, 89228.

45 Midiamax 89331, 89376 e 89434.

46 Midiamax 89481, 89498 e 89558.

47 Midiamax 89667, 89691, 89703 e 89769.

48 Midiamax 90385, 90390, 90393 e 90397.

49 Midiamax 87453 87461 e 87464.

50 Midiamax 87593.

51 Midiamax 87311, 87327, 87330 e 88457.

52 Midiamax 88801 e 88875.

53 Midiamax 89930.

54 Midiamax 86940.

55 Midiamax 87056.

56 Midiamax 87774 e 90177.

57 Midiamax 90092.

CGB Capítulo 14 – Fevereiro de 2004

fevereiro 13, 2018

Eventos

De 11 a 15 deram-se as apresentações do Moto Road, que pela sétima vez ocorriam em Campo Grande. Exibições de motociclistas e shows de Rock (com destaque para John Kay e Steppenwolf) levaram ao Parque Laucídio Coelho, segundo os organizadores do evento, cerca de 55 mil pessoas. Participaram motociclistas de Mato Grosso do Sul e de vários Estados, assim como de países vizinhos como Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.1

Com a tradicional guerra de números entre os organizadores (a prefeitura, na Avenida Fernando Correa, e o Estado, com o desfile das escolas de samba na Rua 14 de Julho), o carnaval reuniu multidões entre a noite de sexta-feira, 20, e a terça-feira, 24. A Escola de Samba Igrejinha foi a campeã do grupo principal, que desfilou no domingo. 2

Principais Ocorrências Policiais

No Tiradentes, idoso é atropelado por caminhoneta e morre. 3

Motoqueiro morre em colisão de moto com carro na Av. Mato Grosso. 4

Com a dona viajando, ladrões arrombam apartamento e levam R$ 50 mil em joias. 5

Assaltante leva R$ 12 mil de empresa de factoring. 6

Em rua da Vila Antunes, homem rouba a bolsa de uma mulher, com R$ 1.200,00 e celular. 7

Loja de tintas tem R$ 1.700,00 levados por assaltantes. 8

Confusão em frente ao clube Porteira Quebrada deixa 1 morto e 1 ferido. 9

Aposentada é obrigada por assaltante a sacar R$ 5 mil em banco. 10

Delegado aposentado, dirigindo bicicleta, é atropelado na Av. Três Barras e morre ao dar entrada na Santa Casa. 11

Pizzaria é assaltada no Monte Castelo e perde celular e R$ 400,00. 12

PM encontra, na frente da Câmara Municipal, cadáver com 2 perfurações de bala. 13

Na Vila Jussara, posto de combustíveis é assaltdo e perde R$ 800,00. 14

Mulheres tẽm carro roubado ao sairem de igreja, na Vila Célia. 15

Presos dois envolvidos com roubos a postos de gasolina. 16

Homem acusado de estupro é morto a pedradas e golpes de facão. 17

Raio mata cabo da PM durante partida de futebol. 18

Estatísticas comparavam acidentes de trãnsito entre 2000 (4.714) e 2003 (5.595), para uma frota de veículos que aumentou de 178.198 para 223.697. Mortes nesses acidentes: 28 em 2000, 48 em 2003. 19

Assaltantes levam R$ 20 mil da administração do Shopping Pantanal, no centro. 20

A frota de motocicletas aumentou, em Campo Grande, de 26.776, em 2001, para 36.885 em 2003. Os acidentes envolvendo motos aumentaram de 1.603 ocorrẽncias em 2001 para 2.232 em 2003. 21

Homem é morto na Mata do Jacinto a golpes de faca. 22

Na Av. Ernesto Geisel, dupla armada leva malote da Agetran com R$ 27.000,00. 23

Ambulante que fazia gambiarra na rede elétrica, defronte ao Parque Laucídio Coelho, morre eletrocutado. 24

No dia 15, a DERF apresentava à imprensa 9 homens presos na semana anterior. 25

No Morada do Sol, PM prende padrasto suspeito de haver estuprado enteada de 10 anos. 26

Chamado para receber o dinheiro encontrado no bolso do filho morto, o pai é preso por haver contra ele mandado de prisão por duplo homicídio. 27

Depois de amamentação, bebê morre com o refluxo do leite.28

GARRAS apresenta ex-policial, acusado de ser o mentor de assaltos a bancos ocorridos na cidade. 29

PM apreende na Estrada da Gameleira meia tonelada de maconha. 30

Incêndio no Dom Antõnio Barbosa destrói casa de mata criança de 12 anos. 31

Dupla rende funcionário e rouba R$ 500,00 de posto de combustíveis. 32

Caso do Trote Violento

No início do ano as universidades avisavam os estudantes de que não seria tolerada violência na aplicação de trotes (encargos e humilhações impostas aos calouros pelos veteranos das instituições). No dia 4 de fevereiro os veteranos do curso de Medicina Veterinária da UNIDERP resolveram encarregar os calouros de efetuarem pedágio numa rua da cidade. Não satisfeito com as tradicionais pinturas aplicadas nos novatos, um veterano resolveu despejar creolina pura sobre dois dos calouros. Isto provocou neles forte reação, ocorrendo queimaduras de segundo grau. Diante da gravidade da situação, foram imediatamente encaminhados ao Pronto Socorro.33

O caso motivou boletim de ocorrência no distrito policial, e a Comissão Administrativa da UNIDERP, formada por 16 membros, decidiu expulsar o aluno, A.A.C.V. Neto, que cursava o terceiro ano de Medicina Veterinária. O aluno apresentou defesa, assistido por advogado, mas a universidade, também incentivada por reitores de outras instituições, decidiu que era hora de tomar uma atitude drástica que coibisse a repetição de casos como esse. E manteve a expulsão. 34

Ações Político-Administrativas

No dia 9, o prefeito André Puccinelli inaugurava Unidade Básica de Saude, com Policlínica, no Jardim Mário Covas. 35 No mesmo dia, iniciava, pelo Jardim Canguru e Mata do Jacinto, a distribuição de kits escolares aos alunos da Rede Municipal de Ensino. O kit era composto por 2 camisetas, 1 bermuda e 1 mochila. 36

E as entregas de pavimentações e obras de drenagem continuavam37:

Local Pavimentação Drenagem
Jd. da Lapa/ Jd. dos Boggis 15.658 m2 266,45 m
Nascente do Sóter 71.285,05 m2 4.325,68 m
Santa Luzia 34.695,15 m2 3.857 m
Avenida dos Cafezais 46.000 m2 1.200 m

A Avenida dos Cafezais recebeu ainda 2.500 m2 de ciclovia.

Caso da Cooperativa de Vanzeiros

Em janeiro o diretor comercial da COOPERTTAMS – Cooperativa dos Trabalhadores d Transporte Alternativo de Mato Grosso do Sul – dizia que o grupo não iria aguardar a aprovação do projeto do vereador Alex do PT, autorizando a operação de vans no transporte coletivo urbano. A estratégia seria colocar a população a favor dos vanzeiros, obrigando o prefeito a regularizar a atividade, como havia acontecido com outras categorias, como a dos mototaxistas.38

No início de fevereiro intensificava-se a polêmica entre a prefeitura e os defensores das vans. Puccinelli dizia, já xingando, que não iria permitir que “essa máfia invadisse Campo Grande”. 39

Os vanzeiros queriam estabelecer linhas experimentais, cobrando R$ 1,30 de cada passageiro, contra a tarifa de R$ 1,70 concedida pelo município ao consórcio de empresas de ônibus. Dos R$ 1,30 recebidos de cada passageiro a cooperativa prometia repassar R$ 0,10 às associações de moradores, com isso conseguindo a adesão de 82 bairros.40 O prefeito argumentava que na tarifa maior estavam embutidas as gratuidades para estudantes e outras categorias; assim, permitindo as vans, diminuiria, para o consórcio, o número dos usuários que bancavam as gratuidades, o que poderia inviabilizar a operação das empresas.

Fazendo ouvidos moucos às advertências de Puccinelli, a cooperativa pretendia disponibilizar seus serviços à população já no dia 9, segunda-feira. Mas a prefeitura, avisada, fez a AGETRAN montar barreiras em pontos estratégicos da cidade para impedir a iniciativa. 41

No dia 10 os vanzeiros recuaram e adiaram o início das operações para daí a 30 dias, com a AGETRAN já garantindo que não iria autorizar essas atividades.42 Mas a tarifa de R$ 1,70 estava prestes a ser atualizada, e as empresas do consórcio revindicavam o valor de R$ 2,02.43 Com esse incentivo, no dia 20 os vanzeiros iniciaram suas operações clandestinas. No dia 23 organizaram protestos em várias regiões da cidade, visando obter maior apoio da população. Mas a fraca adesão popular, nessa véspera de Carnaval, esvaziou o movimento.44 No dia 27 veículos da AGETRAN, da PM e da ASSETUR circulavam pela cidade, procurando flagrar alguma van em atividade de transporte urbano.45

Destempero Verbal ?

Frase atribuida ao governador Zeca do PT, a propósito das eleições que seriam realizadas em outubro: “Vamos ganhar e embretar o André”. 46

______________________________

1 Midiamax 84374, 84409, 84554, 84569 e 84871.

2 Midiamax 85557 e 85784.

3 Midiamax 82885.

4 Midiamax 83013.

5 Midiamax 83163.

6 Midiamax 83167.

7 Midiamax 83454.

8 Midiamax 83508.

9 Midiamax 83581.

10 Midiamax 83585.

11 Midiamax 83668 e 83679.

12 Midiamax 83673.

13 Midiamax 83752.

14 Midiamax 83754.

15 Midiamax 83920.

16 Midiamax 83978.

17 Midiamax 84026.

18 Midiamax 84156.

19 Midiamax 84066.

20 Midiamax 84166.

21 Midiamax 84224.

22 Midiamax 84293.

23 Midiamax 84368.

24 Midiamax 84529 e 84549.

25 Midiamax 84627.

26 Midiamax 84772.

27 Midiamax 85369.

28 Midiamax 85856.

29 Midiamax 85873 e 85874.

30 Midiamax 85994.

31 Midiamax 86248.

32 Midiamax 86257.

33 Aquidauananews 28236.

34 Douradosnews 182645 e 183366; Midiamax 84889.

35 Midiamax 83746.

36 Midiamax 83808.

37 Midiamax 84009, 84311, 85840 e 86061.

38 Primeira Hora 1329, de 0/1/2004, pág. 11.

39 Midiamax 83456.

40 Primeira Hora 1345, de 5/2/2004, pág. 11; Midiamax 83756.

41 Midiamax 83756.

42 Midiamax 83921 e 83926.

43 Midiamax 84303.

44 Midiamax 85478, 85536 e 85538.

45 Midiamax 86026.