CGB Capítulo 15 – Março de 2004

fevereiro 18, 2018

Saude

CCZ encontra morcego infetado com o virus da raiva. O animal seria enviado para São Paulo para tipificação do virus. 1

Com o novo administrador, a Santa Casa continuava em crise financeira, agora com uma dívida de R$ 31 milhões com fornecedores de equipamentos, remédios e alimentação. Arthur D’Ávila chegou a ir a Brasília, junto com o governador, em busca de empréstimo de emergência na Caixa Econômica Federal. Havia um risco iminente de fechamento dos setores de pronto socorro e CTI. Cirurgias eletivas estavam a ponto de serem suspensas. 2

Principais Ocorrências Policiais

Na área central, dupla em moto aborda homem na rua e rouba R$ 4.500,00. 3

Mulher de 20 anos joga gasolina no marido, de 18, enquanto ele dorme. O homem acorda e sai correndo para a rua, com a mulher atrás dele, com uma caixa de fósforo. Até ser interceptada pela Polícia, na Avenida Ernesto Geisel. 4

Homem obriga ex-namorada a acompanhá-lo a motel e, diante de sua recusa ao ato sexual, passa a agredi-la com “mordidas de amor”. 5

Assaltantes invadem a CEASA de moto e arrecadam R$ 8.000,00. 6

Na BR-163, pessoa é atropelada e tem vísceras expostas, morrendo no local. 7

No Vida Nova, adolescente de 13 anos é estuprada por ciclista. 8

Elemento de trio sequestrador morre em tiroteio com a Polícia. A PM perseguia o trio, que fazia sequestros-relâmpagos, prendendo o segundo elemento. O terceiro conseguiu fugir. 9

No Jardim Anache, culminando discussão, genro mata sogro. 10

No Santa Emília, moto colide com caminhão e motoqueiro morre. 11

PM registra o furto de três veículos no fim-de-semana. 12

Na Vila Célia, duas motos se chocam e três pessoas ficam gravemente feridas. 13

Na Vila Jaci, ex-policial civil é assassinado com 8 tiros. 14

Na Avenida Bandeirantes, dupla armada rouba 5 malotes e o carro de empresário. 15

No Morada Verde, senhora de 78 anos morre no quintal, atingida por um raio. 16

Na Avenida Gury Marques, moto colide com caminhoneta e motoqueiro morre. 17

Na Cidade Morena, assaltantes roubam comércio e levam R$ 1.000,00. 18

Dupla assalta Hospital do Câncer e leva R$ 3.000,00. 19

Dupla armada rouba R$ 10.000,00 de empresa de transporte de valores. 20

Polícia registra o furto de 3 carros e 1 moto. 21

Na Avenida Salgado Filho, homem é eletrocutado quando cortava galho de árvore junto à fiação elétrica. 22

Para livrar a namorada de multa, homem oferece R$ 300,00 e é preso. Era um empresário, irmão de cônsul, e passando mal, é levado a hospital com escolta. 23

Golpe “Boa Noite Cinderela” faz passageiro perder R$ 1.700,00 na rodoviária. 24

No Panamá, mulher aceita carona e é violentada por 3 homens. 25

Nelson mantinha há seis meses um caso com Denir, esposa de Gleison. Pleiteando exclusividade, manifestara à amante o desejo de “sumir” com o concorrente. Gleison acabou descobrindo, e no dia 1º foi tomar satisfações, dizendo que aquilo “não ia ficar assim”. Encarando o dito como ameaça, Nelson puxou de uma faca e atingiu o outro no abdomem. Em seguida, socou-o e deu-lhe pauladas. Como a vítima ainda respirava, Nelson providenciou a sua asfixia. Depois enrolou o cadáver em cobertor e transportou-o, no seu carro Escort, até uma estrada rural, na saída para Três Lagoas. Lá, num lugar ermo, colocou fogo no cadáver. No dia seguinte voltou ao local, recolheu o que sobrara do corpo e, colocando essas sobras em sacos plásticos, despejou-as em local próximo, ainda mais ermo. E viajou para Ponta Porã, visitando parentes. No mesmo dia 2 a esposa registrou o desaparecimento do marido, contando a sua suspeita. Quando Nelson voltou da viagem, no dia 16, de madrugada, a polícia já o esperava e efetuou a prisão. Ele acabou confessando e contando todos os detalhes do crime. 26

Posto de gasolina é assaltado por dupla, que leva R$ 4.000,00. 27

Ladrões furtam 30 pilones do sistema de iluminação do aeroporto. 28

Estudante de 21 anos é sequestrada, mantida prisioneira, agredida e estuprada. 29

Ambulância atropela garoto de 8 anos que, 8 dias depois, morre no hospital. 30

Na saida de banco, ladrões levam malote de empresa com R$ 6.500,00. 31

Bombeiros atendem caso de ataque de enxame de abelhas 32

Dupla invade residốencia, mantém a família refém, estupra uma mulher, tenta saque em caixa eletrônico e sai com alguns eletrodomésticos. 33

Polícia registra 10 assaltos a ônibus urbanos em 4 dias. 34

Recém-nascido morre, esmagado pelos pais dormindo. 35

Polícia Militar Ambiental captura jibóia de 1,5 metro na vila da base aérea. 36

No dia 28, domingo, 6 pessoas tentaram suicídio. Os bombeiros da capital atendem diariamente, em média, 3 tentativas. 37

Dupla armada leva de funcionário de empresa de turismo malote com R$ 17.100,00. 38

No Carandá Bosque, muro em construção desaba e mata o pedreiro. 39

Caso das Metáforas

Alimentada pela metáfora do governador, utilizando o verbo “embretar”, do jargão agropecuário, a rivalidade entre o PT e o PMDB se acirrava. À acusação de que o partido de Puccinelli “destruira” o Estado na gestão de Wilson Martins (cujo nome, porém, nunca se mencionava), o prefeito, entrevistado, acusava o partido de Zeca de sabotar emendas do deputado federal Nelson Trad (pai de Nelsinho) em favor de Campo Grande. “Tenho como provar, tenho documentos assinados e que comprovam tudo”, asseverou. 40

E continuava, referindo-se a Semy Ferraz: “Teve um deputado do PT que é tão burro, tão retardado, que disse que a Águas Guariroba foi privatizada. Não foi; ela é concessionária. Ele disse que os espanhóis estavam roubando. E a SANESUL, que estava lá, não estava roubando? A SANESUL estava no meio também; ela estava juntinho também”. 41

Em nota à imprensa, o deputado acusou a Águas Guariroba de má gestão, e a agência reguladora municipal (“que embolsa 1% da receita de nossas contas de água e esgoto”) de inércia: “Precisamos de uma agência que analise quimicamente a água e certifique as quantidades de flúor e cloro, que analise o tratamento de esgoto e que exija o cumprimento do contrato de concessão, em investimentos e responsabilidades”. 42

No dia 19 o pré-candidato Vander Loubet concedia entrevista a Miltinho Viana, quando este observou que, de acordo com as últimas pesquisas de opinião, a candidatura do petista ainda não havia “decolado”. Vander justificou dizendo que o eleitor “ainda não estava no cio”. O PMDB de imediato pediu à emissora de rádio uma cópia em fita da entrevista. Paulo Pedra comentou que esta seria “uma demonstração do despreparo do candidato, por ter ofendido as mulheres”. 43

Semy Ferraz achou que Vander apenas fora “mal interpretado”, e que o deputado federal não quisera ofender o público, mas apenas referir-se ao clima de controvérsias e debates que antecede as eleições. Porém o vereador Elias Dib previa, para a próxima sessão da Câmara Municipal, muitos discursos inflamados a respeito da expressão utilizado pelo petista. “Não podemos ficar calados. Várias pessoas da nossa sociedade se sentiram ofendidas com o termo usado pelo deputado”. A vereadora Maria Emília, do PMDB, declarou: “Ele poderia ter falado de outra maneira, mas escolheu a pior. Mostra que não tem preparo para ser um parlamentar que recebeu 100 mil votos” E continuou, numa delirante extrapolação: “O termo chulo utilizado por ele ofendeu as mulheres. Quando ele usou o termo quis dizer que as mulheres só servem para procriar”. 44

No dia 23 a deputada estadual Simone Tebet, também do PMDB, apresentou na Assembléia Legislativa moção de protesto contra Vander, acusando-o de ter uma “visão descabida, desvirtuada e censurável”. Na Câmara Municipal, centenas de pessoas, inclusive muitos adolescentes, organizadas pelo “PMDB-Mulher”, lotavam a galeria, agitando faixas de protesto. Alex do PT estranhava o alvoroço: “Eles dizem que o Vander está em último lugar nas pesquisas. Eu nunca vi alguém atacar tanto um candidato que está em último lugar!” 45

No dia 24, a Assembléia Legislativa rejeitava, por 11 votos a 7, a moção proposta por Simone. Antes, o deputado estadual Pedro Kemp lera uma longa nota assinada por Vander Loubet, plena de referências a outros casos e discussões, e em que ao final da nota assevera: “Se alguém se sentiu ofendido ou ofendida com a reprodução de uma frase que é um jargão entre pesquisadores eleitorais (…), receba os meus sinceros pedidos de desculpas (…)”. Mas na propaganda eleitoral do PMDB, veiculada nesse dia, a vereadora Maria Emília, em vídeo de 30 segundos, dizia: “Os eleitores não entram no cio, mas estão envergonhados e indignados com o tratamento desumano e grosseiro do candidato do governo”. E termina “prestando solidariedade às mulheres”. 46

No dia seguinte, cerca de 500 pessoas lotavam o plenário da Câmara Municipal, desta vez para apoiar o pré-candidato Vander Loubet, com cartazes citando música de Milton Nascimento (“Cio da Terra”) e contestando a censura a uma palavra comum. A sessão da Câmara acabou sendo suspensa, alegando o presidente Youssif que o fizera “para evitar uma tragédia”, já que teria percebido, entre os manifestantes, “a existência de pessoas com laranjas”. Mas o motivo mais plausível foram as vaias que começaram quando Maria Emília se dispunha a discursar. No entanto, no dia anterior, haviam ocorrido vaias intensas quando da fala de vereadores do PT, sem que o presidente se preocupasse com o barulho ou com laranjas. E o PT entrava com ações na Justiça contra Puccinelli e contra Maria Emília. Alegava o partido que o prefeito forjara a manifestação do dia anterior, levando à Câmara, além de servidores municipais em horário de expediente, alunos do programa Agente Jovem, projeto do governo federal administrado pelo município, e que atendia adolescentes de 15 e 16 anos. Uma outra ação foi impetrada contra o diretor da escola, por ter levado os estudantes à Câmara sem a autorização dos pais. 47

Depois disso os políticos perceberam o ridículo da situação e de uma lado e do outro os ânimos se acalmaram. Mas no dia 29 Puccinelli tentava reacender os debates, chamando o deputado federal petista de Vander “Roubet”, o que provocou o pedido de nova ação judicial, desta vez por calúnia e difamação. Mas do outro lado também havia incendiários. Ao contrário de Loubet, que usara o termo “cio” desavisadamente, o presidente do diretório municipal do PT, Sílvio Nucci, voltou a empregá-lo, em entrevista ao mesmo programa radiofônico de Miltinho Viana, em sentido provocativo. Mas só Waldir Neves, do PSDB, ligou. Nelsinho Trad e Waldemir Moka, consultados, abstiveram-se de comentar o assunto. 48

Mas o prefeito iria continuar com sua escalada de provocações.

Ações Político-Administrativas

Pelo menos 15 casas, entregues a mutuários que não ocuparam os imóveis, foram retomados pela EMHA. O presidente da entidade, Carlos Marun, afirmou: “Casa da EMHA é para morar, e eu não vou permitir que 17 mil pessoas fiquem na fila enquanto ainda existem casas desocupadas”. Outras 100 casas estariam em igual situação, ou seja, sem utilização pelas pessoas que as receberam. 49

Técnicos do FONPLATA visitavam as obras em andamento na área da nascente do Córrego Sóter. O fundo investia US$ 6,147 milhões, e a prefeitura, em contrapartida, US$ 1,5 milhão. Serão 8.100 metros de galerias, 150.000 m2 de pavimentação asfáltica, 4.800 metros de interceptores de redes de esgoto e 5.000 m2 de ciclovia. 50

A tarifa do transporte urbano subia de R$ 1,70 para R$ 1,80. As vans, que eventualmente furavam o cerco da AGETRAN, prometiam, caso fossem autorizadas a operar, baixar sua tarifa para R$ 1,20. 51

No dia 19, cerca de 3 mil pessoas compareceram ao Instituto Mirim para obter senhas para a seleção de novos participantes dos cursos da instituição. Havia 350 vagas. A diretora executiva esclarecia: “Nosso objetivo é atender, prioritariamente, as famílias mais necessitadas da cidade, sem ceder às indicações políticas”. 52

Decidida a nova localização, no espaço anexo à antiga estação ferroviária, a prefeitura apresentou o projeto da Feira Central, a ser implantado numa área de 13 mil m2 , aí incluída grande área para estacionamento. O custo previsto era de R$ 3,5 milhões. A prefeitura entraria diretamente com R$ 1 milhão, financiaria R$ 1,5 milhão e exigiria o milhão final dos feirantes, que receberiam cotas proporcionais à área que passariam a ocupar. 53

Sucessão Municipal

Recusando-se a considerar as pesquisas, o deputado federal Vander Loubet sonhava em conquistar a cadeira de prefeito, e já em primeiro turno. 54

Juvência confirmava a sua pré-candidatura à prefeitura da capital. 55

Nelsinho Trad ia se firmando como o mais provável nome do PMDB para as eleições majoritárias de outubro. No dia 11 acompanhava André num encontro com empresários beneficiados com incentivos fiscais, e até discursara. 56

Puccinelli, por sua vez, ia colecionando adesões para a coligação liderada pelo PMDB. Já cooptara PPS, PV, PRTB, PTC, PTdoB e PSC, e negociava com 5 outros partidos. 57

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1 Midiamax 86655 e 86745.

2 Midiamax 86543, 87648, 87653, 87656, 88123, 88725, 88771, 88773, 88835, 89136, 89173, 89178, 89447, 90352, 90422, 90430 e 90434.

3 Midiamax 86396.

4 Midiamax 86459.

5 Midiamax 86481.

6 Midiamax 86635.

7 Midiamax 86761.

8 Midiamax 86776.

9 Midiamax 87155.

10 Midiamax 87236.

11 Midiamax 87275.

12 Midiamax 87290.

13 Midiamax 87333.

14 Aquidauananews 30270.

15 Midiamax 87368.

16 Midiamax 87403.

17 Midiamax 87533.

18 Midiamax 87546.

19 Midiamax 87660.

20 Midiamax 87686.

21 Midiamax 87724.

22 Midiamax 87932 e 87963.

23 Midiamax 87999.

24 Midiamax 88493.

25 Midiamax 88653.

26 Midiamax 88663.

27 Midiamax 88808.

28 Midiamax 89145.

29 Midiamax 89453.

30 Midiamax 89458.

31 Midiamax 89462.

32 Midiamax 89578.

33 Midiamax 89609.

34 Midiamax 89612.

35 Midiamax 89614.

36 Midiamax 89020.

37 Midiamax 90038.

38 Midiamax 90161.

39 Midiamax 90419.

40 Midiamax 86334.

41 Midiamax 86335.

42 Midiamax 86495.

43 Midiamax 89018.

44 Midiamax 89129, 89228.

45 Midiamax 89331, 89376 e 89434.

46 Midiamax 89481, 89498 e 89558.

47 Midiamax 89667, 89691, 89703 e 89769.

48 Midiamax 90385, 90390, 90393 e 90397.

49 Midiamax 87453 87461 e 87464.

50 Midiamax 87593.

51 Midiamax 87311, 87327, 87330 e 88457.

52 Midiamax 88801 e 88875.

53 Midiamax 89930.

54 Midiamax 86940.

55 Midiamax 87056.

56 Midiamax 87774 e 90177.

57 Midiamax 90092.

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CGB Capítulo 14 – Fevereiro de 2004

fevereiro 13, 2018

Eventos

De 11 a 15 deram-se as apresentações do Moto Road, que pela sétima vez ocorriam em Campo Grande. Exibições de motociclistas e shows de Rock (com destaque para John Kay e Steppenwolf) levaram ao Parque Laucídio Coelho, segundo os organizadores do evento, cerca de 55 mil pessoas. Participaram motociclistas de Mato Grosso do Sul e de vários Estados, assim como de países vizinhos como Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.1

Com a tradicional guerra de números entre os organizadores (a prefeitura, na Avenida Fernando Correa, e o Estado, com o desfile das escolas de samba na Rua 14 de Julho), o carnaval reuniu multidões entre a noite de sexta-feira, 20, e a terça-feira, 24. A Escola de Samba Igrejinha foi a campeã do grupo principal, que desfilou no domingo. 2

Principais Ocorrências Policiais

No Tiradentes, idoso é atropelado por caminhoneta e morre. 3

Motoqueiro morre em colisão de moto com carro na Av. Mato Grosso. 4

Com a dona viajando, ladrões arrombam apartamento e levam R$ 50 mil em joias. 5

Assaltante leva R$ 12 mil de empresa de factoring. 6

Em rua da Vila Antunes, homem rouba a bolsa de uma mulher, com R$ 1.200,00 e celular. 7

Loja de tintas tem R$ 1.700,00 levados por assaltantes. 8

Confusão em frente ao clube Porteira Quebrada deixa 1 morto e 1 ferido. 9

Aposentada é obrigada por assaltante a sacar R$ 5 mil em banco. 10

Delegado aposentado, dirigindo bicicleta, é atropelado na Av. Três Barras e morre ao dar entrada na Santa Casa. 11

Pizzaria é assaltada no Monte Castelo e perde celular e R$ 400,00. 12

PM encontra, na frente da Câmara Municipal, cadáver com 2 perfurações de bala. 13

Na Vila Jussara, posto de combustíveis é assaltdo e perde R$ 800,00. 14

Mulheres tẽm carro roubado ao sairem de igreja, na Vila Célia. 15

Presos dois envolvidos com roubos a postos de gasolina. 16

Homem acusado de estupro é morto a pedradas e golpes de facão. 17

Raio mata cabo da PM durante partida de futebol. 18

Estatísticas comparavam acidentes de trãnsito entre 2000 (4.714) e 2003 (5.595), para uma frota de veículos que aumentou de 178.198 para 223.697. Mortes nesses acidentes: 28 em 2000, 48 em 2003. 19

Assaltantes levam R$ 20 mil da administração do Shopping Pantanal, no centro. 20

A frota de motocicletas aumentou, em Campo Grande, de 26.776, em 2001, para 36.885 em 2003. Os acidentes envolvendo motos aumentaram de 1.603 ocorrẽncias em 2001 para 2.232 em 2003. 21

Homem é morto na Mata do Jacinto a golpes de faca. 22

Na Av. Ernesto Geisel, dupla armada leva malote da Agetran com R$ 27.000,00. 23

Ambulante que fazia gambiarra na rede elétrica, defronte ao Parque Laucídio Coelho, morre eletrocutado. 24

No dia 15, a DERF apresentava à imprensa 9 homens presos na semana anterior. 25

No Morada do Sol, PM prende padrasto suspeito de haver estuprado enteada de 10 anos. 26

Chamado para receber o dinheiro encontrado no bolso do filho morto, o pai é preso por haver contra ele mandado de prisão por duplo homicídio. 27

Depois de amamentação, bebê morre com o refluxo do leite.28

GARRAS apresenta ex-policial, acusado de ser o mentor de assaltos a bancos ocorridos na cidade. 29

PM apreende na Estrada da Gameleira meia tonelada de maconha. 30

Incêndio no Dom Antõnio Barbosa destrói casa de mata criança de 12 anos. 31

Dupla rende funcionário e rouba R$ 500,00 de posto de combustíveis. 32

Caso do Trote Violento

No início do ano as universidades avisavam os estudantes de que não seria tolerada violência na aplicação de trotes (encargos e humilhações impostas aos calouros pelos veteranos das instituições). No dia 4 de fevereiro os veteranos do curso de Medicina Veterinária da UNIDERP resolveram encarregar os calouros de efetuarem pedágio numa rua da cidade. Não satisfeito com as tradicionais pinturas aplicadas nos novatos, um veterano resolveu despejar creolina pura sobre dois dos calouros. Isto provocou neles forte reação, ocorrendo queimaduras de segundo grau. Diante da gravidade da situação, foram imediatamente encaminhados ao Pronto Socorro.33

O caso motivou boletim de ocorrência no distrito policial, e a Comissão Administrativa da UNIDERP, formada por 16 membros, decidiu expulsar o aluno, A.A.C.V. Neto, que cursava o terceiro ano de Medicina Veterinária. O aluno apresentou defesa, assistido por advogado, mas a universidade, também incentivada por reitores de outras instituições, decidiu que era hora de tomar uma atitude drástica que coibisse a repetição de casos como esse. E manteve a expulsão. 34

Ações Político-Administrativas

No dia 9, o prefeito André Puccinelli inaugurava Unidade Básica de Saude, com Policlínica, no Jardim Mário Covas. 35 No mesmo dia, iniciava, pelo Jardim Canguru e Mata do Jacinto, a distribuição de kits escolares aos alunos da Rede Municipal de Ensino. O kit era composto por 2 camisetas, 1 bermuda e 1 mochila. 36

E as entregas de pavimentações e obras de drenagem continuavam37:

Local Pavimentação Drenagem
Jd. da Lapa/ Jd. dos Boggis 15.658 m2 266,45 m
Nascente do Sóter 71.285,05 m2 4.325,68 m
Santa Luzia 34.695,15 m2 3.857 m
Avenida dos Cafezais 46.000 m2 1.200 m

A Avenida dos Cafezais recebeu ainda 2.500 m2 de ciclovia.

Caso da Cooperativa de Vanzeiros

Em janeiro o diretor comercial da COOPERTTAMS – Cooperativa dos Trabalhadores d Transporte Alternativo de Mato Grosso do Sul – dizia que o grupo não iria aguardar a aprovação do projeto do vereador Alex do PT, autorizando a operação de vans no transporte coletivo urbano. A estratégia seria colocar a população a favor dos vanzeiros, obrigando o prefeito a regularizar a atividade, como havia acontecido com outras categorias, como a dos mototaxistas.38

No início de fevereiro intensificava-se a polêmica entre a prefeitura e os defensores das vans. Puccinelli dizia, já xingando, que não iria permitir que “essa máfia invadisse Campo Grande”. 39

Os vanzeiros queriam estabelecer linhas experimentais, cobrando R$ 1,30 de cada passageiro, contra a tarifa de R$ 1,70 concedida pelo município ao consórcio de empresas de ônibus. Dos R$ 1,30 recebidos de cada passageiro a cooperativa prometia repassar R$ 0,10 às associações de moradores, com isso conseguindo a adesão de 82 bairros.40 O prefeito argumentava que na tarifa maior estavam embutidas as gratuidades para estudantes e outras categorias; assim, permitindo as vans, diminuiria, para o consórcio, o número dos usuários que bancavam as gratuidades, o que poderia inviabilizar a operação das empresas.

Fazendo ouvidos moucos às advertências de Puccinelli, a cooperativa pretendia disponibilizar seus serviços à população já no dia 9, segunda-feira. Mas a prefeitura, avisada, fez a AGETRAN montar barreiras em pontos estratégicos da cidade para impedir a iniciativa. 41

No dia 10 os vanzeiros recuaram e adiaram o início das operações para daí a 30 dias, com a AGETRAN já garantindo que não iria autorizar essas atividades.42 Mas a tarifa de R$ 1,70 estava prestes a ser atualizada, e as empresas do consórcio revindicavam o valor de R$ 2,02.43 Com esse incentivo, no dia 20 os vanzeiros iniciaram suas operações clandestinas. No dia 23 organizaram protestos em várias regiões da cidade, visando obter maior apoio da população. Mas a fraca adesão popular, nessa véspera de Carnaval, esvaziou o movimento.44 No dia 27 veículos da AGETRAN, da PM e da ASSETUR circulavam pela cidade, procurando flagrar alguma van em atividade de transporte urbano.45

Destempero Verbal ?

Frase atribuida ao governador Zeca do PT, a propósito das eleições que seriam realizadas em outubro: “Vamos ganhar e embretar o André”. 46

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1 Midiamax 84374, 84409, 84554, 84569 e 84871.

2 Midiamax 85557 e 85784.

3 Midiamax 82885.

4 Midiamax 83013.

5 Midiamax 83163.

6 Midiamax 83167.

7 Midiamax 83454.

8 Midiamax 83508.

9 Midiamax 83581.

10 Midiamax 83585.

11 Midiamax 83668 e 83679.

12 Midiamax 83673.

13 Midiamax 83752.

14 Midiamax 83754.

15 Midiamax 83920.

16 Midiamax 83978.

17 Midiamax 84026.

18 Midiamax 84156.

19 Midiamax 84066.

20 Midiamax 84166.

21 Midiamax 84224.

22 Midiamax 84293.

23 Midiamax 84368.

24 Midiamax 84529 e 84549.

25 Midiamax 84627.

26 Midiamax 84772.

27 Midiamax 85369.

28 Midiamax 85856.

29 Midiamax 85873 e 85874.

30 Midiamax 85994.

31 Midiamax 86248.

32 Midiamax 86257.

33 Aquidauananews 28236.

34 Douradosnews 182645 e 183366; Midiamax 84889.

35 Midiamax 83746.

36 Midiamax 83808.

37 Midiamax 84009, 84311, 85840 e 86061.

38 Primeira Hora 1329, de 0/1/2004, pág. 11.

39 Midiamax 83456.

40 Primeira Hora 1345, de 5/2/2004, pág. 11; Midiamax 83756.

41 Midiamax 83756.

42 Midiamax 83921 e 83926.

43 Midiamax 84303.

44 Midiamax 85478, 85536 e 85538.

45 Midiamax 86026.

CGB Capítulo 13 – Janeiro de 2004

fevereiro 4, 2018


Caso dos Veículos Incendiados

Na madrugada do dia 4 de janeiro, domingo, cerca de 1 hora, um homem pulou a cerca do pátio da Procuradoria Geral de Justiça do Estado, no Parque dos Poderes, acessando um espaço coberto onde se encontravam alguns carros. Pegou um galão que antes passara através da cerca, dirigiu-se diretamente para um Renault Scenic e começou a jogar o conteudo, gasolina misturada com diesel, sobre o capô e outras partes da lataria do veículo. Em seguida, a partir do combustível que escorria, foi fazendo um fluxo até a cerca. Pulou novamente para a rua e acendeu um fósforo, que apagou ao ser lançado no solo apenas ligeiramente molhado. Voltou ao pátio, derramou mais combustível na trilha formada, e depois, já do lado de fora, acendeu outro fósforo. Desta vez o fogo pegou, numa ligeira explosão que chamuscou o rosto e os cabelos do homem. Ele então saiu correndo, enquando o fogo já atingia o Scenic.1

O carro visado logo foi destruido pelas chamas, que também atintiram os veículos próximos, dois Gol, um Astra e um Santana. Eram veículos normalmente utilizados pelos funcionários ligados ao GAECO, o Scenic mais por um dos Promotores de Justiça.2

Como o Scenic fora recentemente apreendido de um traficante, logo se aventou a hipótese de vingança ou intimidação por elementos descontentes com a ação do grupo. E logo ocorreu uma denúncia anônima, dando conta do local onde se encontraria o autor do atentado. Homens do P-2, serviço reservado da Polícia Militar, foram lá e ficaram de tocaia. Quando, de manhã, dois homens sairam num Gol branco, os policiais passaram a persegui-los, logo havendo uma troca de tiros, que resultou na prisão de um dos homens e na fuga do outro.3

Dias depois comprovou-se que nenhum dos suspeitos tinha algo a ver com o atentado, um deles inclusive tendo um álibi, o que não o livrou da prisão, já que havia, em seu nome, um mandado de prisão expedido pela comarca de Corumbá.4

As investigações, a cargo do GARRAS, já que o 3º Distrito Policial não tinha estrutura funcional suficiente5, prosseguiram, sem entretanto avançar na elucidação do crime. Tudo parecia encaminhar-se para mais um caso insolúvel, quando três fatores novos se sucederam: a sorte, as informações de uma “boca de fumo” e finalmente o que podemos classificar como um milagre.

Ocorreu que o mandante do crime, passado 1 mês sem ser incomodado, animou-se a mandar que se praticasse outro, mais danoso. Chamou o incendiário e o elemento de ligação, que se encontravam homiziados em Cuiabá, no Mato Grosso, para uma conversa. Os dois meliantes viajaram separadamente e só foram se encontrar, depois de contato telefônico, no dia 10 de fevereiro, nas proximidades do Terminal Guaicurus. O intermediário repassou ao outro a insatisfação do “chefe”, que achara pouca a destruição de 5 veículos. O mandante queria, agora, ou o incêndio da casa de um certo promotor, ou mesmo o seu assassinato. Adiantado o tema a ser tratado, no dia seguinte agendou-se um encontro dos dois com o mandante, nas mesmas proximidades.6

Mais tarde, no mesmo dia 11 de fevereiro, lá estavam o intermediário e o executor do incêndio, num dos lados da avenida, e o mandante no outro lado. De repente passa uma viatura do GARRAS, devagar, e em seguida outra viatura, mais devagar ainda. O intermediário se apavora e sai correndo, sendo facilmente capturado pelas equipes policiais que ali faziam ronda. E foi assim, nesse golpe de sorte, que a investigação chegou a Jovelino, o intermediário.7

Parece que Jovelino somente admitiu, junto ao GARRAS, que participara do atentado transportando o incendiário, “desconhecido” ao qual atendera “em troca de pequena gratificação”. Mas Célia, chefe de uma “boca de fumo” no Jardim Noroeste, uns 3 km a nordeste do Auto Posto Ideal (quando o Lagoa Dourada, onde moravam Jovelino e Robson, fica a sudoeste e bem próximo), repassou muitas informações sobre Jovelino, seus relacionamentos e ações. Foram essas informações que permitiram o indiciamento de Robson (amigo de Jovelino e igualmente muito conhecido de Célia) como o incendiário transportado. E foram essas informações que esclareceram as anteriores relações de emprego entre os dois suspeitos e o Auto Posto Ideal, de propriedade de Fábio M., seu irmão e seu pai. Estes últimos eram pequenos ou médios empresários, donos, além do Posto Ideal, de outro posto em Dourados, uma fazenda e uma revenda de caminhões Iveco. E tinham litígios com o GAECO.8

Robson, ouvido pelo GARRAS (e vários meses depois em juizo), não admitiu a autoria, negando-se a prestar quaisquer informações úteis. A Polícia, porém, tinha elementos suficientes para acreditar que ele era o incendiário, sendo Jovelino o transportador e elemento de ligação com o mandante do crime, que agora tinha pelo menos um sobrenome: o daquele grupo familiar.9

Assim, graças ao golpe de sorte e às preciosas informações oriundas da “boca de fumo”, o GARRAS pode finalmente iniciar um procedimento técnico: obteve a quebra do sigilo telefônico de Marcelo e sua esposa, de Jovelino, de Robson e outros mais. Após minuciosa análise, constatou-se que as ligações entre esses 4 primeiros telefones só ocorreram nos momentos cruciais do atentado, do homiziamento dos marginais e do reencontro conspiratório de fevereiro. Eram fortes indícios, mas faltavam provas, ou pelo menos outros indícios corroboradores. Como não foram encontrados, as investigações foram concluidas, em fins de setembro, e o Ministério Público denunciou apenas Jovelino, Robson e um terceiro (possivelmente o dono da moto Titan que transportou aqueles dois no dia 4 de janeiro), não fazendo qualquer menção ao nome do suposto mandante do crime.10

As perspectivas não eram boas para o Ministério Público, de forma que todos os réus acabariam provavelmente inocentados, por insuficiência de provas. Não se sabe o que ocorreu nos bastidores, mas dias depois, com o processo judicial em andamento, Robson resolveu retificar o depoimento que já fizera em juizo, desta vez admitindo a autoria do incêndio e nomeando o mandante do crime, Fábio M., cujo motivo seria o desejo de vingança em face de uma humilhação sofrida de um representante do Ministério Público.

O novo depoimento de Robson foi muito convincente, devido à riqueza de detalhes, todos eles compatíveis com os elementos indiciários colhidos autonomamente pela Polícia. Era a prova que faltava.

Em 28 de setembro de 2007, concluido o julgamento (que não incluiu Jovelino, então foragido) e exarada a sentença, Fábio M. foi condenado a 6 anos e 8 meses de reclusão (depois reformada pelo STJ para 5 anos e 4 meses), com regime inicial fechado. André, o que supomos dono da moto Titan, foi inocentado. E Robson obteve um extraordinário e completo perdão judicial. Quase um ano depois, em 25 de setembro de 2008, por edital do Juizo da 3ª Vara Criminal, já que o cidadão se encontraria “em lugar incerto ou não sabido”, Robson ficava “intimado” a conhecer do teor da sentença prolatada.11

O triste da história é que tudo (o incêndio, a ruina de várias vidas, o tempo e os recursos despendidos pelas autoridades, etc.) poderia ter sido evitado se a tal humilhação não tivesse ocorrido. Na época o GAECO vinha executando várias ações espetaculosas, aparentemente destinadas a “mostrar serviço”, quando não a impor à população o temeroso respeito ao avassalador poder de seus membros. A prisão de pequenos comerciantes, principalmente os do varejo de combustíveis, quase que virou uma regra. Mostrando-se desnecessárias quanto às infrações mais graves, as prisões relacionadas apenas a infrações levíssimas (se o Bom Senso pode chamá-las de infrações), beiravam o surrealismo ou tangenciavam o universo kafkiano. Um exemplo destes últimos casos era o chamado, pelos procuradores, de “crime contra o consumidor”, figurinha fácil naqueles dias.

Vamos aos detalhes, tendo-se em conta que nessa época o GAECO acompanhava os fiscais da ANP em suas fiscalizações. Um posto de gasolina de bandeira branca, isto é, não ligado por contrato às grandes distribuidoras de combustíveis (Petrobrás, Ipiranga, Shell), comprava de pequenas ou médias distribuidoras como Small, Simarelli, Taurus, Agip, etc. Algumas dessas distribuidoras faziam questão de instalar suas placas e logotipos quando vendiam a um daqueles postos. Outras não davam importância a esse marketing. Todas as distribuidoras, grandes, médias e pequenas, adquiriam seus combustíveis da mesma fonte, ou seja, a refinaria Petrobrás de Paulínia, Estado de São Paulo. Assim, a não ser que a ANP constatasse adulteração do produto recebido, todas as distribuidoras, e todos os postos, faziam chegar ao consumidor final o mesmo produto da refinaria de Paulínia.12.

Aí um determinado posto, que antes adquirira o combustível (e o logotipo) da Agip, consegue melhor preço com a Simarelli e fecha negócio com ela. A Simarelli entrega o produto, mas não traz nenhuma placa com a sua logomarca. O gerente do posto nem percebe a firula burocrática, e não mexe na placa da Agip (talvez houvesse outra, da Taurus, também esquecida no pátio). Aí chegam os fiscais da ANP e, não constatando adulteração do combustível (que, aí sim seria crime contra o consumidor), e talvez para “não deixar de graça”, apontam para as placas esquecidas pelo gerente. Multa. E o GAECO transforma o esquecimento ou a displicência do gerente em crime terrível, sujeito à pena de 2 anos e 3 meses a 6 anos de reclusão. Nenhum consumidor foi realmente lesado; nenhum imposto deixou, por isso, de ser recolhido; mas o GAECO mostrou todo o seu poder, prendendo o pequeno comerciante e indicando-o à imprensa e à sua comunidade como um criminoso. Humilhação intempestiva e desnecessária.13

É preciso notar que gasolina, ou óleo diesel, ou etanol, não são produtos comparáveis a calças jeans ou sapatos e bolsas de grife. Vender um produto caprichosamente fabricado no quintal como se fosse um Louis Vuitton pode dar cana e apreensão, mais por questões imateriais do que por causar prejuizo ao consumidor. Mas nunca se autuou um comerciante porque vendeu uma legítima bolsa Louis Vuitton do importador A e meses depois vendeu uma legítima bolsa Louis Vuitton do importador B, sem comunicar aos clientes da loja a troca de fornecedor. No caso dos combustíveis, o consumidor, nos episódios citados, recebeu um produto de qualidade, oriundo da refinaria de Paulínia. Não foi ludibriado em nada. Se havia placa desta ou daquela distribuidora, é duvidoso que tenha notado; ele parou no posto ou porque conhece o dono ou os funcionários, ou porque é um lugar de fácil acesso, ou porque, estando o seu tanque na reserva, era arriscado tentar alcançar o seu posto costumeiro ou predileto…

Liquidações e Desemprego

Duas “megaliquidações”, da Magazine Luiza e do Ponto Certo, movimentavam o centro no dia 3. Desde a noite anterior centenas de pessoas se posicionavam em longas filas, para obter senhas e reservar de imediato os produtos desejados, que iriam levar para casa por conta própria. 14

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Campo Grande reclamava da existência de 24 mil desempregados no setor, ou 80% da mão-de-obra disponível. A crise, no entanto, não atingia o subsetor dos grandes prédios de apartamentos, beneficiário do boom do agronegócio. A diretoria da Plaenge preparava-se para entregar, no fim do mês, o Edifício Pablo Picasso, com 23 andares e 4 apartamentos por andar. Mas Esse edifício em particular logo iria ser alvo de constantes reclamações dos moradores, pois ao ser construido interceptara uma nascente, o que obrigava a drenagem constante da água não-potável do subsolo, por bombeamento, 24 horas por dia.15

E o STJ confirmava a falência da Enccol, outrora grande construtora em Campo Grande.16

Saude

Só nos primeiros 11 dias do mês a SESAU havia recebido 13 notificações de leishmaniose visceral. Desses casos, 5 foram confirmados e 1 resultou em óbito.. Em todo o ano anterior haviam ocorrido 79 casos confirmados e 7 óbitos.17

Quanto à epidemia de Dengue, controlada, o último caso registrado fora o de julho de 2003.18

Principais Ocorrências Policiais

No Estabelecimento Penal de Segurança Máxima, dois detentos são assassinados.19

No Jardim Botafogo, homem recebe 2 tiros e acaba morrendo na Santa Casa.20

Dupla invade residência no Iracy Coelho e leva R$ 1.400, documentos e cartões.21

DGSP tenta transferir 12 presos do IPCG que estão ameaçados de morte por outros detentes.22

De madrugada, ladrões furtam de residência no Jardim Noroeste R$ 45 mil e um cheque.23

Outro assassinato é registrado no presídio de segurança máxima.24

PM fecha “boca de fumo” na Nhanhá e prende 3 pessoas.25

No Guanandi, casal assalta ônibus e leva R$ 105,00.26

No Tarumã, uma jovem de 17 anos sobe na mangueira do vizinho, e é surpreendida. Teria sido, então, agarrada pela cintura enquanto descia, teria sido queimada no pescoço com uma acha incandecente de lenha e depois levado uma pancada de raspão na cabeça. Mas na primeira versão à polícia, alegou tentativa de estupro.27

Tiroteio no Tiradentes deixa uma pessoa morta e outra ferida. Polícia detém 3 pessoas suspeitas de envolvimento.28

Vizinhos botam fogo na casa de homem acusado de tentar violentar criança de 6 anos. O suspeito, que fugira, é encontrado e detido pela Polícia.29

Dois bebês morrem afogados pelo refluxo do leite que haviam ingerido.30

No Dom Antônio, dupla que rondava casas foi detida por populares. Os suspeitos foram espancados e baleados nos pés.31

Padrasto é preso, acusado de violentar enteado de 9 anos.32

No Guanandi, assaltante de ônibus leva R$ 70,00 do caixa e os óculos do cobrador.33

No lixão, homem é encontrado morto por pedradas e pauladas.34

Populares encontram cadáver decapitado na saída para São Paulo.35

Na esquina Geisel-Euler, motoqueiro perde o controle da moto, é lançado ao solo e morre.36

PM registra 7 furtos de veículos num final de semana.37

No Universitário, caminhão atropela soldado do Exército, e a vítima vai a óbito.38

Atripelado por motoqueira num local próximo ao Morenão, homem é levado à Santa Casa, mas não resiste e morre.39

A Polícia informava que em 2003 ocorreram 150 homicídios na capital, com queda de 14% em relação a 2002, que registrou 176.40

Ladrão entra em residência e furta joias no valor de R$ 5 mil.41

Paraguaio toma cerveja com duas mulheres e tem pasta com R$ 1.200,00 furtada.42

Dupla é flagrada em motocicleta, com 50 kg de maconha.43

No lixão, adolescente é atropelado e morre.44

No Santo Amaro, uma moto atropela outra, e o motoqueiro atropelado morre.45

Ladrões arrombam loja e furtam mais de cem peças de roupa.46

Dois homens seguem garota de 17 anos que está na companhia de um amigo, rendem os dois e estupram a moça num terreno baldio.47

No anel rodoviário, assaltantes levam R$ 4.700,00 de um posto de combustíveis.48

Assaltantes rendem o vereador Miltinho Viana e levam caminhoneta importada, que no dia seguinte é encontrada no Colibri.49

Homem armado rouba a caminhoneta Pajero do deputado federal Geraldo Rezende. Três dias depois o GARRAS localiza o veículo.50

Assaltantes invadem escritório do deputado federal Antônio Carlos Biffi, mantêm 13 pessoas presas no banheiro e levam 5 computadores, 11 celulares e um veículo Corsa pertencente à filha do parlamentar. O carro é depois abandonado no Santa Carmélia. Um dos assaltantes é localizado, e os produtos do roubo são recuperados. Assaltantes pareciam conhecer toda a rotina do escritório. 51

Caso MST

No dia 5 de janeiro, o MST ainda estava acampado no anel rodoviário. Dois dias depois o Midiamax calculava que o número de famílias já quase alcançava a centena.52

No dia 9 o juiz da 2ª Vara de Fazenda Pública, atendendo a solicitação da SEJUSP, determinou o adiamento da desocupação da área para a quarta-feira seguinte. Assim, a tropa de choque da PM, que logo de manhã já estava na área, pronta para intervir, se retirou.53

Tentava-se então encontrar uma área alternativa, para onde o acampamento pudesse ser transferido. Finalmente, no dia 14, encontrou-se essa área. Era uma propriedade do deputado estadual Pedtro Teruel, de 10 hectares, na saída para Dourados. Para lá as famílias, agora já em número de 150, começaram a ser transferidas.54

Marun cantava vitória.55

Atuações Político-Administrativas

No dia 5 a prefeitura iniciava a distribuição, através dos
Correios, de 256.075 carnês do IPTU. Nesses carnês haviam sido lançados 94,9 milhões de reais, com vencimento, da primeira parcela ou do pagamento à vista, em 13 de fevereiro. No ano anterior haviam sido expedidos 255.382 carnês, no valor total de 87,2 milhões. 56

No dia 14 a prefeitura divulgava algumas estatísticas dos serviços públicos executados no decorrer de 2003: capina manual nos passeios das avenidas, cerca de 1 milhão de metros quadrados; coleta de lixo domiciliar e empresarial, 230.000 toneladas; lixo hospitalar, 14.997 toneladas; coleta manual de entulhos, 2.380 metros cúbicos. A Divisão de Vias Asfaltadas realizara operações tapa-buracos (consumo de 4 mil toneladas de CBUQ) em mais de 600 mil metros quadrados; e foram movimentados 336.037 m3 de aterros e cascalhos nas vias não pavimentadas. Foram trocadas nas vias e praças 29.901 lâmpadas, 24.916 reatores e 29.901 relês, e canteiros centrais receberam 5.700 novas luminárias. Na Divisão de Parques e Jardins, foram produzidas 212.292 mudas, entre forrações, arbustos e árvores (dentre estas, 8 mil oitis). 57

Estava marcada para o dia 15 a entrega, pelo prefeito Puccinelli, do asfaltamento (8.815 m2) e drenagem do corredor de ônibus do Jardim Tijuca e do São Jorge da Lagoa. Também no Jardim TV Morena estava em vias de encerramento a pavimentação de 5 mil metros quadrados de ruas. 58

O Parque Estadual do Prosa, aberto para visitação desde maio de 2002, recebera, em 2003, a visita de 7.284 pessoas. Criado em 1981, o parque se estende por 135,2573 hectares, contíguos ao Parque dos Poderes e ao Parque das Nações Indígenas. 59

Sucessão Municipal

Apesar da incontrastável popularidade de Nelsinho, repetidamente indicada pelas pesquisas de opinião, o deputado federal Antonio Carlos Biffi sonhava, dizendo que “agora o PT vai conquistar a prefeitura da capital”. E o candidato do partido, Vander Loubet, com duvidosa popularidade e pouco carisma, tentava criar polêmica acerca de um panfleto apócrifo que o acusava… de nada ter feito por Campo Grande. 60

Nelsinho, melhor assessorado, procurava fugir de polẽmicas, direcionando os debates para o confronto entre o prefeito do PMDB e o governador do PT. No dia 8, em entrevista, citava uma pesquisa IBRAPE de 3 meses atrás, publicada pela revista IstoÊ e que indicava, para Campo Grande, maior aprovação de Puccinelli como prefeito (80%) do que de José Orcírio como governador (63%). 61

E o Zeca do PT parecia à beira de um ataque de nervos. Em entrevista coletiva, criticando seguidamente o PMDB, chegou a afirmar que a sua missão na campanha política que se avizinhava seria “destruir o PMDB, da mesma forma que os peemedebistas destruiram Mato Grosso do Sul no período que administraram o Estado”. Essas falas não agradaram a ninguém, da oposição ou da situação.62

Juvêncio confirmava que seria candidato pelo PDT, ou ao cargo de prefeito ou ao de vice.63

No dia 26, Antônio Cruz, Marisa Serrano e Oswaldo Possari conversavam, analisando a possibilidade de uma coligação entre PSDB e PTB; mas não se chegou a um acordo. Assim, Marisa reafirmava a candidatura Possari, e o PTB, com a desistência de Antônio João, fechava consenso em torno de Cruz. 64

Caso dos 438 Votos Mototaxistas

No dia 25 de janeiro o saite do PT divulgava laudo judicial sobre gravações de 25 de outubro de 2002, vésperas do segundo turno das eleições para governador. Nessas gravações, em VHS e cassette, Puccinelli, numa reunião com mototaxistas (na época havia 438), garantia um abastecimento de 10 litros de gasolina para cada um, no dia seguinte (véspera das eleições), e a continuação do “mimo”, semanal, até o fim do ano, se a sua candidata, Marisa Serrano, vencesse o pleito. A contrapartida exigida seria o voto e o empenho pela candidatura da peessedebista. Estava configurado o que seria um “compromisso de compra e venda de votos”. Feita a denúncia, Puccinelli alegara que a gravação fora editada, isto é, modificada, fraudada. A perícia judicial, entretanto, realizada 14 meses depois, dizia o seguinte:

Todas as imagens das fitas VHS e o áudio da fita cassette contêm características de gravações descontinuadas, realizadas em momentos não contemporãneos, não se detectando, contudo, intervenções de edição de conteudos ou subtração física de segmentos (corte direto nas fitas magnéticas)“. 65

A representação junto ao T.R.E., porém, foi considerada inepta, alegando-se que apontava inicialmente a irregularidade como “abuso de poder econômico e político” (art. 22 da LC 64/90), e não “captação ilícita de sufrágio” (com penas dispostas no art. 41-A da Lei 9504/97), como se quis acrescentar. Assim, no Acórdão referente à Ação de Investigação Judicial Eleitoral nº 29, o T.R.E., embora reconhecendo  que Puccinelli, na reunião com mototaxistas, tinha “enveredado pelo caminho político no sentido de pedir votos para candidato” (na ementa, “pedido de voto e promessa de presente”) , considerou que não foram juntadas, para complementar as gravações, “provas contundentes e seguras de entrega de autorizações para o fornecimento de combustível” aos referidos mototaxistas. Julgou porisso que “não existiu o efetivo potencial abusivo a ponto de distorcer a manifestação popular e o seu respectivo e provável reflexo no resultado das eleições66

Subiu o processo, em grau de recurso, ao T.S.E., que o analisou em 15/12/2005, quando já se haviam passado mais de 3 anos da data das eleições de 2002. Assim, considerou-se o julgamento prejudicado, com voto vencido de Marco Aurélio Mello, que argumentou, brilhantemente, que o prazo de 3 anos deveria ser contado, quanto a Puccinelli, a partir do término do mandato de prefeito (conforme art. 1º, caput, inciso I, alínea h, da LC 64/97), e não a partir da data da eleição para governador (início do prazo para Marisa Serrano). O relator, ministro Caputo Bastos, fez uma defesa canhestra de sua interpretação, mas conseguiu a fácil adesão de outros 3 ministros (Gilmar Mendes, Humberto Gomes de Barros e Gerardo Grossi). E para a sorte definitiva de Puccinelli, que assim comprovava o mito de ser um favorito dos deuses, o acórdão referente ao Recurso Ordinário nº 795 – Classe 27ª – Mato Grosso do Sul (Campo Grande), permaneceu dormitando, no tribunal, por 7 meses e meio, inviabilizando qualquer nova medida da coligação representante. 67

O acórdão 795 foi publicado no Diário da Justiça de 01/08/2006 (na época, edição impressa), às fls. 234, conforme Certidão de Publicação.

______________________________

1 douradosnews + 178841; APR 15602 TJMS, voto; midiamax 120151.

2 APR 15602 TJMS; douradosnews ibidem.

3 Midiamax 79608 e 79543.

4 Midiamax 79607, 79650 e 79679.

5 APR 15602 TJMS.

6 Idem.

7 Idem.

8 Idem.

9 Idem.

10 Idem.

11 Diário da Justiça de MS, nº 1822, pág. 285.

12 Wikipedia, “Refinaria de Paulínia”

13 aquidauananews + 16278; douradosnews + 181959; midiamax 83257.

14 Midiamax 79294 e 79375.

15 Midiamax 82341 e 764033.

16 Midiamax 79863.

17 Midiamax 80792.

18 Midiamax 79791.

19 Midiamax 79259.

20 Midiamax 79274.

21 Midiamax 79277.

22 Midiamax 79278.

23 Midiamax 79282.

24 Midiamax 79328.

25 Midiamax 79377.

26 Midiamax 79383.

27 Midiamax 79386.

28 Midiamax 79422 e 79425.

29 Midiamax 79480 e 79486.

30 Midiamax 79514.

31 Midiamax 79626.

32 Midiamax 79726.

33 Midiamax 79901.

34 Midiamax 79917.

35 Midiamax 80217 e 80221.

36 Midiamax 80325.

37 Midiamax 80333.

38 Midiamax 80356.

39 Midiamax 80580.

40 Midiamax 80651.

41 Midiamax 80998.

42 Midiamax 81004.

43 Midiamax 81182.

44 Midiamax 81405.

45 Midiamax 81582.

46 Midiamax 81739.

47 Midiamax 82054.

48 Midiamax 82111.

49 Midiamax 82299 e 82446.

50 Midiamax 82326 e 82757.

51 Midiamax 82541 a 82543, 82545, 82550, 82623 e 82626,

52 Midiamax 79524 e 79829.

53 Midiamax 80079, 80080 e 80096.

54 Midiamax 80631, 80640 e 80648.

55 Midiamax 80668.

56 Midiamax 79537.

57 Midiamax 80675 e 81332.

58 Midiamax 80598 e 82448.

59 Midiamax 81763.

60 Midiamax 79222 e 79753.

61 Midiamax 79966.

62 Midiamax 80801, 80804, 80823, 80834, 80873 e 80881.

63 Midiamax 79260 e 79511.

64 Midiamax 82447, 82686, 82689 e 82692.

65 Midiamax 81989 e 82459.

66 Acórdão 4579, de 03/05/2004, publicado no Diário da Justiça (MS) nº 802, de 11/05/2004, págs. 85 e 86.

Macro LibreOffice Calc : Como Importar o Texto de uma Página WEB

janeiro 10, 2018

Estive, há alguns anos, trabalhando com uma macro para fazer esse trabalho. Agora, depois de muito penar, e muitas consultas na WEB, consegui melhorar um pouco a tal macro. Eis a versão atual:

Sub ImportaPaginaWeb

dim oDocument As Object
Dim sUrl As String, sFilter As String
Dim sOptions As String
Dim oSheets As Object, oSheet As Object
dim oCell as Object
dim paginaweb as Long

oDocument = ThisComponent
oSheets = oDocument.sheets
oSheet = oSheets(1)
paginaweb = 200000

sUrl = “http://www.capitalnews.com.br/conteudo.php?cid=” + paginaweb

REM  apague todos os caracteres que estão entre o sinal de igual e o sinal de mais, substituindo-os por “fecha aspas”; o acréscimo foi feito automaticamente pelo programa wordpress, para completar o link. Mas deixe o sinal de mais e a palavra “paginaweb” (sem aspas, claro).

sFilter = “Text – txt – csv (StarCalc)”
sOptions = “09,34,1,1,1/1/1/1/1/1/1/1”

REM  ver: https://wiki.openoffice.org/wiki/Documentation/DevGuide/Spreadsheets/Filter_Options ; 09 é o código ASCII decimal para separação por tabulação horizontal.

oSheet.link(sUrl, “”, sFilter, sOptions, com.sun.star.sheet.SheetLinkMode.VALUE)

oSheet = oSheets(1)

msgbox “término da sub-rotina”

End Sub

Neste caso, a página web é transcrita, em texto (com as tags html), na segunda folha da planilha (folha 1, já que a primeira é folha zero).

A partir dessa base, incluí outras sub-rotinas para procurar por palavras-chaves constantes em todas as páginas do saite consultado. Essas palavras-chaves, ou tags, permitem que a gente chegue à informação (ou parte dela) que nos interessa. Não transcrevo as sub-rotinas porque não oferecem muita dificuldade.

Se o leitor quiser testar, abra uma planilha nova do Calc (em branco), e acrescente (no sinal +) mais duas folhas. Em seguida vá a ferramentas > macros > organizar macros > libreoffice Basic, e crie uma macro, colando o texto acima. Depois é só executar a macro, e o texto da página web aparecerá nas linhas e colunas da segunda folha da planilha.

CGB Capítulo 12 – Dezembro de 2003

dezembro 28, 2017

cap12cor8

Caso MST

Lá pelo dia 10, ou antes, a prefeitura descobriu que integrantes do MST estavam montando um novo acampamento, desta vez na faixa de domínio do macro-anel rodoviário, entre a saida para Dourados e a saida para Sidrolândia. E Puccinelli resolveu intervir diretamente, acionando Carlos Marun, presidente da EMHA.1

Marun decidiu atacar às 4 horas da madrugada do dia 11, uma quinta-feira, com elementos da Guarda Municipal. Como se sabe, os acampamentos de senterras, mesmo quando estabelecidos, só têm ocupação plena nos fins de semana, quando os participantes descansam de suas atividades normais de ganha-pão. Assim, naquela madrugada havia no incipiente acampamento apenas algumas famílias, que não ofereceram resistência. A tropa de choque as desalojou, botando abaixo todos os barracos e levando camas, colchões, utensílios domésticos e alguns fogões velhos para o CETREMI – Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante. Tam-bém para esse local foram removidas 3 famílias oriundas de outros municípios (as demais famílias residiam em bairros próximos). 2

De início Marun tentou descaracterizar a ocupação, vociferando que os invasores não tinham relação nenhuma com o MST, tratando-se de desempregados com o “propósito único de promover baderna”. Mas depois a prefeitura admitiu, em “Nota de Esclarecimento” publicada nos jornais do dia 13, que a iniciativa era mesmo do MST, asseverando porém que a área era urbana e portanto “fora do programa de reforma agrária”.3

No mesmo dia 13 o vereador Alex do PT afirmou que entraria com representação junto ao Ministério Público Estadual, “noticiando os crimes de abuso de autoridade e coação”.4

No fim-de-semana os senterras voltaram, desta vez em maior número. As 15 barracas iniciais foram remontadas, e outras 15 foram erguidas. O MST afirmava que a área invadida não era da prefeitura, mas sim, do governo federal, já que aquele trecho do macro-anel passara a integrar a rodovia BR-262. Jair Rodrigues, líder do movimento, asseverou: “(…) estamos preparados e podemos até apanhar, mas desta vez também vamos bater”. Mas as discussões agora se faziam entre a prefeitura e a Ouvidoria Agrária, órgão criado em agosto de 2000, fruto de convênio entre o INCRA e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.5

Na manhã do dia 16 o ouvidor agrário Ulisses Duarte conseguiu fechar um acordo inicial entre os senterras e representantes da prefeitura. Pelo acordo, formou-se uma comissão, composta por representantes da OAB/MS, CNBB e CDDH Marçal de Souza Tupã I, encarregada de retirar no CETREMI os pertences dos senterras e levá-los de volta ao acampamento.6

Não prosperando a versão original de Marun, de que os ocupantes da área seriam “desempregados baderneiros”, a prefeitura resolveu seguir o figurino legal, pedindo reintegração de posse à Justiça. Esta expediu o mandado no dia 21. No dia 27, entretanto, os senterras diziam não haver ainda recebido qualquer intimação para desocupar a área. E o MST garantia que só abandonaria o local depois de lhe ser apontada outra área para a transferência do acampamento.7

No dia 29 o ouvidor agrário reunia-se com o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Rubens Bossay, para tratar de duas decisões judiciais conflitantes: uma da 2ª Vara da Fazenda Pública (mandado de reintegração de posse) e a outra da 8ª Vara Cível, proibindo a utilização de força abruta para a desocupação da área.8

No dia seguinte o acampamento recebeu a visita do deputado estadual Pedro Kemp e da presidente do CDDH Marçal de Souza – Tupã I. O presidente do TJMS decidira que se os senterras não deixassem o local até o dia 4 de janeiro, a força policial seria empregada para a reintegração de posse.9

Eventos

Dia 17, no Parque das Nações Indígenas, a dupla Chitãozinho e Xororó se apresentava sem cobrar cachê. O ingresso era pago com 1 kg de alimento não perecível. Os produtos arrecadados iriam para os programas sociais do governo do Estado.10

Jair Rodrigues apresentou-se no dia 12, na Praça do Rádio, perante 6 mil pessoas. No dia 20, no Parque Laucídio Coelho, atuaram Christian e Ralf.11

Pelo sexto ano consecutivo, a prefeitura estaria promovendo, no dia 31, o “Reveillon na Capital”.12

Caso Santa Casa

Aproximando-se a eleição da nova diretoria para o biênio 2004-2005, intensificaram-se as críticas e denúncias contra a administração da Santa Casa, então comandada pelo empresário Sinval Martins de Araujo.

O CRM – Conselho Regional de Medicina – ameaçava acionar o MPF por haver comprovado a desativação de 9 leitos do C.T.I. e pela “falta de transparência” na aplicação das verbas recebidas do SUS. Mas alertava que o SUS pagava apenas R$ 213,71 por dia/leito de U.T.I., quando o hospital reivindicava R$ 827,48.13

Por outro lado, os 37 fisioterapeutas do hospital denunciavam atraso de 45 dias no pagamentos de seus salários; os médicos do C.T.I. reclamavam atrasos e a precariedade de seus vínculos de trabalho; e os enfermeiros se queixavam de excesso de trabalho, por causa do número insuficiente de profissionais contratados.14

O prefeito André Puccinelli garantia que não tinha culpa pela crise do hospital, insinuando ser um caso de má gestão da mesa diretora.15 O jornalista Sérgio Cruz, entretanto, em sua coluna Hora Extra, no jornal Primeira Hora, aprovava a gestão de Sinval Martins, asseverando que ele conseguira “tirar do vermelho” a Santa Casa, “sacrificando muitos interesses corporativistas, responsáveis pelo caos que mandou e mamou todos os seus fundos de manutenção, no decorrer de quase meio século de compadrismo”.16

Na verdade, já no primeiro ano de sua gestão (2002), Sinval Martins enfrentara um surto de demanda pelos serviços médicos da Sociedade Beneficente de Campo Grande. Prova disso é que as compensações do SUS por procedimentos hospitalares da Santa Casa atingiram no ano a excepcional quantia de R$ 47.978.703,33, quando, no ano anterior, não passara de R$ 33.562.021,48. Descontada a inflação de 14,74% (INPC de dezembro/2002, acumulado de 12 meses), o crescimento real fora de 24,59%! Um tal crescimento nos aportes financeiros, enquanto um dos principais custos (pessoal fixo) se mantinha praticamente o mesmo, deveria, no curto e no médio prazos, propiciar uma sensível melhora nas contas da instituição. Mas não foi o que aconteceu. A despesa com a rubrica “Serviços Médicos e de Terceiros” simplesmente disparou. Parece razoável supor que o crescimento do custo desses serviços, pagos a profissionais sem vínculos empregatícios com o hospital, deveria acompanhar o crescimento das “Despesas com Materiais e Medicamentos”, já que esses serviços, precipuamente os prestados no CTI, exigem materiais e medicamentos mais caros e em maior quantidade. No entanto, enquanto “Despesas com Materiais e Medicamentos” crescia 32,38% em 2002 (ou 15,38% em valores deflacionados), “Serviços Médicos e de Terceiros” tinha um estratosférico crescimento de 87,47% (ou 63,39% em valores deflacionados).17

Essa disparada de custos de uma rubrica nunca foi discutida pelas autoridades e pela imprensa, que nem sequer a perceberam, pois se mostravam avessos ao exame de balanços patrimoniais. Preferiu-se sempre atribuir a culpa exclusivamente aos valores pagos pelo SUS por determinados procedimentos hospitalares, que estariam defasados desde 1998. Assim, apontavam-se, em abril de 2003, os prejuizos que tanto a Santa Casa (R$ 5 milhões anuais) quanto o HU (R$ 1 milhão mensal) estariam arcando ao executarem serviços de emergência para o SUS. Depois indicavam-se os “baixos valores” pagos pelo SUS para procedimentos de UTI, valores esses que nem por sonho se aproximavam daqueles reivindicados pela Santa Casa e outros hospitais.18

Uma contrapartida para os possíveis benefícios do aquecimento da demanda junto à Santa Casa era o desgaste mais acentuado dos aparelhos (sobrevindo talvez daí a desativação, no segundo semestre de 2003, de 9 leitos do CTI). O diretor clínico da SBCG dizia que a entidade não tinha “como manter aparelhos de sobra para [substituir] os eventuais que vão para manutenção”.19 Outra contrapartida era a sobrecarga de trabalho para certas categorias, como a dos enfermeiros, que estava frequentemente em pé de guerra com o hospital, exigindo melhores salários e a contratação de mais profissionais.

Na eleição realizada no dia 8 de dezembro, entre os 116 membros do clube de associados da Santa Casa, perdeu Sinval Martins, que tentava a reeleição, e ganhou Arthur D’Ávila (uma espécie de mito entre os virtuais “donos” do hospital), por margem apertada (53 a 49). D’Ávila já fora presidente da instituição por 6 mandatos completos e mais parte de um sétimo, no ano 2000.20

Saude

Para atender à crise da Santa Casa, e também aos outros hospitais beneficentes de Campo Grande, a prefeitura se comprometeu, por convênios de 4 de dezembro, a repassar a 7 instituições hospitalares o valor global de R$ 1.440.000,00, em doze parcelas de R$ 120.000,00. A Santa Casa receberia a metade daquele total, ou seja, R$ 720.000,00, em doze parcelas de R$ 60.000,00. O Hospital Nosso Lar receberia R$ 96.000,00; a Maternidade Cândido Mariano, R$ 108.000,00; O Hospital do Câncer Alfredo Abrão, R$ 96.000,00; o Hospital Universitário, R$ 180.000,00; e os Hospitais Regional e São Julião R$ 120.000,00 cada.21

Principais Ocorrências Policiais

No Santo Amaro, posto de combustíveis é assaltado e ladrões levam R$ 170,00.22

Homens roubam R$ 250,00 de posto de combustíveis no Moreninha II.23

Oito presos fogem pelo telhado do 4º DP. Dois são recapturados. Os oito acessaram o telhado pelo sistema de ventilação, encontrando a cerca elétrica desligada.24

No bairro Belo Horizonte, homem é encontrado morto com três tiros.25

Na saida de agência bancária, na Av. Bandeirantes, trio leva R$ 1.400,00 de aposentada.26

PM prende, na rodoviária, homem que portava 30 quilos de maconha.27

“Operação Pente Fino”, no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima, recolhe 8 celulares e 40 facas artesanais.28

Dois postos de combustíveis são assaltados, com perdas de R$ 300 e de R$ 500.29

Motoqueiros armados roubam R$ 450 de homem que aguardava o ônibus.30

Homem é assassinado a tiros no Parque dos Poderes e tem o carro “depenado”.31

Assaltantes levam R$ 30 mil de residência de empresário.32

Na saida para São Paulo, mulher é encontrada semi-nua e morta, aparentemente a pauladas. Diante de denúncias e evidências obtidas pela Delegacia Especializada de Homicídios, o autor, tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, confessou o crime, praticado, segundo ele, por ciumes da esposa.33

Na saida de agência bancária, funcionário de imobiliária é roubado em R$ 6 mil.34

Após troca de tiros, PM prende ladrão de cliente de banco.35

Na noite de 8 de dezembro, quatro veículos foram roubados em Campo Grande.36

No Estrela Parque, homem morre após receber 4 tiros.37

Dupla armada assalta colégio particular e faz arrastão entre os presentes.38

Criança de 2 anos morre afogada na piscina de sua casa.39

Dois caminhões, carregados com roupas, são roubados no macro-anel rodoviário por 6 homens armados.40

No Jóquei Clube, mulher é assaltada por motoqueiro, que leva a bolsa dela.41

Polícia prende grupo de estelionatários e recupera talões de cheques.42

Homem é encontrado morto no bairro Tijuca 1. No dia seguinte, outro morto na saida para Rochedo.43

Dupla acompanha funcionário na saida de agência bancária, e rouba malote contendo R$ 16.200,00.44

Idoso é atropelado por motoqueiro e morre na Santa Casa.45

Homem é assassinado a tiros na área central.46

PM registra homicídio na Vila Nhanhá.47

Sargento PM atira 4 vezes na ex-esposa e vizinha, e depois se suicida com um tiro na cabeça. A ex-esposa foi para a enfermaria da Santa Casa, para observação.48

Na Av. Júlio de Castilho, motoqueiro colide com poste e morre no local.49

No EPSM, um detento matou outro, que tinha Delagambra como primeiro nome. O autor deixou um bilhete em cima do corpo alegando que cometera o crime porque soubera que Delagambra havia sido condenado como estuprador.50

Dupla rouba R$ 47 mil, em dinheiro e cheques, de distribuidora de gás.51

Homem baleado no Taquaral Bosque morre no hospital; homem baleado no Jardim Noroeste morre no local.52

Ações Político-Administrativas

Puccinelli continuava com a rotina das inaugurações: pavimentação de 2.155 m2 no Jardim Nascente do Segredo, 22.800 m2 no Jardim Sayonara, 32.832 m2 no Jardim Tarumã; tudo com os respectivos sistemas de drenagem de águas pluviais. Entregava a urbanização da Lagoa Itatiaia, no bairro Tiradentes, e também 52 casas no Residencial Vitória, sendo parte com 28,8 m2 e prestação mensal (por 15 anos) de R$ 115,00, e parte com 45,56 m2 e prestação de R$ 165,00.53

Caso Guariroba

Em 19 de dezembro, ficando evidente que a Águas Guariroba não cumpriria a meta de investimentos estabelecida para o exercício, o prefeito André Puccinelli decretou a intervenção na empresa, pelo prazo de 90 dias. A concessionária dos serviços de água e esgoto apresentava situação financeira crítica (que resultou, posteriormente, em prejuizo operacional de R$ 2.890.000,00), por conta, segundo os interventores, dos altos salários pagos aos diretores espanhóis (R$ 40 mil e R$ 50 mil mensais, além da quitação de gastos pessoais com cartões de crédito) e do emprego excessivo de terceirizações. Quem examinou os balanços patrimoniais de 31/12/2003 e 31/12/2004, publicados apenas em 28 de abril de 2005, certamente também se surpreendeu com o extraordinário montante de “serviços técnicos” (no valor de R$ 10.164.000,00 em dezembro de 2003) prestados à Guariroba por sua controladora espanhola, a AGBAR. A concessionária, por sua vez, queixava-se do aumento intempestivo das tarifas de energia elétrica e dos altos juros de seus encargos financeiros.54

Ao final da intervenção, em março de 2004, a empresa assinou, perante a prefeitura, um Termo de Ajustamento de Conduta, comprometendo-se a executar, em 2004, não apenas os investimentos previstos para o exercício, mas também aqueles preteridos em 2003, além de responsabilizar-se pelos custos havidos com a intervenção, no montante de R$ 759.000,00 (para serviços de consultorias e auditoria contratados pelos interventores), e ainda multa contratual de R$ 574.000,00.55

Na verdade, quem acabou pagando essas faturas e essa multa foi o consumidor campograndense (residencial e empresarial), pois os itens foram incorporados pela Guariroba aos seus custos não operacionais, e como a prefeitura devia, contratualmente, “prover a saude financeira” da concessionária, passaram a integrar a próxima planilha para cálculo da tarifa de água e esgoto. Racional e honesto seria o contrato de concessão penalizar diretamente a empresa controladora da Águas Guariroba (a AGBAR) ou, caso não houvesse empresa controladora, diretamente a diretoria, em seus haveres particulares. Claro que nesse último caso os valores da multa deveriam ser bem menores, e as consultorias e auditoria mais baratas e mais transparentes na sua contratação e efetivação.

A empresa Águas Guariroba S.A. apresentou faturamentos brutos, com os serviços de distribuição de água e esgotamento sanitário, de R$ 74.852.000,00 em 2003 e R$ 90.769.000,00 em 2004.56

Sucessão Municipal

Reativando o projeto de candidatura própria, o PSDB convidava oficialmente Tereza Name para ser vice na chapa de Possari. Este fez um esforço supremo e criticou Puccinelli, que estaria “excluindo” 15 mil crianças das creches da prefeitura.57

A “ação social” do Hospital Evangélico atuava no Rita Vieira e no Taquaral Bosque. Antonio Cruz confirmava sua candidatura, frisando porém que continuava apoiando o governador.58

Na prévia do PT, Vander Loubet conseguia 81,5% dos votos dos filiados, derrotando Teruel e Pedro Kemp. André apresentava-lhe condolências, pois, dizia, a vitória do PMDB era certa.59

André Puccinelli dizia que o candidato do PMDB só seria escolhido em maio de 2004, mas a impaciência da militância o atropelava. Assim, numa inauguração, o vereador Poppi apontava Nelsinho Trad não apenas como candidato mas também já vitorioso. Nelsinho disfarçava e adulava André acintosamente, declarando, patético, que o prefeito “endeusara” a cidade. André avisava que haveria, antes de uma decisão, 4 “pesquisas qualitativas e quantitativas”. Nelsinho continuava disfarçando mal e continuava jogando confete no prefeito, dizendo, agora mais moderado, que André “preparara Campo Grande para crescer”. 60

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1 Midiamax 76983 e 77068.

2 Midiamax 77201; Primeira Hora 1304, de 13/12/2003, pág. 3..

3 Midiamax 77201/ Primeira Hora 1304, de 13/12/2003, pág. 3.

4 Midiamax 77254.

6 Midiamax 77638.

7 Dourados News 177010 e 178134; Midiamax 78760.

8 Dourados News 178241.

9 Dourados News 178417.

10 Midiamax 77676.

11 Midiamax 77272 e 78307.

12 Midiamax 79025.

13 Midiamax 75753.

14 Midiamax 75720, 75890 e 76471.

15 Midiamax 76033.

16 Primeira Hora 1295, de 02/12/2003, pág. 12.

17 Sociedade Beneficente de Campo Grande, Balanço Patrimonial de 31/12/2002, Diosul 5980, 16/04/2003, pág. 68 a 71.

18 Midiamax 46180.

19 Midiamax 75089.

21 Diogrande 1466, de 15/12/2003, págs. 1 a 3.

22 Midiamax 75539.

23 Midiamax 75857.

24 Midiamax 76012 e 76031.

25 Midiamax 76017.

26 Midiamax 76026.

27 Midiamax 76152.

28 Midiamax 76283.

29 Midiamax 76306.

30 Midiamax 76427.

31 Midiamax 76508.

32 Midiamax 76509.

33 Midiamax 76510; aquidauananews 25523.

34 Midiamax 76575.

35 Midiamax 76577.

36 Midiamax 76665.

37 Midiamax 76782.

38 Midiamax 77012.

39 Midiamax 77082.

40 Midiamax 77098.

41 Midiamax 77447.

42 Midiamax 77451.

43 Midiamax 77459 e 77566.

44 Midiamax 77786.

45 Midiamax 77837.

46 Midiamax 78313.

47 Midiamax 78396.

48 Midiamax 78540; aquidauananews 26294.

49 Midiamax 78842.

50 Midiamax 78858, aquidauananews 26725.

51 Midiamax 79055.

52 Midiamax 79067 e 79069.

53 Midiamax 76771, 77204, 77392, 77754 e 78234.

54 Midiamax 78014, 78021, 78024, 78038, 78371, 78897, 78927. 78931, 78944 e 78951.

55 Diogrande 1800, de 28/04/2005, págs. 19 e 20.

56 Idem, pág. 17.

57 Midiamax 76102, 78627 e 78641 .

58 Midiamax 76357, 77273 e 77416.

59 Midiamax 77365 e 77423.

60 Midiamax 76960, 77230, 77231, 77343, 79081 e 79106.