“Enchentes e Obras de Ficção”

Transcrição de artigo de Marcos Alex Azevedo de Melo, o Alex do PT, publicado no saite MidiaMax, de Campo Grande – MS, em 30/01/2012.

Todo ano a situação se repete, marcada por um rito natural. Basta chover acima do previsto e do céu surgir uma tormenta ultrapassando a média pluviométrica prevista, a nossa cidade se vê mergulhada no caos. É aí que  surge  a “operação abafa”, geralmente iniciada com uma entrevista às tevês e takes de um prefeito ocupado e preocupado percorrendo pontos críticos, em cujo cenário ao fundo, sempre se vendo uma massiva presença de garis e patrolas.

E assim vão brotando as explicações e a declaração oficial, timbrada pelo hábito de oferecer mais do mesmo, detalhando manjadas desculpas: “já estamos providenciando tudo”, “a situação ocorreu porque choveu”, “a chuva foi muito forte”, “a obra tal ainda não está pronta”. O repórter questiona, ávido por uma resposta: “E quando será resolvido o problema?”  “Já estamos trabalhando; contra Deus e a natureza não se pode fazer nada”. O  que Deus tem a ver com essa situação? Em dezembro de 2011, um menino morre soterrado pelo lixão; agora, um motoqueiro perde sua vida, tragado pelo bueiro de uma rua de nossa cidade. Cadê a responsabilidade civil, humana e administrativa para essas mortes?

De uma coisa o prefeito não poderá jamais reclamar: é da boa vontade dos seus concidadãos, de  uma maneira geral, e em especial dos órgãos fiscalizadores e que monitoram – do ponto-de-vista social e institucional – as ações da administração publica, da imprensa, da Câmara, do Ministério Publico. Uma blindagem absurdamente bem acima dos limites. Passou-se uma gestão de oito anos e não se resolveu o problema da Avenida Afonso Pena. Quanto de dinheiro foi aplicado nessa obra?

Neste mais recente temporal as águas desciam sobre e sob a camada do asfalto recapeado, denunciando a absoluta falta de drenagem numa via que esperou décadas por uma cirurgia reparadora que custou 8 milhões de reais, inaugurada como se fosse a principal obra de um governo, muita propaganda, placas, fotos e imagens festivas. Porém, mal acaba o foguetório e o pavimento já começa a esfarelar.  Pura obra de ficção.

Os saquinhos das galerias na Ricardo Brandão [1], vergonhosamente colocados, após o seu desmoronamento, fizeram a opção de recomeçar tudo de novo. Quanto tempo demorou essa obra? Quanto de recurso publico ali foi investido? Obra de ficção.

Na Ernesto Geisel (a Norte-Sul) tentou-se arrumar a erosão asfáltica improvisando antigos trilhos de ferro usados para escorar placas de concreto. A ação, amadora, sugere uma analogia com a construção da primeira casa dos três porquinhos da fábula infantil. Anote-se: R$ 42 milhões! Esta é a pedida oficial da prefeitura  para que possa arrumar a via. Sinceramente!…

A barragem (!!??) construída no Sóter [2], denota e evidencia a ausência total de  preparo técnico e até mesmo do bom senso na sua execução, supervisão e liberação, um verdadeiro escárnio. Nos bairros, em asfaltos feitos e entregues há menos de seis meses, a única coisa que resta e que não esfarelou é o totem alaranjado anunciando, com requintes de crueldade, a entrega de mais uma obra de ficção e a chegada do carnê de contribuição de melhorias, a famigerada taxa de asfalto.

O fato e um dado concreto: todas as obras públicas em Campo Grande duram uma eternidade pra se concretizar (quanto tempo demorou pra ser entregue  vias como a Ceará, e a própria via Park,  a Mato Grosso com a Via Park? e geralmente, todas,  pequenas, médias e grandes obras sempre reclamam e  precisam de recall, é dinheiro publico sendo gasto duplamente, triplamente.  E o engraçado é que ainda posam de competentes e se fazem se passar por  sérios, infelizmente muitos incautos ainda acreditam nessa competência fictícia.

Diante dessa situação a melhor coisa que a atual administração poderia fazer nesse momento em relação às enchentes é o não fazer. Se não deu conta e não teve competência técnica e gerencial para, nesses oitos anos, resolver tais problemas, não será agora em 6 meses – pois o calendário eleitoral é super-apertado – que conseguirá a solução miraculosa. É melhor, e certamente mais barato, deixar essa tarefa para o prefeito ou  prefeita que vier. Chega de obras de ficção. Dinheiro público merece respeito.

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Notas do blog:

[1] Veja postagem Timblindim intitulada A Grama Eleitoreira.

[2] Veja postagem Timblindim intitulada Piscinão Trapalhão.

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