Archive for the ‘Esportes’ Category

Pequetita Pero Cumplidora

outubro 31, 2011

Vamos fazer aqui uma análise diferente do Quadro de Medalhas dos XVI Jogos Panamericanos de Guadalajara, no México. A análise comum, de pouca validade estatística, apresenta os números como se tivessem baixado do espaço sideral, sem qualquer relação com outros elementos dos países de origem. Nessa visão distorcida, meramente propagandístico-ideológica, os Estados Unidos sobressaem, com suas 92 medalhas de ouro, seguidos por Cuba, com 58, e pelo Brasil, México, Canadá, Colômbia e Argentina, respectivamente com 48, 42, 30, 24 e 21. Pontuaram também, em ouro, outros 8 países.

Como “every schoolboy knows”, ou pelo menos deveria saber, não se pode comparar elementos muito diferentes entre si. Assim, não se pode dizer que os Estados Unidos, com 92 ouros, tiveram desempenho melhor do que Porto Rico (seu “estado associado”), com apenas 6, uma vez que os 92 ouros vieram de uma população de 308 milhões de pessoas, enquanto os 6 vieram de uma população de apenas 4 milhões. Comparando, com mais propriedade e justiça, as medalhas douradas obtidas por grupos de 1 milhão de habitantes do país, percebe-se que Porto Rico atinge o índice 1,5  enquanto o heterogêneo gigante fica com apenas 0,3! É a pequena ilha, portanto, que deita e rola em termos de produtividade!

Dividindo-se a população do país pelo número de medalhas de ouro obtidas, temos o seguinte quadro comparativo, indicador seguro da eficiência esportiva das nações americanas:

PAÍS POPULAÇÃO EM MILHÕES HABITANTES POR KM2 IDH MEDALHAS HABITANTES POR MEDALHA






CUBA 11,2 102 0,863 58 193.103
BAHAMAS 0,3 255 0,784 1 300.000
PORTO RICO 4,0 438 0,942 6 666.667
CANADÁ 34,0 3,2 0,888 30 1.133.333
DOMINICANA 9,5 183 0,663 7 1.357.143
ARGENTINA 40,0 14 0,775 21 1.904.762
COLÔMBIA
45,9 39 0,689 24 1.912.500
EQUADOR 13,8 54 0,695 7 1.971.429
GUATEMALA
14,7 135 0,560 7 2.100.000
VENEZUELA 28,9 30 0,696 12 2.408.333
MÉXICO 112,3 55 0,750 42 2.673.810
JAMAICA 2,7 252 0,688 1 2.700.000
ESTADOS UNIDOS 308,7 33 0,902 92 3.355.435
BRASIL 192,4 22 0,699 48 4.008.333
CHILE 17,2 22 0,783 2 8.600.000

Poderíamos tirar, do quadro acima, as Bahamas, pela população diminuta e por só haver obtido 1 medalha, o que pode indicar situação excepcional, de acaso, não necessariamente reprisável em outras competições.

Constata-se então que a pequena Cuba sobressai, como se fosse hors concours, correspondendo cada medalha sua a um grupo de 193.103 habitantes da ilha.

A seguir vem o que seria o grupo de vanguarda, com grupos populacionais, por medalha, de 500 mil a 1,5 milhões de habitantes: Porto Rico (0,67), Canadá (1,1) e República Dominicana (1,4).

Depois, um grupo intermediário, entre 1,5 e 3 milhões de habitantes por medalha dourada: Argentina (1,9), Colômbia (1,9), Equador (2), Guatemala (2,1), Venezuela (2,4), México (2,7) e Jamaica (2,7).

E finalmente, os lanterninhas: Estados Unidos (3,4), Brasil (4), Chile (8,6) e os não pontuados (Paraguai, Bolívia, Peru e outros).

Uma Ilha Excepcional

Sabe-se, por elementos fornecidos por insuspeitos organismos internacionais, capitalistas, que o pequeno país do Caribe apresenta, no que se refere aos aspectos fundamentais do bem viver, índices extraordinários. Vejam que em IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, só perde, nas Américas, para Estados Unidos e seu Estado Associado (Porto Rico) e Canadá, e ainda assim por pequena diferença. É que o país vai muito bem em Educação, Saúde, Segurança Pública e… Esportes. Embora haja por aí muito fundamentalista que acha que lá é o Inferno…

Antigamente, Hong Kong, sob administração inglesa (imposta por 100 anos), não podia ser escondida dos habitantes comunistas do restante da China. É que a pujança do enclave (com privilégios para ser “vitrina” do Ocidente)  falava por si. Anos depois, ao vencer o “contrato” de 100 anos, Hong Kong voltou à China, mas mantendo um status especial. Foi o Comunismo curvando-se ao Capitalismo de então, que ainda não iniciara sua atual corrida amoque. A China comunista respeitou a Hong Kong capitalista, e com ela só teve a aprender e a ganhar. Prova-o a atual pujança do país de Mao Tse Tung.

Se o “inflexível” Comunismo foi capaz de se adaptar a um enclave capitalista, por que o “flexível”, “extremamente adaptável” capitalismo não poderia se adaptar ao enclave “comunista” dos irmãos Castro? Medo de que os países capitalistas sejam “contaminados” pelos cubanos? Mas contaminados em quê? Em auto-determinação, isto é, em melhorar de vida sem autorização prévia do país “líder” (para não dizer outra palavra) deste lado do mundo?

Há aqui uma contradição incontornável: enquanto dizem que Cuba seria “o Inferno em Terra”, não querem que ninguém a veja, ou veja como vivem os seus morenos habitantes. Se fosse realmente um inferno, o lógico seria mostrá-lo a todos, para que todos o esconjurassem, não é mesmo?

Parece que o medo do Capitalismo é exatamente o de que outros países sigam os bons exemplos de Cuba (evitando cuidadosamente os maus). Mas disfarça (com a ajuda do conglomerado cultural-midiático liderado por Hollywood) e propaga temer que esses países “percam a liberdade”, submetendo-se a uma “ditadura” ao estilo cubano. Estados Unidos e seus satélites seriam o Mundo Livre, bem diferente dos países ainda não “convencidos” (com dólares ou com bombas) das vantagens da Liberdade. Liberdade para o Capital, claro…

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Fontes dos dados da tabela: IDH e populacionais: Wikipédia; medalhas de ouro: Correio do Estado.

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Trilha Maravilha

setembro 22, 2011

Domingo, 18 de setembro de 2011. Às 9 horas iniciamos, num grupo de 10 pessoas, mais o guia Luís, caminhada por uma trilha de 4 quilômetros, na Fazenda Boca da Onça, município de Bodoquena (MS). Foi a melhor, a mais bela e a mais desafiadora trilha que já enfrentamos. Passamos, quase sempre em descida suave, por 9 cachoeiras, em três delas com paradas para banho. Para rematar tivemos de subir o paredão por onde despenca a Cachoeira Boca da Onça, numa ziguezagueante escada de madeira com quase 900 degraus. Foram 156 metros de subida, um tanto penosa para pessoas acima dos 45 anos e com algum sobrepeso. Mas valeu a pena!

Sete membros do grupo demoraram 4 horas e meia na caminhada. Os outros três, 5 horas. A diferença revelou-se na subida da escadaria, terminada em meia hora por aqueles e em 1 hora pelos retardatários.

Paisagem vista da sede da Fazenda Boca da Onça.

Ainda na sede, esta vespa (3 cm de comprimento) ferroou um dos participantes do grupo. Mas parece que o inseto não soltou o ferrão com o devido cuidado...

Início da trilha.

O guia chama a atenção para o imponente exemplar de Barriguda (espécie do gênero Chorisia).

O mesmo exemplar de Barriguda.

A primeira das cachoeiras da trilha.

Canafístula (Peltophorum dubium) com 50 cm de diâmetro.

Outra pequena mas bela cachoeira.

Este é o Buraco do Macaco, e a lâmina d'água tem a profundidade de 4 metros.

Um pouco abaixo do Buraco do Macaco, esta gruta lhe dá acesso mais fácil.

Mais uma cachoeira.

Teiú, com cerca de 60 cm de comprimento.

Um trecho desconfortável da trilha.

A bela Cachoeira do Fantasma.

Uma piscina natural.

De novo caminhando.

Outro trecho da trilha.

Aparece a Cachoeira Boca da Onça. À sua direita na foto, a plataforma para descida de rapel.

Finalmente, a atração principal da trilha.

Os banhistas estão a cerca de 15 metros do paredão.

Após os primeiros 300 degraus, os dois participantes acima, mais o blogueiro, ficaram como retardatários. Nessa longa e cansativa subida o guia fecha a fila.

Vista da cachoeira, no patamar próximo ao degrau de número 400.

Mais de 700 degraus subidos. Cada lance de escada é um novo desafio.

Terminada a subida, o blogueiro observa a paisagem da plataforma do rapel.

O vale do Rio Salobra, que recebe as águas do Córrego Boca da Onça.

Lá embaixo, a piscina onde caem as águas da cachoeira.

Neste ponto as águas do Córrego Boca da Onça se lançam paredão abaixo.

Para assistir ao vídeo abaixo, melhor escolher resolução 720p e “tela inteira”.

Notas

1. Normalmente os turistas acessam a Fazenda Boca da Onça saindo de Bonito, que fica a 55 quilômetros dali, 45 dos quais quase inteiramente asfaltados (há ainda um desvio de 8 km). Mas o blogueiro e companhia (Rosangela e 2 sobrinhos), partindo de Campo Grande no sábado à tarde, pernoitaram em Bodoquena (Pousada Recanto da Serra) e na manhã seguinte seguiram descansados para a trilha, a 35 km (25 asfaltados). É possível, também, sair cedinho de CG e, após 4 horas de viagem, chegar à fazenda a tempo de participar da trilha, que começa às 9 horas.

2. O que se vislumbra nas rochas por onde caem as águas da alta cachoeira não é propriamente uma Boca de Onça, mas sim, uma Cabeça de Onça, onde se destacam olhos, nariz e bocarra. Mas é preciso que o visitante se posicione corretamente e o vento sopre de uma certa maneira para que os dois olhos da fera sejam vistos ao mesmo tempo…

No Rio Botas (MS)

setembro 2, 2011

Domingo, 28/08/2011. Margem direita (município de Ribas do Rio Pardo – MS) do pequeno Rio Botas, que 20 quilômetros adiante desagua no Rio Pardo (que por sua vez é tributário do Rio Paraná). Estamos a 500 metros da Estação Bálsamo e 300 da ponte de madeira que transpõe o curso d’água até o município limítrofe de Jaraguari. Tarde semi-nublada.

O Rio

Neste ponto o rio tem de 20 a 25 metros de largura e pouca profundidade. Logo abaixo, uma pequena queda d'água.

Queda de cerca de 1 metro. Neste trecho o rio se presta à prática de um rafting leve.

A mesma queda d'água, vista mais à distância.

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Composição rochosa da margem direita

Com o desmatamento, a cobertura vegetal, e mesmo o solo, desapareceram nesse trecho da margem direita. Mas restou a rocha nua, com cores, fissuras e desagregações formando mosaicos e desenhos belíssimos. Infelizmente não sei informar de que tipo é essa rocha…

A Ponte

Apenas veículos leves estão utilizando esta ponte, na MS-244.

Inusual para uma ponte pequena, esta é ligeiramente curva.

Empreiteira inicia preparativos para as fundações de nova ponte, de concreto armado, comprimento de 30 metros.

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Outras Visões do Rio Botas:

1. Enchente no Rio Botas (próximo à cidade de Ribas do Rio Pardo), em março de 2011; vídeo no YouTube.

2. Sucuri de 6 metros no Rio Botas, em 27/03/2011; vídeo no YouTube.

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Mini-aventura no Inferninho

agosto 11, 2011

Manhã de domingo, 07/08/2011. Como deixei insinuado numa postagem anterior, voltamos ao canyon do Inferninho, na zona suburbana de Campo Grande. Desta vez, além da parceria habitual da Rosangela, na companhia de dois adolescentes (Léo e Fabrício). Esperávamos topar com praticantes de rapel, mas nesse dia eles não apareceram. O que não foi bom, pois o lugar oferece algum perigo, pela eventual presença de marginais das vilas mais próximas, a seis quilômetros dali.

Resolvemos descer por um ponto, a cem metros da cachoeira, que recebe enxurradas e tem as rochas em degrau desnudas da sua cobertura original de terra. Deve ser o ponto em que o córrego atinge a sua maior profundidade em relação à borda do canyon. Talvez os 36 metros que quase todos atribuem à cachoeira (que na verdade tem apenas 15 metros de queda, pelo olhômetro do blogueiro). Os degraus, formando uma descida com ângulo de aproximadamente 45 graus, vão se sucedendo, irregulares quanto aos patamares (mais largos, mais estreitos ou em ponta) e altura. O desenho abaixo, de um futuro desenhista, procura dar uma ideia:

O caminho que percorremos, hipotenusa de um triângulo retângulo imaginário, com altura 36 e largura também 36, deu 50 metros. Aos trinta metros de percurso deparamos com um degrau rochoso muito alto (2 metros e meio), dividido em subdegraus de patamares muito estreitos (15 e 20 centímetros) e com ligeira inclinação para a frente. Os adolescentes, na inconsciência do perigo, e nas ondas de sua agilidade e equilíbrio, desceram rapidamente, mas os adultos empacaram. O blogueiro analisou a situação três vezes, e os três vereditos foram: “não vá!” E o blogueiro não foi. Procurou pelos lados e viu que era mais seguro descer pela parte com terra e cobertura vegetal (troncos de pequenas árvores e suas raízes expostas). Rosangela ficou no patamar superior, esperando Godot.

Depois desse ponto perigoso o caminho se mostrou relativamente suave, com muitas pedras roladas entre as raízes expostas das árvores. Chegamos ao córrego e constatamos que não seria possível seguir adiante com os tênis, pois deveríamos alternar passagens pelas pedras pontiagudas e pelo leito do riacho. A profundidade deste era mínima, mas havia muitas bacias onde a água chegava aos joelhos. A uns 20 metros da cachoeira começa uma sucessão de pequenas quedas, com a água vindo serpenteando entre grandes pedras. Num ponto entre duas rochas o Fabrício encontrou uma caveira humana. Eu fotografei de longe, mas a foto não saiu nítida.

O ponto da caveira.

Chegamos à cachoeira, que desce por um belíssimo paredão, onde algumas formações rochosas sugerem rostos de almas penadas. O vídeo abaixo mostra as belezas do lugar.

Pedras modeladas pelas águas das grandes chuvas. À direita, a pequena piscina que recebe as águas da cachoeira.

Na hora de voltar o Fabrício se adiantou, e então Léo e eu resolvemos subir pelo caminho geralmente utilizado pelo pessoal do rapel. A altura a percorrer é muito menor do que aquela da nossa descida, e o percurso começa pelas exuberanes raízes de uma árvore:

Um ponto de subida. Os primeiros 5 metros são facilitados pelas raízes.

Enquanto havia raízes, a subida foi fácil. Mas chegamos a um ponto em que havia vários patamares de pedra, todos com finas camadas de areia, e um desses patamares estava a cerca de 1 metro e quarenta de altura. O obstáculo exigia um firme pulo com o apoio das mãos, de forma que um joelho (com a perna dobrada) pudesse alcançar a borda do patamar. Isto não seria problema se estivéssemos ao nível do chão, mas estávamos num patamar estreito (uns 50 cm), e estreito também era o patamar que teríamos de atingir. O lugar seguro estava a 10 metros ladeira abaixo. Pintou o medo, pois faltava coragem para ensaiar o pulo, e faltava coragem para descer de volta. Acabei me lembrando que Deus protege os loucos e as crianças, e decidi impulsionar o corpo para cima e para a frente. Léo, que hesitara bem pouco, já estava lá em cima e quase fora do alcance da vista. Alcançado o patamar alto, suspirei aliviado e agradecido, rezando para que dali para cima o caminho fosse melhor. E era: logo reapareceram raízes expostas, e logo eu estava em terra firme.

Rapel em Cachoeirinha

agosto 1, 2011

Campo Grande – MS, manhã de domingo, 31/07/2011. Um belíssimo lugar, com um nome estranho (“Inferninho”). Deve ser porque em certa época lá frequentemente eram “desovados” cadáveres de pessoas assassinadas. Atualmente é utilizado quase que só por praticantes de rapel, já que o acesso ao interior do canion (descida de mais de 30 metros) é um tanto difícil. Nesse dia o blogueiro apenas se aproximou dos penhascos, sem descer.