Ideb 2011 : Hegemonia Mineira

Até a edição bianual de 2009, o Estado de São Paulo pontificava entre os melhores índices do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Na edição de 2011, publicada há alguns dias, a situação mudou. Minas Gerais passou à frente, de modo incontrastável, embora seguida de perto por Santa Catarina e pelo próprio São Paulo. Apresentamos abaixo as tabelas dos índices das quatro edições do IDEB (2005, 2007, 2009, 2011), com municípios e escolas classificados por ordem inversa (índices mais altos primeiro) dos resultados de 2011.

Ideb 2011 dos municípios brasileiros_series iniciais Ensino Fundamental

Ideb 2011 dos municípios brasileiros_series FINAIS Ensino Fundamental

Ideb 2011 Escolas Publicas Brasileiras anos iniciais EF (arquivo 4,5 MB)

Ideb 2011 Escolas Publicas Brasileiras anos finais EF (arquivo 3,25 MB)

Minas, Santa Catarina e São Paulo

Quanto aos anos iniciais do Ensino Fundamental, Minas teve o município campeão – a pequena Claraval – e emplacou Carvalhópolis em 5º lugar. Considerados os mil melhores resultados (mais precisamente 1025, por haver muitos municípios empatados no mesmo índice), as Alterosas levam nada menos do que 43% das posições! São Paulo ficou com 23,4% e Santa Catarina com 11,8%.

Quanto aos anos finais, Minas teve também o município campeão – a também minúscula Carvalhópolis – e ainda o terceiro lugar (Arapuá) e dois quintos lugares (Coronel Xavier Chaves e Juruaia). Ficou com 31,8% das mil (na verdade 1197, pelo mesmo motivo exposto acima) primeiras posições.

Nos dois casos citados, os números mineiros apresentam notável congruência, sem altos e baixos, ao contrário dos números de Santa Catarina, que nos iniciais gangorraram 9,4% (2007), 5% (2009) e agora 11,8% (nos finais, respectivamente 13,1%, 10% e 13,7%). Nos iniciais Minas obteve, em sequência, 21%, 37,8% e 43%; nas finais, 18,8%, 24,6% e 31,8%. São Paulo alcançou, nos iniciais, 33,6% (2007), 32% (2009) e 23,4% (2011), e nos finais respectivamente 30,6%, 33,5% e 27,8%.

Os Pequenos Municípios

Constata-se que os índices campeões vêm principalmente dos pequenos municípios. Exceções notáveis, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, são as cidades médias de Sobral (CE), população de 190.000 e índice 7,3; Foz do Iguaçu (PR), população 256.000 e índice 7,0; e Patos de Minas, população 140.000 e índice 6,8.

Isto parece indicar que os perigos e excitações das cidades médias e grandes (drogas, gangs, shoppings)  prejudicam muito o desempenho escolar dos jovens.

Pontos em que os relatórios IDEB precisam melhorar

O INEP – Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira –  está de parabéns por disponibilizar à imprensa e aos estudiosos os relatórios completos do IDEB (os quadros acima, feitos pelo blog, são apenas resumos). Mas percebe-se que esses relatórios podem, e devem, melhorar em dois pontos:

Barafunda nos nomes das escolas

ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCACAO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL JOSE DE ANCHIETA

EMEIEF MUNDO DA CRIANÇA

Nesses exemplos temos, primeiramente, a notação integral do nome da escola. Como o que a diferencia das outras do mesmo Estado não é o string ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCACAO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL, mas sim, “José de Anchieta”, a anotação deveria ser, no molde do segundo exemplo, EMEIEF JOSE DE ANCHIETA. Ao invés de 75 caracteres, apenas 23.

CEFTI – CENTRO DE ENSINO FUNDAMENTAL TEMPO INTEGRAL – PADRE JOAQUIM NONATO GOMES

Pior ainda é quando a escola coloca sigla e explicação da sigla, como se fosse informação em jornal, e não num formulário. No caso acima os 79 caracteres deveriam se reduzir a 32. Outro mau exemplo:

CECONJ – CENTRO DE EDUCACAO E CONVIVENCIA JUVENIL CASTELO BRANCO FIRMINOPOLIS – GOIAS

Aqui a escola informou até a cidade onde se localiza, embora isto já conste em outra coluna! Daqui a pouco alguém vai colocar no título da escola a biografia completa, em 5 volumes, do cidadão ou cidadã que foi homenageado pelos políticos locais!…

CIEP BRIZOLÃO 150 PROFESSORA AMELIA FERREIRA DOS SANTOS GABINA

E M AQUILAS RODRIGUES COUTINHO – DECRETO MUNICIPAL Nº 1109 DE 09112010

CIEP BRIZOLAO 142 MAESTRO VILLA LOBOS – MUNICIPALIZADO

Outros exemplos de falta de bom senso. CIEP já descreve adequadamente o tipo de escola, não sendo necessário indicar o apelido e a municipalização. E muito menos o decreto municipal que criou o estabelecimento.

A anotação campeã em falta de bom senso é esta, com nada menos do que 100 (cem!) caracteres:

ESCOLA MUNICIPAL CENTRO DE EDUCACAO INTEGRAL HEITOR DE ALENCAR FURTADO – ED INF E ENSINO FUNDAMENTAL

Aí aparentemente a escola tem dois nomes.

Nossa opinião é que as escolas devem ser orientadas para indicarem nesse campo apenas a sigla que identifica o tipo de escola (por exemplo, EMEIEF) e o nome efetivo do estabelecimento (exemplo, “Mundo da Criança”). Cargos dos cidadãos homenageados com o nome da escola, bem como nomes extensos, deveriam sofrer abreviação (por exemplo, DES em vez de DESEMBARGADOR). Teríamos então:

EMEIEF JOSÉ DE ANCHIETA

CEFTI PE. JOAQUIM NONATO GOMES

CIEP PROF AMÉLIA F. DOS SANTOS GABINA

CIEP MAESTRO VILLA LOBOS

EMEIEF (ou CEI, não se sabe) HEITOR DE A. FURTADO

Falta de acentuação nas palavras

Nas planilhas xls (Excel) do INEP, os nomes das cidades e das escolas aparecem sem acentuação. Isto era comum na década de 90, quando havia terríveis problemas de espaços de memória nos servidores e nos computadores pessoais. Hoje em dia, tal anacronismo não se justifica.

O blog acentuou os nomes,  nos arquivos (derivados dos do INEP) que listam o desempenho dos municípios, e até acrescentou, para cada cidade, a sua população estimada (de 2011, segundo o IBGE).  Com relação aos arquivos relacionados às escolas, como os nomes destas estão em completa barafunda, nem tentamos, pois só manualmente (e com a ajuda de Papai Noel ou dos elfos) seria possível fazer as correções.

Gostaríamos de disponibilizar para todos os interessados planilha de exemplo, carregada com a Macro que desenvolvemos para melhorar (com acentuação e suplementação) os dados dos municípios, mas o servidor WordPress não suporta, ainda, arquivos de terminação “ods”.  A solução encontrada foi salvar uma planilha ods em formato pdf. Os interessados podem transcrever os dados para uma planilha libreoffice (ou openoffice, ou broffice), carregar o texto da “Sub AcentuaEpopulaciona” no campo próprio para macros, e depois executar a Macro e ver como funciona. Abaixo, o arquivo em pdf:

AcentuarPalavras

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