Um Caracol Jovem

Domingo chuvoso (12/02/2012), em chácara na periferia de Campo Grande – MS.  Um jovem caracol, com menos da metade do tamanho de um adulto (que chega aos 15 cm de comprimento ou mais) , fugindo do excesso de umidade procurava um local mais alto e abrigado. Como não encontrou o abrigo, resolveu voltar para o chão e tentar novo roteiro.

O molusco é um gastrópode da espécie Megalobulimus intertextus. Foi identificado, através de fotos e vídeos,  pelo geógrafo (e pesquisador em áreas da Biologia como a da Sistemática Zoológica) Aisur Ignacio Agudo Padrón, que atua nos Estados do Sul.

Abaixo, o vídeo do molusco, espécie que se encontra em perigo de extinção.

Em outubro de 2011 havíamos fotografado um par desses gastrópodes, adultos, quando iniciavam um ritual de acasalamento:

Pode-se imaginar que o jovem caracol foi um dos frutos desse encontro gosmento…

Outras imagens e informações sobre moluscos terrestres:

Notícias Malacológicas

Gastropoda Terrestre

Catálogo dos Caracóis Terrestres Nativos do Gênero Megalobulimus…

E abaixo, outro vídeo, do canal hispânico elfoexplorador, de uma outra espécie (oblongus) do gênero Megalobulimus:

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6 Respostas to “Um Caracol Jovem”

  1. sirino cwb (@sirinocwb) Says:

    Parabéns ao produtor deste blog, li sobre o caiaque – visto que estou interessado aqui no SAM’S Club de Curitiba, não sei a marca e nem o modelo, só sei que é inflável e custa em torno de R$400,00. Me impressionou a concisão e clareza do texto do caiaque, muito bom! Mais uma vez… Parabéns e obrigado!

  2. Celso Lago-Paiva Says:

    Caro Valdir:

    Nossos moluscos terrestres nativos estão muito ameaçados.
    Devido a seu endemismo e grande número de espécies, algumas espécies podem mesmo ter já sido extintos.

    Os Megalobulimus (“aruás” dos indígenas) são típicos das matas e cerrados, alimentando-se de plantas rasteiras ou até uns dois metros de altura. Apresentam marcada predileção por acantáceas.

    Recentemente provou-se que, em caso de encontro de populações de Megalobulimus oblongus com o “caramujo-gigante-africano” (Achatina fulica, exótico), os caracóis nativos morriam em poucos dias.

    “Aruás” que aparecem nos quintais e jardins podem ser alimentados com plantas de sua preferência, reproduzindo-se e se adaptando com facilidade.
    São recurso educativo importante, especialmente para crianças, que os manipulam encantadas.

    O desmatamento generalizado e a rápida destruição dos cerrados está dizimando as populações desses caracóis gigantes e inofensivos.

    Celso

    Celso do Lago Paiva
    Instituto Pró-Endêmicas
    http://br.groups.yahoo.com/group/proendemicas/

    __________

    O blog Diz:

    Obrigado, Professor Celso, pelas valiosas informações e dicas.

  3. Celso Lago-Paiva Says:

    Prezado Valdir:

    Você notou algo muito relevante quanto à ecologia de muitas espécies de Megalobulimus, que é sua aversão a ambientes excessivamente úmidos.

    Apesar de somente se movimentarem em dias de chuva ou nos dias seguintes, eles normalmente evitam charcos, beiras de córregos e de valas de irrigação.

    No estação estival (inverno) os “aruás” se enterram para conservar alguma umidade, mas sempre em locais bem drenados.

    Por isso, nos quintais, devem haver áreas mais secas, pois o excesso de umidade pode ser fatal para esses moluscos.

    “Camarões”, “sanquézias”, “boldo” e “boldo-gambá” (ambos Plectranthus) e “rami” são alimento para eles, bastando algumas plantas dessas espécies (e de outras plantas) para tê-los conosco nos jardins e quintais.

    Parabéns por seu interesse por nossa fauna e por divulgar informações sobre esses animais tão interessantes!

    Que tal nos mostrar uma criança manipulando um desses gigantes?

    Grande abraço,

    Celso

    Celso do Lago Paiva
    Instituto Pró-Endêmicas
    http://br.groups.yahoo.com/group/proendemicas/

    ___________

    O blog diz:

    Ótima idéia, professor! Dias atrás voltei a encontrar o indivíduo jovem do vídeo, mas normalmente eles se escondem muito bem. Em todo caso, vou tentar melhorar o ambiente para essa espécie, plantando os camarões e boldos sugeridos por você. E espero, num futuro não distante, poder fazer a matéria criança-manipulando-caracol…

  4. Orides José Says:

    Que bom ver que num mar de futilidade que anda essa internet brasileira há ainda espaço para essas ilhas de conhecimento e gente digna de admiração!
    Eu sou fascinado por esses caracóis desde menino! É uma tristeza saber que estão ameaçados. Agora eu mesmo sinto na pele a agonia sofrida pelos que defendem a sobrevivência de cada planta e animal neste planeta.

  5. Celso do Lago Paiva Says:

    Prezado Valdir:

    Muita gente mata esses caramujos gigantes e inofensivos, um tanto por não serem humanos, nem cães ou gatos, um tanto por os temerem (por nada saberem deles), e um tanto pelo instinto de matar.

    Aliás, mata-se de tudo neste país!

    Não há nenhum motivo de preocupação: são, reitero, absolutamente inofensivos, e mesmo na horta comem bem pouco, e de quase nada.
    Andam mais pelos jardins.

    A rápida extinção dos quintais, das chácaras e das habitações rurais, bem como das áreas de vegetação natural, condena quaisquer animais à extinção, incluindo esses “gigantes gentis”.

    Aqui na região central de Minas Gerais esses caramujos habitam as áreas ao redor dos afloramentos calcários, onde são relativamente comuns, fáceis de se avistar nos fins de tarde chuvosos.

    São comestíveis, mas a carne é dura, “borrachenta” e quase sem sabor.
    Sua utilidade maior é nos encherem de admiração pela obra construtiva da natureza, pois são fruto de quatro bilhões de anos de evolução. Deram certo, e por isso estão entre nós.

    Grande abraço,

    Celso

    Celso do Lago Paiva
    Instituto Pró-Endêmicas
    Curvelo, Minas Gerais
    http://br.groups.yahoo.com/group/proendemicas/

    __________

    Valdir diz:

    Obrigado pela visita e pela “força” aos nossos amigos caracóis.

  6. paulo Henrique santana Says:

    Apareceu em minha casa um caramujo creio eu um megalobulimus , gostaria de enviar ima foto para identificar a espécie.
    __________
    resposta do blog:

    Paulo:

    mande a foto (de preferência mais de uma, tiradas em ângulos diferentes) para “timblindim@gmail.com”. Tentaremos identificar.

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