Pequetita Pero Cumplidora

Vamos fazer aqui uma análise diferente do Quadro de Medalhas dos XVI Jogos Panamericanos de Guadalajara, no México. A análise comum, de pouca validade estatística, apresenta os números como se tivessem baixado do espaço sideral, sem qualquer relação com outros elementos dos países de origem. Nessa visão distorcida, meramente propagandístico-ideológica, os Estados Unidos sobressaem, com suas 92 medalhas de ouro, seguidos por Cuba, com 58, e pelo Brasil, México, Canadá, Colômbia e Argentina, respectivamente com 48, 42, 30, 24 e 21. Pontuaram também, em ouro, outros 8 países.

Como “every schoolboy knows”, ou pelo menos deveria saber, não se pode comparar elementos muito diferentes entre si. Assim, não se pode dizer que os Estados Unidos, com 92 ouros, tiveram desempenho melhor do que Porto Rico (seu “estado associado”), com apenas 6, uma vez que os 92 ouros vieram de uma população de 308 milhões de pessoas, enquanto os 6 vieram de uma população de apenas 4 milhões. Comparando, com mais propriedade e justiça, as medalhas douradas obtidas por grupos de 1 milhão de habitantes do país, percebe-se que Porto Rico atinge o índice 1,5  enquanto o heterogêneo gigante fica com apenas 0,3! É a pequena ilha, portanto, que deita e rola em termos de produtividade!

Dividindo-se a população do país pelo número de medalhas de ouro obtidas, temos o seguinte quadro comparativo, indicador seguro da eficiência esportiva das nações americanas:

PAÍS POPULAÇÃO EM MILHÕES HABITANTES POR KM2 IDH MEDALHAS HABITANTES POR MEDALHA






CUBA 11,2 102 0,863 58 193.103
BAHAMAS 0,3 255 0,784 1 300.000
PORTO RICO 4,0 438 0,942 6 666.667
CANADÁ 34,0 3,2 0,888 30 1.133.333
DOMINICANA 9,5 183 0,663 7 1.357.143
ARGENTINA 40,0 14 0,775 21 1.904.762
COLÔMBIA
45,9 39 0,689 24 1.912.500
EQUADOR 13,8 54 0,695 7 1.971.429
GUATEMALA
14,7 135 0,560 7 2.100.000
VENEZUELA 28,9 30 0,696 12 2.408.333
MÉXICO 112,3 55 0,750 42 2.673.810
JAMAICA 2,7 252 0,688 1 2.700.000
ESTADOS UNIDOS 308,7 33 0,902 92 3.355.435
BRASIL 192,4 22 0,699 48 4.008.333
CHILE 17,2 22 0,783 2 8.600.000

Poderíamos tirar, do quadro acima, as Bahamas, pela população diminuta e por só haver obtido 1 medalha, o que pode indicar situação excepcional, de acaso, não necessariamente reprisável em outras competições.

Constata-se então que a pequena Cuba sobressai, como se fosse hors concours, correspondendo cada medalha sua a um grupo de 193.103 habitantes da ilha.

A seguir vem o que seria o grupo de vanguarda, com grupos populacionais, por medalha, de 500 mil a 1,5 milhões de habitantes: Porto Rico (0,67), Canadá (1,1) e República Dominicana (1,4).

Depois, um grupo intermediário, entre 1,5 e 3 milhões de habitantes por medalha dourada: Argentina (1,9), Colômbia (1,9), Equador (2), Guatemala (2,1), Venezuela (2,4), México (2,7) e Jamaica (2,7).

E finalmente, os lanterninhas: Estados Unidos (3,4), Brasil (4), Chile (8,6) e os não pontuados (Paraguai, Bolívia, Peru e outros).

Uma Ilha Excepcional

Sabe-se, por elementos fornecidos por insuspeitos organismos internacionais, capitalistas, que o pequeno país do Caribe apresenta, no que se refere aos aspectos fundamentais do bem viver, índices extraordinários. Vejam que em IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, só perde, nas Américas, para Estados Unidos e seu Estado Associado (Porto Rico) e Canadá, e ainda assim por pequena diferença. É que o país vai muito bem em Educação, Saúde, Segurança Pública e… Esportes. Embora haja por aí muito fundamentalista que acha que lá é o Inferno…

Antigamente, Hong Kong, sob administração inglesa (imposta por 100 anos), não podia ser escondida dos habitantes comunistas do restante da China. É que a pujança do enclave (com privilégios para ser “vitrina” do Ocidente)  falava por si. Anos depois, ao vencer o “contrato” de 100 anos, Hong Kong voltou à China, mas mantendo um status especial. Foi o Comunismo curvando-se ao Capitalismo de então, que ainda não iniciara sua atual corrida amoque. A China comunista respeitou a Hong Kong capitalista, e com ela só teve a aprender e a ganhar. Prova-o a atual pujança do país de Mao Tse Tung.

Se o “inflexível” Comunismo foi capaz de se adaptar a um enclave capitalista, por que o “flexível”, “extremamente adaptável” capitalismo não poderia se adaptar ao enclave “comunista” dos irmãos Castro? Medo de que os países capitalistas sejam “contaminados” pelos cubanos? Mas contaminados em quê? Em auto-determinação, isto é, em melhorar de vida sem autorização prévia do país “líder” (para não dizer outra palavra) deste lado do mundo?

Há aqui uma contradição incontornável: enquanto dizem que Cuba seria “o Inferno em Terra”, não querem que ninguém a veja, ou veja como vivem os seus morenos habitantes. Se fosse realmente um inferno, o lógico seria mostrá-lo a todos, para que todos o esconjurassem, não é mesmo?

Parece que o medo do Capitalismo é exatamente o de que outros países sigam os bons exemplos de Cuba (evitando cuidadosamente os maus). Mas disfarça (com a ajuda do conglomerado cultural-midiático liderado por Hollywood) e propaga temer que esses países “percam a liberdade”, submetendo-se a uma “ditadura” ao estilo cubano. Estados Unidos e seus satélites seriam o Mundo Livre, bem diferente dos países ainda não “convencidos” (com dólares ou com bombas) das vantagens da Liberdade. Liberdade para o Capital, claro…

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Fontes dos dados da tabela: IDH e populacionais: Wikipédia; medalhas de ouro: Correio do Estado.

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Uma resposta to “Pequetita Pero Cumplidora”

  1. Antonio Carlos Maciel Says:

    Fico apreensivo com os acontecimentos mundiais e que esses acontecimentos acabem confundindo as novas gerações. E motivados pela propaganda capitalista imperialista dos EE.UU., resolvam por mudanças, como ocorreu na Libia, Siria, etc. Deus que lhes deem discernimento. Adelante Cuba.

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