O Espigão Enterrado

Campo Grande – MS. No início de dezembro foram entregues, pelo prefeito Nelson, as obras de recuperação da galeria subterrânea da Rua Ceará, por onde passam as águas do Córrego Prosa. Com muito dinheiro à disposição do Executivo Municipal (23 milhões, sendo 20 repassados pelo Governo Federal), sobrou dinheiro para mensagens institucionais veiculadas na TV. Como as imagens praticamente igualavam aquelas da época anterior à destruição da antiga galeria, apenas acrescidas alças de ligação da Rua Ceará com a Av. Ricardo, a mensagem preocupou-se em lembrar ao telespectador que naquele local fora agora enterrada “uma estrutura equivalente a um edifício de 20 andares”.

O blog contrapõe à comparação estrutural (gastos com cimento, areia, pedra e barras de ferro) uma comparação econômica. Metaforicamente tombada e semi-enterrada naquele espaço, onde a Av. Ricardo passa sob viaduto da Rua Ceará, está, não apenas a estrutura de um prédio (espigão) de 20 andares, mas sim, o prédio inteiro, com toda a alvenaria complementar, revestimentos, instalações elétricas, hidráulicas e de comunicação, elevadores, garagens, etc. Ou, numa imagem surrealista:

Se separarmos, dos 23 milhões, generosos 2 milhões para desapropriações e obras secundárias (reaterros, aterros novos, recapeamento asfáltico, construção das alças de ligação automobilística e outros penduricalhos), ainda sobram 21 milhões que dariam para construir, na Iniciativa Privada,  umas 10 galerias como a única que de fato foi construída. 21 milhões dariam também para construir um edifício de altíssimo luxo, próprio para empresários que negociam com os fatidicamente generosos Gestores de Recursos Públicos: 1 apartamento (216 m2) por andar, com 1 elevador de serviço e 2 elevadores panorâmicos, spas, torneiras folheadas a ouro, etc.). Cada apartamento valendo, portanto, mais de 1 milhão de reais.

Abaixo, na primeira foto um aspecto atual do cruzamento da Av. Ricardo com a Rua Ceará. Nas fotos seguintes, vistas externas e internas da galeria, que tem 4 metros de altura, 8 metros de largura e cerca de 150 metros de comprimento.

A boca de saida da galeria.

A obra foi inaugurada sem terminar. Falta essa quarta alça, espremida entre a pista elevada e a casa-de-força da Uniderp.

Cronologia da Obra

1. Durante as chuvas, a  Rua Ceará (entre Av. Afonso e Av. Ricardo) recebia, na pista asfáltica, grande volume de água, que atrapalhava o fluxo normal de veículos e pessoas.

2. Foi providenciada a feitura de obras de drenagem, com a construção de tubos que desembocavam nas bocas e a montante das antigas galerias do Córrego Prosa.

3.  Em 28/12/2009 uma chuvarada fez com que enorme erosão fosse aberta junto ao tubo de escoamento das águas da Rua Ceará. Apesar das insinuações da Imprensa, nunca foi feita investigação para apurar as responsabilidades.

4. Essas erosões haviam comprometido seriamente a capacidade de vasão das duas galerias (feitas com tubos de aço Armco) do córrego. As ações emergenciais, entretanto, foram pífias.

5. Em 27/02/2010, à noite, as águas de uma tromba d’água encontraram um talude erodido e as duas galerias fragilizadas, o que acabou provocando a completa destruição destas, com a água represada fazendo os estragos descritos em nossa postagem de 28/02/2010 ( clique aqui para ver ).

6. Depois desse desastre, aventou-se inicialmente a hipótese de substituição dos tubos Armco, cujo custo não passaria de 185 mil reais.  Logo depois falou-se em implantar “galeria celular”, que ficaria em 2 milhões de reais. Talvez se tratasse de galerias feitas com concreto celular, mais leve, mais impermeável e provavelmente mais caro que o concreto comum.

7. Logo, porém, mudou-se o projeto, falando-se em custos de 32 milhões, que seriam obtidos junto ao Governo Federal, por conta de verbas emergenciais. Contra as espectativas dos pagadores de impostos, obteve-se a verba federal, embora em valor menor (20 milhões). A esse valor a Prefeitura juntou 3 milhões dos próprios cofres e de outras fontes.

8. Não foi explicado porque a troca de uma material mais caro (concreto celular) por um material mais barato (concreto comum) provocou tão estratosférico aumento (ao contrário da esperada diminuição) de custos. Não foram apresentadas quaisquer justificativas técnicas.

9. A obra, que propagandeava ser emergencial, estendeu-se por quase 9 meses, mesmo contando com todos os beneplácitos de São Pedro…

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Uma resposta to “O Espigão Enterrado”

  1. delcia c machado Says:

    hoje participei de um evento maravilhoso . oportunidade que o nosso prefeito nelsinho trad esta dando aos nossos artistas plasticos a oportunidade de mostrar a cultura artistica as maravilhas e o reconhecimento de obras magnificas que temos em nossa campo grande como luiz xavier , jeudson, clarice, lima e outros mestres que representam bem o nosso estado . parabens prefeito .

Comentários encerrados.


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