Finalmente alguém apareceu

Finalmente “alguém” apareceu no bairro Marcos Roberto. Deve ser por causa da publicação, ontem, de reportagem no Correio do Estado, com 1 foto de entulhos (que pobreza da mídia impressa!). Mais especificamente, apareceram os homens, aparentemente de empresa de terceirização, para fazer capina dos capins e carrapichos da parte não calçada dos passeios. É a primeira etapa de uma ação da Prefeitura que culminará na retirada dos entulhos jogados nas vias públicas do bairro.

Ao lado da reportagem, há manifestação do Secretário Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação, acusando os moradores e propondo sanções contra eles (a serem aplicadas por outra secretaria). Ele começa mostrando que não sabe exatamente o que está acontecendo na cidade:

“Os moradores não são notificados para fazer a limpeza de seus quintais. Não é mutirão, é programação de limpeza de via pública, mas ocorre que quando a gente capina e faz a poda das árvores, os moradores veem aquilo, limpam o fundo do quintal e jogam sofá, fogão e colchão velho na rua. Na maioria das vezes os líderes de bairros fomentam [sic] para que as pessoas amontoem o lixo, e isso está nos causando um sério problema”.

A sequência correta de eventos é a seguinte:

  1. os “líderes de bairro”, pessoas ligadíssimas ao staff municipal, passam pelas casas e divulgam a notícia de que os moradores já podem jogar galhos, entulhos, materiais de construção e móveis velhos, porque “a Prefeitura vai passar por estes dias” recolhendo tudo.
  2. O povo, assim tão mal aconselhado, começa o “trabalho” de entulhar as vias públicas.
  3. A única secretaria que é avisada sobre a sujeira é a de Controle Urbanístico, que às vezes aplica multas, eventualmente pegando gente inocente (que tem calçamento regular e não jogou entulho nele).
  4. A secretaria responsável pela limpeza das vias (SMITH, ou sigla equivalente), se toma conhecimento, finge que não tomou e aguarda que “alguém importante” reclame (o Correio do Estado, por exemplo).
  5. Entre a etapa 2 e a etapa 4 decorrem normalmente 4 ou 5 semanas, período em que o bairro se torna feio, sujo e caótico. Além disso, os altos monturos, à noite, servem de esconderijo para marginais que vigiam casas e passantes.
  6. Finalmente aparecem os homens da capina e da limpeza, precursores dos caminhões e trator utilizados na remoção dos entulhos.

Como já ressaltamos em outra postagem, geralmente as prefeituras do interior (que recolhem, proporcionalmente, IPTU bem mais baixo do que o da capital) se dão ao luxo de atender aos munícipes nesse quesito da retirada de galhos e móveis danificados dos passeios das residências. E a frequência é às vezes semanal, e não semestral. Afinal, para que serve, institucionalmente, o IPTU? Não é para manter as vias públicas limpas e em bom estado de conservação, incentivando os cidadãos a manterem limpos os seus quintais?

P.S. – Pode ser que algum morador tenha botado fogo no seu entulho, mas na quase totalidade dos casos isto foi feito por vândalos. Suspeita-se de um “morador” das redondezas, eterno desocupado, que dias atrás andou exibindo um maçarico de bolso…

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