Socorro! O prefeito sumiu!

Os cidadãos que se preocupam com a Administração Pública sabem que um prefeito é eleito para administrar a sua cidade. Mas, nas capitais brasileiras, de um modo geral, tão logo põe os pés no paço municipal, o prefeito passa a se julgar um “iluminado” (só se for a la Jack Nicholson, no filme com o mesmo nome), um verdadeiro estadista (numa cidade?!) dando o primeiro passo para chegar aos maiores postos (talvez Presidente da Galáxia?). Isto porque acha fácil conciliar os interesses individuais dentro do seleto grupo de dependentes crônicos do Poder Público (desde as grandes empreiteiras até uma pequena – por enquanto – firma de terceirização). O prefeito fica então nessa de só tratar com capitalistas e pré-capitalistas. Grandes licitações, grandes negócios!

Pois bem, o prefeito de capital só se preocupa com grandes coisas, com grandes negócios. Não se humilha a tratar de pequenas coisas que fazem o Bem Estar da População. Aqui em Campo Grande, basta a imprensa trazer à tona algum desses problemas pequenos para que o alcaide se empertigue todo, como um ator que entrou na cena errada e precisa improvisar. E improvisa mal. Se os vândalos depredam os banheiros públicos, a solução do prefeito é eliminar os banheiros públicos, e não “dar um chega-prá-lá” nos vândalos. Se os postos de saúde atendem mal a população, a culpa é jogada nos médicos, nos cidadãos, no governo federal, nas chuvas, o que não livra a figura-de-proa de um TAC do Ministério Público.

Ainda aqui em Campo Grande, um desses problemas pequenos é a retirada, pela prefeitura (ou por firmas a quem a prefeitura terceiriza o serviço), de entulhos colocados nas vias públicas das vilas. Em qualquer cidade do interior o problema é solucionado com a prefeitura estabelecendo um dia da semana para a coleta desses entulhos (por exemplo, toda quarta-feira). Aqui em Campo Grande os entulhos, nas vilas, são retirados uma vez a cada… seis meses. Seis meses! Numa falta total de coordenação, os presidentes de bairro avisam a população de que “nos próximos dias” a prefeitura estará fazendo a coleta semestral de entulhos. Os cidadãos começam a cortar galhos de árvores, a cortar toda a árvore, e a jogar os galhos, os troncos,  e também móveis velhos, lixo e outros materiais, na calçada. Passa uma semana, e nada da prefeitura aparecer. O entulho vai crescendo, e firmas que fazem a poda das árvores nas residências mais abastadas, em vez de recolherem as sobras, as deixam também na calçada, à espera da coleta semestral. E os montes vão invadindo as ruas. E passam 2 semanas, e passam 3 semanas, e passam 4 semanas, e passam 5 semanas, e nada da prefeitura aparecer. Em algumas ruas a passagem é fechada, obrigando motoristas e motoqueiros a mudarem de rota (foi o caso da Rua Ouro Branco, fechada durante 4 dias na esquina com a Rua Japão). Em outras, vândalos começam a botar fogo nos monturos, agora cheios de folhas secas.

Onde estará o prefeito de Campo Grande? Onde estará o Secretário de Obras? Onde estarão as firmas de serviço terceirizado? Estarão todos no Oriente Médio, resolvendo o problema palestino-israelense? Ou estarão na África, dando “uma dura” no Dunga? Ou simplesmente sumiram? Socorro!

P.S. – Para os leitores pouco familiarizados com o jargão, TAC é Termo de Ajuste de Conduta.

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