Musashi, o livro

Sou um retardatário no conhecimento da história de Miyamoto Musashi, o lendário samurai de inícios do século 17. E dele tomei tento através de um mangá, o Vagabond, assinado por Takehiko Inoue. Nesse mangá Inoue faz desenhos cortantes e precisos, como se traçados por espada de samurai. Desenhos magníficos (abaixo, um exemplo).

Através de Inoue fiquei sabendo que a História de Musachi fora contada anteriormente em livro, de autoria de Eiji Yoshikawa. Peguei carona e descobri uma nova edição da extensa obra (cerca de 1800 páginas, em dois volumes), lançada pela editora Estação Liberdade, de São Paulo.

Como quase sempre acontece, o livro é ainda melhor do que a obra derivada. Enquando o mangaka Inoue dá ênfase às lutas marciais do personagem, o escritor Yoshikawa, na magnífica tradução de Leiko Gotoda, constrói um equilibrado e rico romance que lembra Dickens, Victor Hugo e Alexandre Dumas. Nele acompanhamos as trajetórias, às vezes paralelas, às vezes conflitantes, de Miyamoto Musashi, do pilantra Hon’i-den Matahachi, do monge Takuan e de Sasaki Kogiro, o samurai Lady Gerson. E também das figuras femininas da doce Otsu, da espevitada Akemi e da megera Osuji (mãe de Matahachi).

O fio condutor da narrativa é o crescimento espiritual de Musashi (paralelo ao aumento de sua habilidade como espadachim), desde a sua conturbada adolescência até a entrada dos 40, quando chega a um momento crucial. Para desespero dos machistas brasileiros, que relacionam brutalidade (ou seja, a disfunção conhecida como falta de controle motor) com hombridade, os grandes samurais domavam a sua força bruta temperando-a com as artes do desenho, da escultura, da escrita e da música. Era essa combinação de opostos que os tornava invencíveis. Mas se aparecesse um aqui no Brasil, seria imediatamente tachado, pelos machistas, de bi… Zap! palavra e cabeça cortados por um golpe “invisível” do dito samurai!… Os outros machistas presentes botariam o rabo entre as pernas, correriam para casa e bateriam na mulher.

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Uma resposta to “Musashi, o livro”

  1. Luiz Lins Says:

    não li o mangá, mas graças a meu amigo, Hiroshi Inoue, consegui o livro. Excelente.
    um dos volumes o li em uma noite.

    Também li o livro dos cinco aneis, muito bom.

Comentários encerrados.


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