“Um Debate Falso”

Transcrição de artigo de Maurício Dias, escrito para a coluna “Rosa dos Ventos”, na revista CARTA CAPITAL. Para ver o original, clique aqui.

O depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, feito no Senado, expôs o desespero da oposição de manter acesa a chama do denuncismo que alimenta as manchetes dos jornais e o noticiário político em geral.

Tudo o que se ouve e se vê faz parte do jogo maniqueísta que se pratica. Portanto, é elementar e superficial por definição. Sem condições de enfrentar a avassaladora presença das ações do governo, os oposicionistas inventaram uma pauta de acusações em que se transfere para os acusados o ônus da prova.

É uma agenda falsa que a dobradinha oposição e imprensa tenta impor ao governo. Neste caso, com o objetivo de desconstruir a candidatura de Dilma Rousseff.

Recorro ao insuspeito ex-deputado Roberto Jefferson, que, no blog dele, acompanhando o depoimento de Lina Vieira, arrancou a máscara do episódio:

“Por enquanto, o assunto continua a ocupar os jornais e os discursos, apesar de não haver provas e sequer a data exata em que Dilma teria pedido que a investigação contra a família Sarney fosse acelerada. Mas para matar a cobra nem sempre é preciso mostrar o pau – a mera hipótese já causa estragos.”

Expert em efeitos políticos especiais, desde que fez a denúncia, sem provas, do que ele próprio apelidou com sucesso de “mensalão”, esse veredicto de Jefferson não é contaminado de suspeição pela causa governista.

A oposição demo-tucana se iguala aos piores momentos do PT na oposição. Os efeitos, no entanto, são desiguais. Os atuais oposicionistas têm a imprensa à disposição, por afinidades políticas avoengas, e produzem resultados devastadores ao adversário, embora circunscritos quase inteiramente ao eleitor passivo do universo letrado e conservador.

A oposição, arrastada pelo passe livre que tem na mídia adota um princípio primário e equivocado: quanto mais as coisas pioram, melhores se tornam.

Por isso, faz sentido o esforço oposicionista para ignorar a agenda real do País.

O governo oferece à sociedade PAC, Bolsa Família, Unasul, ProUni, Cotas, os programas de luz e moradia popular, além do não alinhamento automático com os Estados Unidos, entre outras iniciativas políticas.

A oposição reage com uma agenda de interesse eleitoral, travestida de discurso ético. Um flagrante desse confronto: na quarta-feira 19, enquanto se trombeteava a denúncia vazia e suspeita de Lina Vieira, o governo anunciava que o programa Bolsa Família atingia a marca de 573 mil famílias beneficiadas.

José Sarney é outro exemplo fulanizado dessa agenda falsa.

Ao longo dos últimos 30 anos ou mais, a imprensa ignorou as denúncias contra os desmandos dele no Maranhão, estado cujo IDH ruboriza a nacionalidade. Concentrados em desmoralizar Sarney, aliado de Lula, os ex-aliados miram na desarticulação da base governista no Congresso.

A criação da CPI da Petrobras é resultado de outra trama. O foco em supostos problemas de corrupção deixa na sombra o propósito de enfraquecer o controle da decisão que está nas mãos do governo, cuja proposta, a construção de uma nova empresa para gerir a tarefa, reacende nos corações e mentes a campanha pela criação da Petrobras nos anos 1950: o petróleo (do pré-sal) é nosso.

A pauta real do País merece uma oposição forte. Conservadora, mas honesta nos propósitos políticos, capaz de orientar a decisão da sociedade. O que está em cena não é isso.

Opinião do blog:

1. A coragem de Lina me lembra a do Camundongo enfrentando o Leão. Com o Leão fugindo em desabalada carreira. Não do camundongo, é claro, mas da brigada de Ciclopes que se escondiam atrás do camundongo. Se é que, mesmo numa alegoria, camundongo pode esconder ciclopes. Mas parece que pode, já que na realidade brasileira atual os Ciclopes (Grande Mídia e Demotucanato, aparentemente obedecendo a interesses da Entidade Capitalista Mundial) procuram cuidadosamente agir nas trevas e depois colocar-se na penumbra para ver o estrago feito à nacionalidade brasileira.

2. Será que a ministra de Lula é a única autoridade, no Brasil, que tem desafetos? Será que se Lina fizesse essa denúncia contra FHC ou o próximo presidente (desde que este seja do grupo de Ciclopes) ela seria sequer ouvida? Por que não se ouvem os desafetos do também presidenciável Serra? Seria este um santo irreprochável?

3. Outro dia lojas maçônicas sul-matogrossenses e outras entidades fizeram mini-passeata e panfletagem, “indignadas com a corrupção vigente no País”. Disseram estar agindo “contra os Poderosos” brasileiros. E estamparam nas avenidas caras e bocas que lembravam muito a pose de oficiais nazistas (em Campo Grande) e personagens de Zé do Caixão (em Dourados). Isto pelas fotos que o blogueiro pôde ver nos jornais e Internet. As pretensas vestais se referiam, com essa farsesca Operação Cansei II, à alegada corrupção no nível federal, ninguém ligando para as mazelas locais ou regionais (notórios criadouros de corruptos federais), onde apareceriam, segundo um leitor douradense (que apôs comentário na coluna do Valfrido Silva), uma chusma de maçons.

4. Parece-me que os Maçons compartilharam e compartilham o Poder com todos os verdadeiros Poderosos do Brasil (leiam os livros de História). E quando digo “Poderosos”, aí não entra o Lula, que parece ser apenas um outsider, tolerado na Presidência mas sob vigilância e manipulação implacável das Forças Ocultas, e que talvez ainda seja derrubado por algum golpe branco estilo Honduras (balão de ensaio do totalitarismo travestido de Democracia). E eu pergunto: se os verdadeiros Poderosos do país são tão melhores do que Lula e do que nós, do Povo, porque não implantam no país a Meritocracia, no estilo japonês, por exemplo (ou norueguês, sueco, taiwanês)? Parece que nesse angu tem caroço!

5. É claro que uma Meritocracia provocaria devastações, e não apenas nas hostes privilegiadas (onde, pela ordem natural, ao pai rico sucederia filho classe-média-alta, neto classe-média-baixa, bisneto miserável) , mas também, e principalmente (em números absolutos) do lado do Povão, onde há “folgados” demais (já pensaram numa Bolsa Família condicionada ao desempenho escolar dos filhos dos beneficiados?).

6. Noto que pessoas ou instituições que se querem “superiores” geralmente não aceitam ser submetidas a provas. “São superiores”, e sua opinião divinal é mais do que suficiente. Ou, no dizer de Millôr Fernandes, um tipo de gente que não quer simplesmente ganhar a refrega com os adversários; quer “nem precisar competir” (o que, convenhamos, é mais fácil, embora indigno de pessoas que se dizem nobres).

7. A despropósito, continuo contra a CSS, excrecência que o Governo Lula pretende criar para substituir a famigerada CPMF. Diminuição da receita, na área da Saúde ou em qualquer outra área, deve ser resolvida com diminuição dos custos (via aumento da eficiência), e não com o aumento da já escrachante Carga Tributária. Nisso concordo com o demotucanato (que mudará radicalmente de idéia num improvável futuro governo Serra, ou num menos improvável governo Aécio)…

8. Também a despropósito, sou contra novas demarcações de terras indígenas e contra o estabelecimento de índices de produtividade para as atividades agropastoris. No primeiro caso, porque não se pode restabelecer o Passado, e os atuais detentores das “terras indígenas” também fizeram por merecer a sua posse, que é legal. No segundo caso, porque a exigência é discriminatória: por que só o setor agropecuário deve cumprir metas de produtividade ao estilo União Soviética? Ademais, quanto mais “produtiva” a propriedade agropecuária, mas devastadora é para com o Meio Ambiente. As terras “abandonadas” é que permitiram a conservação de amplas áreas do bioma Cerrado, áreas essas que de outra forma teriam sido destruídas (com aumento notável no assoreamento dos rios do Estado) pela sempre crescente “produtividade” (apenas no sentido econômico/financeiro) agropastoril.

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Uma resposta to ““Um Debate Falso””

  1. lins Says:

    saindo um pouquinho do assunto.
    adorei o site patre primordium! Inclusive fiz um post sobre ele. Tou impressionado até agora.
    Abração

Comentários encerrados.


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