Árvores em Estudo (04)

Encontrei três exemplares (dois adultos e um jovem) de uma árvore que apresenta uma floração interessantíssima. Os cachos, com flores femininas e masculinas, se penduram nas pontas dos ramos como pequenos balões ou lanternas chinesas. Já consultei cerca de 1000 fotos de espécies diversas, e nada encontrei que sequer se aproximasse do aspecto dessa floração. Vejam as fotos.

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Um exemplar adulto, com cerca de 50 cm de diâmetro, e junto dele um exemplar jovem, com 6 cm de diâmetro.

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A copa do exemplar jovem.

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Cacho mostrando principalmente as flores masculinas, com anteras ainda “verdes”.

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Cacho com anteras maduras.

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Os cachos reunem flores femininas (no alto) e flores masculinas (mais abaixo, e mais abundantes). Notem, nas flores femininas, o ovário separando o pecíolo do estilete. Este geralmente se abre em três pontas.

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Copa de uma das árvores adultas, mostrando floração e frutos já bem desenvolvidos.

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Folhas da árvore.

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Tronco de uma das árvores adultas, medindo cerca de 50 cm de diâmetro. A outra árvore adulta tem tronco fendido, medindo em conjunto cerca de 1 metro de diâmetro.

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O tronco da árvore jovem, medindo cerca de 6 cm de diâmetro. Observem o caminho de cupins que o ladeia.

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14 Respostas to “Árvores em Estudo (04)”

  1. lins Says:

    A tania me passou resposta quanto ao Levante Cultural, agora dá pra acompanhar pelo site http://levanteculturalms.blogspot.com/
    Se quiser, me mande um email pra manter contato quando necessário.
    braço

  2. Érika Says:

    Não sei também qual é árvore. Mas, se ajuda, parece uma árvore do gênero Chaetocarpus-Peraceae que eu vi. A diferença é que o “cacho” de flores era amarelo. A família Peraceae (antigamente na família Euphorbiaceae), também possui outros dois gêneros nativos: Pogonophora e Pera.
    Boa sorte!
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    do blog:
    Informação preciosa, Érika! Com ela já posso iniciar a pesquisa na direção certa. Obrigado!

  3. Silvia Says:

    Gostaria de convidá-lo para participar do grupo árvores. Poderia postar lá para que identifiquem. Seu blog uma vez foi apresentado por um participante do grupo. http://br.groups.yahoo.com/group/arvores/
    _____
    do blog:
    Ok, Sílvia; vou visitar o sítio indicado.

  4. CLisboa Says:

    É a Mabea fistulifera (Mart). mamoninha-do-mato, canudeiro, canudo-de-cachimdo, mamoneirado-mato, mamona-do-mato, raiz-de-tiú Fam. euforbiácea. Rj, MG e SP em áreas de transição para o cerrado. Planta pioneira. 4 a 8m de altura.
    LORENZI, H. Arvores Brasileiras I, Nova Odessa, Plantarum p. 106
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    Obrigado pela informação, CLisboa! Vamos verificar.

  5. Marcelo Says:

    Há semelhanças com a Lophantera lactescens, chuva de ouro, árvore amazônica de várzea. Vide Lorenzi.
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    do blog:
    Obrigado pela dica, Marcelo. Vou verificar…

  6. Allan Says:

    Olá Valdir, lembra-se de mim, sou o botânico de SP, que pediu fotos de Maprounea. Gostaria dessas fotos de Mabea fistulifera, as mesmas segue o padrão da Maprounea, serão utilizadas com fim científico e teu nome creditado a cada uma delas. Seria possível?

    Engraçado que sempre que pesquiso pelas plantas que ainda não consegui fotografar nas expedições, caio no teu blog.

    Allan
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    resposta do blog:

    Alan:

    1. Será um prazer colaborar novamente. Indique as fotos que você quer, e se essas fotos não apresentarem algum ângulo que você gostaria de mostrar, explique e vou tentar obter, fotografando novamente (as minhas fontes, no Parque NI, em Campo Grande, estão novamente floridas e com frutos em formação).

    2. As Maprounéias também estão novamente floridas e com frutos em formação. Vou tentar obter microfotografias melhores do que as anteriores. Se precisar, avise.

  7. Allan Says:

    Olá Valdir, como sempre um prazer poder contar com a sua ajuda. As fotos de Maprounea estão lindas e foram elogiadas numa aula que apresentei as espécies que estudo. As fotos de Mabea que eu gostaria são as sete primeiras, que mostram as plantas, as flores e as folhas; gostaria ainda de saber, se não teria foto da parte inferior das folhas, uma vez que esta espécie apresenta uma faixa central marrom, e também, dos frutos. Muitíssimo obrigado, Allan .
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    do blog:

    Ok, Alan. Aguarde e-mails com as fotos.

  8. Arline Souza Says:

    Olá, Valdir. Parabens pelas fotos.
    Apesar de ter consultado seu blog por diversas vezes esta é a primeira que escrevo. Como diz o Allan acima: Mabea fistulifera Martius, possue uma faixa de tricomas marron-avermelhados na face inferior das folhas, ao longo da nervura mediana (principal). Caso esta faixa não exista a espécie é Mabea piriri Aublet (aliás é o que me parece, pois M. fistulifera tem tricomas semelhantes aos das folhas no eixo das inflorescências e esta não parece tê-los). M. piriri era antes conhecida como Mabea brasiliensis Muller Arg. Tento ajudar pq, recentemnte, consultando herbários europeus, tive oportunidade de conseguir uma cópia de Tese de Doutoramento sobre a revisão dos gêneros de uma Tribo de Euphorbiaceae (ESSER, Hans-Joachim- de Hamburgh), entre eles o gên. Mabea. Apesar hoje em dia, de oficialmente, ser profa. aposentada do Depto. de Botânica do Museu Nacional (UFRJ), continuo a participar do grupo dessa Instituição que estuda as Euphorbiaceae (s.l) do Est. do Rio de Janeiro. Abraços e a disposição, Arline
    _____
    do blog:

    Professora Arline:

    Obrigado pelo interesse e pelas informações. Vi na Internet foto da face inferior da folha da Mabea fistulifera, e realmente ela tem uma faixa marrom-avermelhada bem nítida. As folhas dessas plantas que estou estudando também têm, na face inferior, uma faixa ao longo da nervura principal, mas de cor clara, um amarelo-pastel. Abaixo, foto de uma folha de Mabea (parte inferior; clique para abrir). Gostaria que você, depois da análise dessa foto, me dissesse sua opinião: é fistulifera ou piriri ? Poderia ocorrer que a piriri também tenha a tal faixa de tricomas, apenas de cor e intensidade diferente da ocorrente na fistulifera ? Anexo também outra foto, de gineceu recém-fecundado e do eixo ao qual está ligado; esse eixo, me parece, tem tricomas. Vou ver se consigo fotos em escala maior.
    foto1 foto2

  9. Allan C. Pscheidt Says:

    Valdir e Arline, estudando o gênero no Estado de SP, observei que a diferenciação de Mabea fistulifera e M. piriri, se dá principalmente pelas cimeiras masculinas, sendo estas racemiformes, um eixo partindo da glândula e dele parte as subunidades com as flores masculinas, em M. fistulifera e umbeliformes, cada flor com um único eixo partindo de um ponto único acima da glândula em M. piriri. Nas fotos que observei, são cimeiras racemiformes.
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    do blog:

    Obrigado pelas preciosas observações, Allan. Assim a gente vai construindo o conhecimento. Infelizmente não conheço nenhum exemplar da M. piriri. E as Mabeas daqui de Campo Grande, acho que não são nativas, mas trazidas provavelmente do Estado de São Paulo (no oeste paulista, numa estrada federal, entre Rio Preto e Araçatuba, vi muitos exemplares à beira da estrada, aparentemente autótones).

  10. Arline Souza Says:

    Valdir, primeiro trate-me por Arline, nada de títulos,sim? Allan vc tem razão quanto as inflorescências (vide Mabea- Pax in Engler, Das Pflanzenr.heft.52: 26. 1912). Entretanto, no estudo recente do Dr. ESSER (não entendo bem alemão por isso posso errar), ambas apresentam inflorescências tirsóides(?) mas com diferentes tipos de cimeiras (teria que traduzir melhor). Os tricomas foliares de M. fistulífera na face abaxial em geral formam uma faixa ocre (que pode ser mais clara); esses tricomas se repetem nos demais eixos da planta, sépalas e ovário. A folha de M. piriri em geral é glabra mas na face abaxial pode ter tricomas “claros” normalmente próximos às margens. O autor usa outros caracteres vegetativos (ápice, bordos, tamanho das folhas etc..) .inclusive presença de “drusas” nos tecidos foliares. Aqui, devido ao pouco espaço e ao meu fraco alemão, posso enviar mais detalhes posteriormente. De qualquer modo, depois de “ler” as descrições e comparar com as fotos podemos afirmar que a espécie é Mabea fistulifera Mart. (aliás há 3 subspécies!!).A foto do ovário, então, é bem esclarecedora pela maior relação ovário/comp. estilete-estigmas.
    Fico assim, devendo mais detalhes dos caracteres de M. piriri que me pareceram um tanto confusos!!. Se quiserem, faço xerox das páginas e envio para vcs, certo?Em tempo: Dra Margarete Emmerich que estudou Mabeas do Brasil não concorda com a sinonimização de M. brasiliensis a M. piriri. Abraços, Arline.
    _____
    do blog:

    De minha parte, Arline, estou satisfeitíssimo com essas informações, que, juntamente com as anteriormente noticiadas pelo Allan, me dão a segurança para publicar uma nova página, com as Mábeas aqui fotografadas, e que agora posso chamar de “fistuliferas”. Se os estudos citados fossem em inglês eu arriscaria examiná-los, mas alemão para mim está fora de alcance. Muito obrigado pela atenção!

  11. Allan C. Pscheidt Says:

    A tese de doutorado do professor H-J Esser é de grande importância, mas uma pena que não tenha sido publicada em inglês, com poucos exemplares em alemão disponíveis. Notei que se reduzirmos a esfera de estudo para conter apenas as duas espécies, M. fistulifera e M. piriri, as características corroboram aquelas utilizadas pelo professor F. Pax no Das Pflanzenreich. Ainda, a maior contribuição do professor Esser foi a sinonimização das espécies, reduzindo de 68 para 39 as espécies de Mabea, com posterior reconhecimento de mais uma, totalizando num gênero de 40 espécies.

    Uma pena que esteja em alemão, o que dificulta a leitura de informações tão valiosas como as que ele apresenta. Tenho em mãos a tese, mas ainda assim obrigado.

    Na dissertação de mestrado, utilizo o indumento do pecíolo, a faixa de indumento nas folhas, estípulas e o tipo de cimeira masculina para separar as duas espécies (M. fistulifera e M. piriri).

    Aliás, muito interessante poder conversar com vocês e trocar tantas informações valiosas e experiências.

  12. Arline Souza Says:

    Caros amigos, de antemão, eu sim agradeço a oportunidade e tb estou apreciando nossas conversas e trocas de informações. Gosto muito do assunto embora não me considere uma “especialista” e sim uma pessoa interessada. Aprendi com Dra. Graziela Barroso uma de nossas grandes botânicas (a qual possuia tanta humildade!),: ela sempre nos dizia para vigiar, pq quanto mais a agente parece aprender menos sabe! Haja vista as modernas contribuições para a botânica e que suscitaram tantas transformações taxinômicas. Realmente é uma grande falta para nós o trabalho do Dr. Esser não ter ao menos uma síntese em inglês. Valdir, creio que o Allan está certíssimo e vc pode afirmar que as suas fotos são de M. fistulífera, pois embora com certa dificuldade, entendi que essa espécie tem variações vegetativas e a comparação entre elas está sendo bem utilizada pelo Allan. Aliás, Allan se for ajudar e como estou participando no estudo da família para a flórula do RJ, vou solicitar `a pessoa que conheço, para “traduzir” pelo menos as duas descrições: M. fistulifera e M. piriri (=M. brasiliensis, que é citada para aqui). Se vc quiser as enviaria para vc.
    Abraços e bom trabalhos para ambos. Arline
    _____
    do blog:

    Arline:

    Esqueci de informar o local onde se encontram as Mábeas: relativamente isoladas, em lugar alto e seco. Talvez essa inserção fora da mata torne suas áreas de tricomas menos desenvolvidas, e portanto mais claras…

  13. Arline Souza Says:

    Olá, Valdir. Demorei a responder pq não tinha certeza se o ambiente poderia modificar a “cor” da pilosidade de Mabea fistulifera. Apenas encontrei a citação dessa variação (e portanto, seria uma “expressão fenotípica” do genótipo! Pelo que sei a “maior ou menor quantidade” de tricomas sim, é uma adaptação ao meio. Considera-se total ausência de tricomas um bom caráter específico, entre alguns grupos! Espero ter ajudado e, no futuro, levarei em conta essa sua informação. Quem sabe o que encontrarei nas coleções de herbários e mesmo no campo? Abs, Arline.
    ______
    do blog:

    Ok, Arline. Obrigado! Vou passar a observar melhor esses fatores (pilosidade/ambiente) principalmente em outros gêneros, que por aqui possuem mais representantes…

  14. Naim Luis de Freitas Says:

    OI Valdir,
    em qual época a Mabea floresce? tem diferença por região?

    Grato.
    __________
    resposta do blog:

    Naim:

    Harri Lorenzi, no seu livro Árvores Brasileiras, volume 1, diz que a Mabea fistulifera floresce nos meses de janeiro a abril, com frutos madurando em setembro e outubro.

    As fotos que fiz da floração da Mabea em Campo Grande são de julho de 2009 e julho de 2010 (o que contraria a indicação de Harri). Não me parece, também, que a frutificação da árvore demore tanto tempo (de abril a setembro, segundo Lorenzi), pois encontrei frutos maduros já em agosto, isto é, 1 mês depois da floração.

    Talvez a floração dessa árvore acompanhe o regime de chuvas, e portanto, varie de região para região, principalmente no Nordeste em relação ao sudeste-centrooeste. Mas não temos informação segura quanto a esse ponto.

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