Voçorocas Anunciadas

Podemos estar enganados, mas vislumbramos um padrão vicioso nos procedimentos da atual administração municipal campograndense Eis as suas etapas:

1) A Prefeitura, sempre afoita nas ações que podem trazer novos dividendos aos cofres municipais (através do aumento do IPTU, motivado pela “valorização” de áreas), faz um projeto para o asfaltamento de uma vila;

2) Cumprindo determinações legais, é providenciado um estudo do impacto ambiental que tal impermeabilização do solo vai causar. Esse estudo provavelmente aponta os problemas que decorrerão da implantação do projeto e enumera soluções para que esse impacto seja neutralizado ou minimizado;

3) O estudo é solenemente ignorado pelo Poder Público Municipal, em nome da urgência do asfaltamento ou da carência de recursos. É claro que o órgão ambiental não protestará, uma vez que é subordinado ao prefeito;

4) Passa algum tempo, até a próxima temporada de chuvas, e aqueles problemas previstos pelos técnicos ambientais realmente acontecem, e a imprensa repercute, falando em desastre ambiental;

5) Cria-se uma midiática “situação de extrema emergência”, e lá vai o prefeito para Brasília, em busca da liberação de verbas para essa expressão idiomática. Estranhamente, consegue verba para lidar com a emergência e também para fazer novos asfaltamentos, que irão aumentar a arrecadação municipal (via IPTU) e… causar novos desastres e novas “emergências”…

6) Como a “extrema emergência” era de fancaria, a prefeitura se preocupa com a parte do projeto que trata do asfaltamento de novas vias públicas, deixando de lado o problema que pretextou a liberação das verbas ou dos empréstimos.

Analisem o caso da interrupção do tráfego até o Hospital São Julião, através da Rua Lino Villachá, e confirmem a sequência dos fatos. O novo asfalto está pronto; a resolução do problema (“desastre”), está caminhando “a passos de formiga e sem vontade” (como na canção do Lulu Santos; o Correio do Estado publicou, dia desses, um editorial a respeito)…

Parece que o mesmo está acontecendo não longe dos bairros limítrofes ao Hospital São Julião, mais especificamente na zona que abrange vilas como Estrela D’Alva (I, II e III), Jardim Montevidéu e Taquaral Bosque. Fez-se asfalto sem providenciar o retalhamento dos fluxos de água e os reguladores para a sua velocidade (poderia ser uma versão barata – uma “praça” meramente delimitada, sem equipamentos urbanos – dos chamados “piscinões”). Um super-fluxo de águas acabou sendo dirigido para um mesmo local, justamente a nascente do córrego Desbarrancado. E como no caso do São Julião, a prefeitura já está obtendo novos repasses federais, no valor de 8,5 milhões – quase o mesmo valor da “montagem de cenário” anterior.

Abaixo, fotos da nova voçoroca, que foi deixada acontecer.

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A voçoroca (nesse ponto com 15 metros de profundidade) chegou aos limites da Rua Getulina, vista ao fundo.

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O mesmo local, visto mais de perto. Máquinas efetuam ação emergencial, a mando da prefeitura.

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O mesmo local, visto da Rua Getulina. Em primeiro plano uma casa demolida porque estava prestes a desabar. Ao fundo, o que parece ser uma faixa branca é uma carreta passando pelo Anel Rodoviário, a 350 metros de distância.

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A meio caminho entre a Rua Getulina e o Anel Rodoviário, havia uma barreira precária (com escoadouro de concreto e mantas asfalticas para estabilizar os taludes) que represava as águas pluviais, controlando a sua vazão. Essa obra do Dnit, realizada acerca de 1 ano como complemento às obras da ponte rodoviária, desabou nos últimos dias.

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A mesma barreira desmantelada, vista do lado contrário do córrego. A grande caixa de concreto, agora tombada, era o escoadouro. Parece que esqueceram de fazer um “ladrão” lateral, ou seja, um vertedouro de emergência, e assim a água em excesso acabou passando por cima da represa, corroendo-a e provocando o seu desmoronamento.

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Do local contíguo à antiga represa tem-se esta vista do Anel Rodoviário e da ponte sobre o Córrego Desbarrancado.

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O Anel e a ponte, vistos mais de perto.

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Junto à ponte, esta infiltração, se não corrigida (tarefa fácil, para 1 homem), acarretará o desmoronamento desse lado da estrada.

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