Ainda a Voçoroca

Como vimos na postagem anterior, as placas referentes a obras públicas informam muito pouco: apenas o nome genérico do conjunto de obras a serem executadas, e o seu valor global. Observem a placa fotografada:

“Programa: Prevenção de Desastres”;

“Ação: Pavimentação Asfáltica e Drenagem de Águas Pluviais”;

“Valor do Investimento: R$ 9.690.401,55”.

A Imprensa costuma compensar parcialmente a lacuna. No caso em estudo, o site Campo Grande News informava, em 09/04/2008, que haveria obras de pavimentação, drenagem e “canalização do córrego Botas, onde serão construídos diques para reduzir a velocidade das águas em períodos de chuvas intensas”. Onde se lê “Botas”, leia-se “Botas 2”, nome com que as autoridades têm se referido a um pequeno veio d’água que corre pela voçoroca em questão.

“A Crítica” de 07/09/2008 assevera que, tendo saído o resultado da licitação, “em seis meses devem estar prontas as obras de prevenção de enchentes, com drenagem, pavimentação e controle da erosão”.

O Edital de Licitação N. 053/2008, publicado no Diário Oficial do município de Campo Grande em 01/07/2008, explica ainda menos, numa linguagem telegráfica. Como objeto da licitação descreve “Execução de obras visando a prevenção de desastres – infra-estrutura urbana , bacia do córrego Botas 2 – Jardim Anache e Jardim Colúmbia, em Campo Grande – MS”. Diz que a licitação é do tipo “menor preço por lote”, mas não informa se há lotes distintos.

O mesmo Diário Oficial informava, em 06/08/2008, que a Pactual Construções Ltda. havia ganhado a tal licitação, mas não informa o valor do “menor preço”.

O Portal da Transparência, do governo federal, informa que foi firmado convênio (SIAFI 627041) com o município de Campo Grande, com vigência a partir de 02/07/2008, no valor total de R$ 8.721.361,39, com exigência de contrapartida da prefeitura, no valor de R$ 969.040,16. Daquele valor o governo federal liberou R$ 2.085.990,85 ainda em 04/07/2008. E foi só.

Aparentemente esse dinheiro, juntamente com parcela não sabida da contrapartida municipal, foi empregado no asfaltamento de 63.252,66 m2 (essa “precisão matemática” é muito suspeita!…) de ruas próximas à Voçoroca, bem como na feitura de obras para drenagem de águas pluviais (guias, sarjetas, bocas de lobo) no total de 7.763 metros lineares. (fonte: “http://www.pmcg.ms.gov.br/CGNOTICIAS/imagens/modulos/” + “fotoImprensa/baixa.php?&file=1167539175_noticia.xls” ).

Faltaram, ou faltam, pelo menos R$ 6.635.370,57, que, pode-se deduzir, seriam gastos com mais algum asfaltamento e com as obras no local da voçoroca. Que por enquanto “está a ver navios”…

Como “de engenheiro e louco todo o mundo tem um pouco”, o blog arrisca o palpite de que a própria Prefeitura poderia intervir no buracão, gastando não mais do que R$ 1 milhão e meio. A alternativa é deixar o local como ponto de visitação turística, mostra eloqüente de má-gestão, uma vez que com os R$ 2 milhões recebidos do governo federal o objetivo primeiro e mais importante (reativação daquele trecho da Av. Lino Villacha e prevenção de “novo desastre”) já poderia ter sido alcançado…

Apresento abaixo, para o leitor ver que o “desastre” não foi tão grande, outras fotos da Voçoroca/Córrego Botas 2:

vocoroca_13

vocoroca_14

vocoroca_15

vocoroca_16

Anúncios

Uma resposta to “Ainda a Voçoroca”

  1. Beatriz Says:

    por que vcs naum botam em tópicos e dizem como fazer para prevenir as voçorocas!!
    by… espero retorno (obrigada)
    _____
    resposta do blog:
    Beatriz: o foco da matéria foi mostrar o pouco interesse do Poder Municipal em prevenir (remediar é melhor para os grandes negócios). Já há na Internet bons trabalhos disponíveis sobre a prevenção das voçorocas, inclusive com muitas ilustrações esclarecedoras. Mas em linhas gerais, no caso das zonas urbanas ou suburbanas, trata-se de evitar que todas as águas de uma encosta cheguem juntas ao mesmo ponto de escoamento. Há que se providenciar pontos de retardos (piscinões, lagoas naturais) e pontos de infiltração de boa parte da água (exemplo, canteiros centrais gramados com perfil côncavo (e não convexo, como vemos em muitos lugares).

Os comentários estão desativados.


%d blogueiros gostam disto: