Trilhos Abandonados (2)

Na capital destas terras guaicurus parece que a única preocupação do Prefeito é “tomar conta da garrafa”, ou melhor, “tomar conta do dinheiro” (isto é, arrancar money dos munícipes e do governo federal, e distribuir por aí entre funcionalismo, empreiteiras e prestadoras de serviços). Não sobra tempo para cuidar da cidade. Vejam o estado dos trilhos (área da municipalidade), no trecho entre a Rua Eça de Queiroz (notável escritor português, que merecia logradouro melhor) e Rua Germana F. de Jesus, próximo à ex-futura-nova-rodoviária-de-Campo-Grande (construção interrompida que se tornou um Elefante Branco):

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Trecho inicial, visão a partir da Rua Eça de Queiroz. Ao fundo, à direita, um grande supermercado.

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Defronte ao supermercado, uma passagem e mato crescido.

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Pouco adiante, mato ainda maior e entulhos.

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Nenhuma novidade: lixo e mato crescido.

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Os trilhos desaparecem no meio do mato.

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Graças a uma rua transversal, os trilhos reaparecem.

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Aqui as laterais íngremes e empedradas controlam o mato; mais adiante, um viaduto.

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Viaduto sobre a Av. Ernesto Geisel. Os dormentes apresentam vãos de até meio metro. Uma armadilha para garotos aventureiros, que podem se esborrachar lá embaixo. Não é melhor retirar os trilhos, dormentes e estrutura de sustentação (de aço), antes que o pior aconteça, sr. prefeito? A estrutura está em bom estado e pode ser aproveitada para uma passarela sobre o Rio Anhanduí.

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Depois do viaduto, o mato reassume o controle.

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Uma vista de Campo Grande, a 10 metros da ferrovia tomada pelo mato: edifícios ao longe, para os privilegiados; entulhos e lixo para os eleitores classe B (menos iguais do que os primeiros, no duplipensar denunciado por Orwell).

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2 Respostas to “Trilhos Abandonados (2)”

  1. Hélio Sassen Paz Says:

    Valdir,

    Meu pai era engenheiro de minas e metalurgia. Ele começou como chefe de tráfego em Cacequi/RS e, depois, em Santa Maria/RS, quando ainda era VFRGS (Viação Férrea do RS). Depois de encampada pela RFFSA, voltou a Porto Alegre, onde aposentou-se quase como superintendente (como ele mesmo dizia, nunca viajou à Europa com a família e não virou chefe porque não gostava de puxar o saco de ninguém).

    Quando pequeno, ainda consegui viajar de trem algumas vezes. No mundo dito desenvolvido, o trem é um meio de transporte respeitabilíssimo que nunca foi sequer cogitado de ser substituído por outro. Como o Pai dizia, foram os milicos e o rodoviarismo com lobby da GoodYear e da Mercedes-Benz que se, por um lado, uniram o país, por outro destruíram o meio ambiente e a tranquilidade nas ruas e estradas do país.

    []’s,
    Héllio
    _____
    do blog:
    Hélio: Também “adoro” trens e ferrovias, desde meus tempos de criança. Uma vez fugi de casa – mas voltei logo logo – pelos trilhos da antiga (na época ainda inglesa, pelo que me lembro) Companhia Paulista de Estradas de Ferro… Quanto a subir (no caso, não “subir mais”) na vida, segui o exemplo do teu pai; odeio “puxa-saquismo”, palavra que ao meu ver é sinônimo de incompetência.

  2. carlos rosa Says:

    CARO AMIGOS BOM DIA. ISTO ACONTECE AQUI NO RIO DE JANEIRO. EM VARIOS MUNICIPIOS O GOVERNADOR DO ESTADO JUNTO COM OS SECRETARIOS E OS PREFEITOS QUE JA FORAM ETE DENUCIADO PELA MIDIA CONTINUA A FEZER FALCATRUAS COM EMPRESAS. VOU DAR UM EXEPLO AQUI EM PETROPOLIS TEM UMA EMPRESA DE OBRAS QUE FOI CONTRATADA P/ PREFEITURA P/ RECUPERAR AS VIAS, A MESMA DIS QUE E MELHOR TAPAR OS BURACO ONDE GANHA MAIS DO QUE ASFALTAR A MESMA VIA.

Comentários encerrados.


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