O Debate em Campo Grande

As eleições deste ano, em Campo Grande, estão mesmo muito chatas. Sem calor e, o que é pior, sem luz. Analisem, por exemplo, o debate entre os cinco candidatos a prefeito, patrocinado por uma emissora de televisão. O Correio do Estado chamou-o de “morno, repetitivo e sem confronto”. Nada mais verdadeiro.

Essas eleições já estavam definidas desde o início do ano, quando candidatos de apelo popular como Dagoberto Nogueira, do PDT, e Maria Aparecida Pedrossian, do PR, foram defenestrados no “tapetão” dos conchavos inter-partidários e traições intra-partidárias. O PT, que no município sempre fez oposição, neste ano, por imposição das alianças em nível nacional, viu-se enfraquecido por alas que pretendiam juntar-se a Nelsinho; e quando decidiu-se por candidatura própria, deu a impressão de que não era para valer. Sobraram para concorrer com Nelsinho, ou melhor, com a poderosa estrutura que Nelsinho representa, os nanicos PMN (com Iara Costa), PSOL (com Henrique Martini) e PSTU (com Suél Ferranti).

Mas vamos ao debate. Como frisou o Correio do Estado, a uma pergunta (sobre Saúde) da candidata Iara Costa, Nelsinho Trad “se esquivou de responder, e mais adiante Iara cobrou a resposta do prefeito, que acabou não respondendo”.

Comentário do blog: Não respondeu, certamente, porque na resposta deveria admitir que o sistema de saúde, em Campo Grande, não é a maravilha apregoada pelo seu marketing.

E o Correio continua: “Nelsinho quis saber o que Iara pensava sobre a regulamentação da Emenda Constitucional 29, aquela que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, Estados e municípios. Diante da evasiva de Iara, Nelsinho não titubeou: ‘A senhora não sabe de nada sobre a regulamentação da emenda 29. Quem critica tem que ter propriedade para criticar‘ “.

Comentário do blog: Bom, para a Direita faz sentido o que o prefeito diz. Nessa distorcida visão do mundo, um candidato ou eleitor que mora de aluguel, de favor ou com os pais não pode mesmo fazer críticas; não tem direito a nada. Para eles é preciso ter propriedade para ser alguém (se forem propriedades, no plural, muitas propriedades, melhor ainda, não é, prefeito?).

Ainda o Correio: “Suel, que atribuiu as mazelas sociais à existência do Capitalismo, inovou ao propor ‘mudar o modelo da sociedade’ e o funcionamento das creches durante 24 horas por dia, afinal, ‘Campo Grande não dorme mais‘ “.

Comentário do blog: Caro Suel, infelizmente o socialismo, como a democracia (vide Grécia Antiga) só funciona em comunidades pequenas, limitadas e isoladas do mundo (vide as comunidades religiosas dos menonitas; na Bolívia e Paraguai há muitas). Fora dessas condições, é a Lei do Mais Forte, da qual o Capitalismo é apenas o cognome eventual.

Esta é inacreditável: “Nelsinho bem que tentou induzir a resposta de Teruel, questionando o petista sobre o fato de Campo Grande estar em primeiro lugar no ensino público no Brasil. Mas o petista não caiu na cilada” e desviou o discurso para outros temas.

Comentário do blog: Teruel não devia ter desviado, pois pegaria o prefeito numa grande mentira e numa possível desonestidade. Como este blog denunciou há algumas semanas, Campo Grande não tem o melhor ensino público do Brasil. Denunciou e provou (clique aqui para ver o artigo, com farta documentação). Tanto é verdade que o marketing do prefeito retirou, poucos dias depois, toda referência ao assunto em sua propaganda midiática . Ora, se houve essa retirada da propaganda enganosa, o prefeito deve ter sabido (neste caso houve desonestidade no debate, pois apresentou como verdade o que sabia ser mentira) ou não (neste caso, mais um político despreparado que “não sabe de nada”). Prefeito, o ensino de Campo Grande está capenga. Ideb 4,9 não é para orgulhar nem Tonqualinara do Carabobó. O melhor ensino público do Brasil, considerando áreas geográficas com população igual à de Campo Grande, está no Estado de São Paulo: mais especificamente no noroeste dessa unidade da federação, onde ficam os municípios campeões nas primeiras 4 séries do ensino fundamental – Adolfo e Santa Fé do Sul, com idebs 7,7 e 7,6 , e em São José dos Campos (ideb 4,6 contra 4,2 de Campo Grande) e cidades circunvizinhas, para as 4 séries finais do ensino fundamental.

Henrique Martini só mereceu, do jornal, a referência de que “foi acusado de demagogo”. Talvez por ter tocado num ponto sensível, ou seja, ter argumentado que as casas entregues à população de baixa renda têm apenas “30 metros quadrados, menor que o banheiro dos governantes”.

Na avaliação deste blog, o candidato mais preparado é o empresário Pedro Teruel (PT). O mais sonhador, Suel Ferranti (PSTU). O que tem o discurso mais articulado, Iara Costa (PMN). O mais discreto, Henrique Martini (PSOL). A voz mais engana-velhinha, Nelson Trad Filho, da coligação quilométrica. Mas se a eleição fosse hoje, eu votaria na Iara Costa, por me parecer a mais autêntica.

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Uma resposta to “O Debate em Campo Grande”

  1. Rosangela Says:

    Eu fico indignada com esse povo, sofre na fila dos postos de saúde, nos onibús, com os impóstos todo ano aquele absurdo e ainda acredita que o atual prefeito é o melhor candidato, muda Brasil, vamos pelo menos tentar o que o próximo pode fazer, pior não vai ficar , esse já deu o que tinha que dar.

Comentários encerrados.


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