“O Supremo Volta do Recesso . . .”

Transcrição parcial de artigo de HÉLIO FERNANDES no TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE de 17/07/08:

O Supremo volta do recesso em 1º de agosto

E se revogarem as liminares que soltaram Daniel Dantas?

Essa questão provocada pela prisão de Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta está cheia de “coincidências e contradições”. O agora ministro-presidente do Supremo, Gilmar Mendes, não é a primeira vez que se envolve com processos de Daniel Dantas. No governo FHC, ninguém mandava mais do que Nelson Jobim. Que conseguiu a nomeação de Gilmar Mendes para advogado geral da União.

Durante o amaldiçoado processo de DOAÇÃO de parte substancial do patrimônio do Brasil, Daniel Dantas foi incluído entre os beneficiados. Foi a sua REVELAÇÃO COMO POTÊNCIA. Ganhou o direito de se associar à Petrus (fundo da Petrobras) e à Previ (fundo do Banco do Brasil), protegido e garantido pelos “gênios da economia” do governo FHC.

Protegeram, favoreceram e foram favorecidos por Daniel Dantas: André Lara Resende, Mendonça de Barros (demitido desonrosamente pelo próprio FHC, quando ainda estava no Senado ouvindo discurso no estilo Pedro Simon) e Pio Borges (presidente da Comissão de Desestatização), todos donos de fortunas fabulosas. Gilmar Mendes, advogado geral da União, teve que intervir na questão, “influenciado” por Jobim.

Logo depois, ainda pelo prestígio e influência de Nelson Jobim, Gilmar Mendes chega ao Supremo. Agora, alguns anos depois, se encontra “nos autos” com o mesmo Daniel Dantas. Sem esquecer o passado, subverte a hierarquia judiciária, solta duas vezes Daniel Dantas. O assunto ganha relevância nacional, a repercussão negativa é completa, o Supremo sempre foi respeitado, mesmo errando.

Numa decisão estranha, esdrúxula e inaceitável, o presidente do Supremo vai se encontrar com o presidente da República numa evidente burla à Constituição. E quem leva com ele? O protetor, Nelson Jobim. O que fazia ali o ministro da Defesa?

O Supremo representado por Gilmar, o Executivo pelo presidente Lula, por que o Congresso ficou de fora? Garibaldi Alves devia estar ali, os dois ministros não representavam coisa alguma.

E começa ou continua o rol de incongruências, que palavra. O advogado milionário do cliente bilionário deveria ter entrado com habeas-corpus para seu cliente não ir depor. Ele mesmo se fartou de dizer na televisão, “meu cliente não responderá a coisa alguma”. Lógico, não quis complicar mais a vida de Gilmar. Daniel Dantas estava sabendo de tudo, teve habeas-corpus pedido pelo mesmo causídico no dia 11 de junho. Antes da explosão e prisão, vazamento? Ou precaução?

Mais “coincidência”. O delegado que há 4 anos dirige as investigações é afastado inesperadamente. O superintendente da Polícia Federal diz que “ele pediu afastamento”. O delegado nega. Não podia resistir à tentativa de suborno, devia ter aceitado. Os dois auxiliares que trabalhavam com ele, também afastados e também garantindo que não pediram para sair.

Agora, Daniel Dantas e Jobim indicarão os substitutos. Quem pode afastar os três delegados? O superintendente da Polícia Federal, subordinado ao ministro da Justiça. Que República.

Lógico, visível, razoável e compreensível. Gilmar Mendes, sorridente e satisfeito, diz: “Não há crise entre o Executivo e o Judiciário”. Então, por que foi conversar com o presidente da República, insultando a Constituição?

PS – Essa questão Daniel Dantas vai longe. Ele mesmo acha que é por aí. Está com medo da investigação do suborno do delegado. Que aliás já foi afastado, “golaço de Dantas e do advogado milionário do cliente bilionário”.

PS 2 – Daniel Dantas só tem uma saída: dizer que não sabia de nada. Que auxiliares dedicados tentaram “resolver” por conta própria. Esses “auxiliares dedicados” aceitarão ficar com a culpa, presos e o patrão livre?

(. . .)

Os 10 ministros do Supremo em recesso têm conversado em Brasília e até fora de Brasília. Compreensível. A partir de 1º de agosto serão personagens ativos e privilegiados. Por enquanto não têm voz nem voto. Mas recuperarão imediatamente dentro de 13 dias. A primeira questão a resolver: votarão as liminares concedidas por Gilmar Mendes libertando Daniel Dantas duas vezes? Imprevisível.

Por convicção, Gilmar Mendes teria 7 votos contra. Mas a vida não é feita de convicções e sim de oportunidades. O problema: como os ministros ficam até os 70 anos, o governo não tem pouco a oferecer.

Conheço liminares que ficaram anos sem serem votadas e ninguém reclamou. É verdade que não tiveram a repercussão de agora. E o Conselho de Justiça? Gilmar disse que mandaria as decisões para lá.

Muita gente que estava tranqüila tem perdido o sono. Eike Batista, que se julgava seguro, divulgando, “sou o homem mais rico do Brasil e serei o mais rico do mundo”, está revoltado.

Diz que foi “atingido por amadores primários, que não sabem o que fazer”. Mangabeira Unger, que disse horrores de Lula, o melhor caminho para ser ministro dele, foi acusado de ter recebido 1 milhão de dólares de Daniel Dantas, pessoalmente.

Um grande amigo de Daniel Dantas, que era diretor da CVM, favoreceu desabridamente o amigo. Foi demitido do cargo na CVM, e proibido de operar durante 1 ano. “Opera” no Country, diária e satisfatoriamente.

Grande problema para Daniel Dantas: o processo do Citibanque contra ele, calculado em 500 milhões. Era Naji Nahas que tratava disso, Daniel Dantas não ia aos EUA, com medo de ser preso.

E agora que Naji Hahas não pode sair do Brasil, e Daniel Dantas muito menos, quem cuidará desse processo? Há anos (na época da Kroll), o próprio Dantas confessou: “Se perder, vou à falência”.

O que Daniel Dantas dizia e repetia com visível orgulho e satisfação: “Não tenho nada com Cacciola, não sei por que chamam ele de banqueiro”. Cacciola dizia o mesmo de Dantas.

Mangabeira Unger garante: “Nunca ouvi falar em Daniel Dantas”. Tem a mesma credibilidade de quando assumiu um ministério no governo Lula, não se lembrando que atacara violentamente o presidente.

Como Daniel Dantas é criminoso financeiro há mais de 20 anos, muita gente está sendo “ressuscitada”. Movimento enorme no São João Batista.

O único fato que não enterra ainda mais Daniel Dantas é a participação dele no mensalão. Deu a Marcos Valério apenas 132 milhões de um total “movimentado” de 6 bilhões. Por aí, escapa.

Na verdade, o espanto pelos personagens que aparecerão envolvidos tem duas vertentes assombrosas.

1 – A luta da Telecom Itália com o Opportunity.

2 – A ligação de Dantas com os fundos. Aí não são 6 bilhões, a importância vai para a casa de CENTENAS DE BILHÕES. Chegarão lá?

De qualquer maneira, digam o que disserem, tentem esconder de todas as maneiras, há uma crise de Poderes. Tanto que Gilmar Mendes diz “não sofrerei impeachment”. O que não deixa de ser surpreendente.

É evidente e mais do que comprovado que o chefe de gabinete pessoal de Lula, Gilberto Carvalho, não seguiu o padrão de Ética, socorrendo o amigo Luiz Eduardo Greenhalgh. Este, não tendo conseguido obter dados que precisava, recorreu ao amigo.

Gilberto Carvalho consultou a Abin, o Detran (para verificar uma placa), voltou a Greenhalgh: “Nada disso é verdade, tudo é falso”.

Informação privilegiada. Gilberto entrou de licença, alguma ligação? Voltará ao cargo? Então por que a licença na crise?

(. . .)

Daniel Dantas sabe que o seu roteiro de crimes financeiros chegou ao fim. Não há recuperação. Celso Pitta vivia de mesada de Daniel Dantas “recolhida” por Naji Nahas, mensalmente.

Surpreendentemente, quem está em melhor situação é Naji Nahas. Vai se livrar da convivência com Daniel Dantas, continuará investidor.

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