“Fundo do Poço”

O Correio do Estado, jornal de maior circulação em Mato Grosso do Sul, publicou hoje, 10/07/08, o seguinte editorial :

Fundo do Poço

Sem tentar entender os interesses que devem estar em jogo com a prisão de figurões como Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta, o fato em si não chega a ser surpreendente assim, pois todos têm ficha criminal extensa, embora isto nunca tivesse impedido que continuassem reinando no submundo dos negócios e da política. Ceticismo à parte, as detenções, por mais que possam trazer a impressão de que a impunidade já não reina no país, também não devem destronar nem um dos três mais ilustres “prisioneiros” ou algum dos outros 11 que foram levados temporariamente à cadeia pela Polícia Federal. O que pode acontecer é algum dos detidos prestar depoimentos que possam ser auxiliar na investigação.

O surpreendente neste caso, porém, é a informação de que o banqueiro Daniel Dantas, que ofereceu US$ 1 milhão para o delegado que investigava o caso, dizia, por meio de seus emissários, não temer o desdobramento de qualquer acusação no Superior Tribunal de Justiça ou no Supremo Tribunal Federal, nos quais conseguiria, com facilidade, reverter a situação a seu favor. Seu temor era na primeira instância. A julgar pelo valor irrisório que seria pago ao delegado é possível concluir que os interlocutores não estivessem contando vantagem ao dizer que com o STJ e o STF não haveria problemas. O valor é irrisório levando-se em conta o poder econômico e o jogo de interesses em questão. Em MS, pessoas investigadas que têm menos de um centésimo da fortuna de Daniel Dantas chegaram a oferecer três vezes mais a delegados da PF e a magistrados. Para corroborar esta desconfiança, há mais de três anos a polícia, Ministério Público e políticos envolvidos na CPI dos Correios tentavam destrinchar um disco rígido apreendido no Banco Opportunity com informações comprometedoras sobre a atividade do banqueiro. O STF relutou durante anos para permitir a utilização destas informações. Além disso, mal a operação da PF estava concluída e já havia ministro do Supremo condenando o “quadro de espetacularização” das prisões, o que, segundo este magistrado “dificilmente é compatível com o Estado de Direito”. As declarações vieram do magistrado que, sabidamente, iria julgar pedido de libertação dos envolvidos, embora o normal fosse a isenção.

Atualmente, uma das poucas instituições que ainda merecem crédito é o Judiciário. Porém, se alguém com o poder de um Daniel Dantas se declara, abertamente, acima do bem e do mal, então chega-se à conclusão de que também ali as decisões são tomadas de acordo com o tamanho da conta bancária, assim como normalmente ocorre com as decisões tomadas nas esferas do Executivo e do Legislativo. Quer dizer, a divulgação das declaraços dos corruptores a respeito dos ministros são mais importantes que as próprias prisões de uma dúzia de poderosos. Caso não seja comprovado que estes blefavam, a Operação Satiagraha terá evidenciado que a situação no País é mais grave do que se imaginava.

Opinião do Blog :

Posso estar errado, mas acho que num país de Primeiro Mundo, esse ministro, que veste despudoradamente a carapuça proposta por um meliante, seria destronado. Ou não ?!

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