“A Oposição Não Conseguiu Torturar Dona Dilma”

Transcrição parcial de artigo de Hélio Fernandes na Tribuna da Imprensa de hoje, 09/05/2008 ( clique aqui para ler o original ) :

A oposição não conseguiu torturar Dona Dilma

Mais do que ela foi torturada na ditadura

Não podia ter acontecido nada de melhor a Dona Dilma do que a ida ao Senado. Aplaudida, reverenciada, ouvida com atenção, foi um tremendo sucesso. Mas deve agradecer ao líder do DEM, Agripino Maia, que cometeu um dos maiores erros de sua vida. Ler uma declaração antiga da própria chefe da Casa Civil, recordando seus tempos de prisão (3 anos seguidos) e a tortura a que foi submetida (com todos os tipos de barbaridades já inventadas), foi abrir o caminho de Dona Dilma.

O senador do Rio Grande do Norte mostrou para um auditório perplexo (e que não se restringia apenas ao Senado, era visto pelo Brasil todo) que não sabe o que é prisão, não tem a menor idéia do que é tortura, o que é sofrer mas resistir para não comprometer a muitos que seriam sacrificados se o prisioneiro (no caso ela) fornecesse as informações tão desejadas.

(No auge da “guerra fria”, a CIA e a KGB ficavam revoltadas quando recebiam informações de que prisioneiros haviam falado, entregaram informações que derrubariam muitos militantes. Depois da revolta veio a compreensão, e os dois órgãos tomaram a providência acauteladora: nenhum agente saberia mais do que 20 ou 25 por cento de informação, o resto iriam sabendo ou recebendo das formas mais diversas).

Dona Dilma não precisou dessa “proteção ou blindagem”, se protegeu com a própria coragem, com a convicção de que se falasse iria ser igualmente sacrificada e sacrificaria companheiros que nem conhecia. Mas para isso é preciso de uma força e de uma coragem que só os que foram presos muitas vezes, estiveram nos subterrâneos da tortura (como o DOI-Codi e sua filial paulista, a Operação OBAN), podem contar até mesmo com orgulho.

Isso que do ponto de vista humano coloca Dona Dilma no plano de resistência de um Luiz Carlos Prestes ou de um Carvalho, não podia ser lembrado por ela, iriam dizer: “Dona Dilma está se escondendo atrás de episódios do passado, com isso não responderá a coisa alguma”. Pois o senador do DEM, impensada, inconsciente, insensatamente trouxe ele mesmo para o debate o momento mais alto da vida de Dona Dilma.

A veemência com que ela respondeu a Agripino Maia, emocionando todo o auditório, veio provar que ninguém esquece a tortura. E que nesses 40 anos que se passaram, ela deve lembrar incessantemente os 3 anos realmente inesquecíveis.

Como é que um homem como Agripino Maia pôde dar a Dona Dilma a oportunidade certamente aterrorizadora, mas naquele momento de recordar toda a crueldade que sofreu durante 3 anos? Ela não podia silenciar. E pela primeira vez elevando a voz, deixando que tudo aquilo explodisse em público, principalmente para os que não conhecem os fatos, massacrou o senador com a verdade.

E ele, que queria acusá-la de ter MENTIDO para a ditadura e portanto ser capaz de MENTIR para a democracia, quando ela começou a falar, não sabia se pedia desculpas a ela, ao público, aos companheiros ou se ia embora derrotado, dizimado, destroçado. Ficou, mas aquele momento ficará na sua memória como a tortura é uma história inesquecível para Dona Dilma.

PS – A convocação de Dona Dilma acabou ali. A oposição, desolada, olhava para Agripino Maia, quase perguntando, “até tu, Brutus?”. Durante muito tempo, Agripino Maia não falará.

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Agripino Maia deveria pedir demissão da liderança do DEM. Do ponto de vista humano, cruel e selvagem. Como político, sem visão dos fatos, enterrou o partido, fez sobreviver os adversários, que pareciam encurralados. (Na página 3, análise em profundidade).

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Numa pesquisa informal para saber qual era o bandido mais perigoso, Quartiero ou o mandante do assassinato do Pará, deu empate. 50 por cento votaram no bandidão que está preso, 50 no bandido que foi solto.

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