Reflexões Políticas

Charutos e Factóides

Se Fidel Castro dá uma caixa de charutos a Lula, a Mídia se lembra dos “infelizes” cubanos que vivem sob a batuta do “ditador”, e aproveita para desancar esse operário metido a besta, que ousou ocupar um cargo normalmente reservado a fantoches da “elite”.

Se Fidel Castro dá uma caixa de charutos a Niemeyer, a mídia se preocupa com a saúde do bom velhinho, unanimidade nacional (no dizer de Hélio Fernandes) como Chico Buarque e Millôr.

Se Niemeyer dá uma caixa de charutos cubanos a Lula, a mídia finge que nada aconteceu.

Se o leitor vê nisso mero preconceito de classe, examine melhor a questão, e veja se não se trata de racismo. Para a auto-denominada “elite”, Lula (e eu, e você) somos de alguma raça inferior, nascida para servi-la. Mas essa história de dividir o mundo em raça superior e raça inferior, como implicitamente faz a “elite” através da Mídia, já não deu errado uma vez? Procurem, nos livros de História, pelo período entre 1938 e 1945 . . .

Classe Média e Classe Mérdia

Conheço uma pessoa que é de classe média. É e sempre foi um bom funcionário, honesto e competente. Acha que sabe pouco e preocupa-se constantemente com aprender, seja lá com quem for (seguindo o conselho do provérbio que estamos estampando em “Pensamento” nesta semana). Quando depara com um jovem pobre (talvez um vizinho) estudioso, entusiasma-se com a possibilidade de ver o time Cidadãos de Verdade F.C., tão minguado em quadros, crescer. Não encara o jovem como inimigo ou concorrente de seus filhos no mercado de trabalho. Ele diz: “quanto mais pessoas cultas o mundo tiver, melhor será o mundo; e a disputa, no mundo, é entre Sabedoria e Ignorância”.

Conheço uma pessoa que é de classe mérdia. Quando se aposentou (muito precocemente, justificando aquela famosa frase do FHC), nem ele nem ninguém percebeu, pois sempre foi um funcionário folgado, desses que passam o tempo todo se queixando do “patrão” governamental, que lhe pagaria “uma miséria”. Entrou no serviço público mediante fraude em concurso, patrocinada por um político em ascenção. Passou todos os anos de carreira atrapalhando aquele grupo de funcionários que realmente se importava e que fazia todo o trabalho da repartição. Quando vê um jovem pobre estudando ou se empenhando seriamente em alguma tarefa, procura ridicularizá-lo, pois essa pessoa, acha o folgado, poderá no futuro tomar o lugar de seu filho, que é ainda mais inútil que o pai. Mas, pergunta o leitor, o cara não vai arranjar uma sinecura para o filho, assim como arranjou para si? Então eu respondo: e a concorrência? A cada ano aumenta em 5% (sou otimista, sou otimista!) o número de folgados que pretendem viver à custa dos outros, odiando trabalho e estudo. No tempo do folgado em questão, havia poucos candidatos a essas vagas fraudadas; agora há um número estonteante e crescente… Sem contar que cinqüenta por cento das vagas devem mesmo ficar para os que têm algum mérito, pois do contrário, quem iria fazer o serviço?!

PISA neles !

Falam muito da baixa escolaridade do Lula (que diz menas, fazendo o advérbio flexionar com o substantivo), contrapondo-a à alta escolaridade de FHC (que diz, erroneamente segundo os linguistas, mais bem em lugar de melhor, e dá à palavra leguleio um sentido de quem ouviu o legugalo cantar mas não sabe onde). Tem-se a impressão, lendo e ouvindo a Mídia nativa, de que todos os outros governantes do mundo (Bush, Sarkozy, Putin, etc.) e do Brasil (governadores e prefeitos de capital) são maravilhas da natureza, sustentáculos do Universo, enfim, seres superiores.

Ora, se existe um Programa de Avaliação de Estudantes de 15 Anos (sigla em inglês, PISA, ou Programme for the International Students Assessment), porque não propor à mesma OECD um Programa de Avaliação de Chefes de Governo atuais e Chefes de Governo de períodos anteriores (assim incluindo Clinton, Ford, FHC, Collor, Sarney, Itamar, Figueiredo)? O mundo descobriria o quanto essas figuras de proa sabem de Matemática, Conhecimentos Gerais, Ciência e Cultura. Ficaria o Lula em último lugar? FHC em primeiro entre a elite vassala? Alguém arrisca um palpite? Algum dos Chefes de Governo atuais e anteriores fugiria covardemente do teste? Tenho a impressão de que não seria Lula esse fujão; e tenho a impressão de que haveria fujão para mais de metro . . .

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