Matemática e Poesia

Pode-se definir poesia como a junção criteriosa de palavras, de modo a levar o seu leitor a um sentimento (ou conclusão) surpreendente, inusitado, possivelmente até diferente daquele que o autor pretendeu provocar. Mas, e se juntarmos numerais, sinais e fórmulas matemáticas, de forma a obter uma solução que parecia impossível, trazendo uma agradável surpresa ao estudioso: isto não seria também um poema? Acredito que sim, pois essa surpresa é do mesmo gênero daquela causada pelo poema-palavras.

Vou citar um caso-poema (um pequeno poema, é certo: um hai-kai) em que a surpresa não está no resultado obtido, mas sim, no modo como se transpôs o espaço entre o problema e a sua solução. Vejamos uma seqüência, no livro “Cálculo”, do norte-americano James Stewart, onde ele, depois de propor que se divida numerador e denominador por x, transforma de chofre a equação da esquerda na equação da direita:

limites_1

Ora, a gente, seguindo literalmente o conselho, desenha as fases intermediárias abaixo, que evidentemente não levam a lugar algum, pois o conteúdo da raiz quadrada continua intacto.

limites_2

A solução verdadeira consiste em aplicar dois “truques” até que bem conhecidos. Mas deixo essa tarefa para o leitor que gosta de matemática e/ou quebra-cabeças. Mandando a solução através dos comentários desta postagem (clique em “nenhum comentário”, ou, se aqui já houver um comentário, em “1 comentário”) o leitor ganhará um exemplar do livro “Tom Sawyer, Detetive”, de Mark Twain. Portanto, ao poe…, ops, ao trabalho!

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2 Respostas to “Matemática e Poesia”

  1. saulo Says:

    matematica é vida
    e sem ela morreremos

  2. Antonino Says:

    sqrt(2x²+1)/x = sqrt(2x²+1)/sqrt(x²) = sqrt((2x²+1)/x²) = sqrt(2+1/x²)

    A solução é simples depois que a conhecemos, porém mais importante mesmo é o caminho, o percurso, essa é a verdadeira solução.

    Muito interessante a sua visão poética do cálculo, e do raciocínio.

Comentários encerrados.


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