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A Moça, o Macho-beta e a Manada

Novembro 9, 2009

De acordo com o depoimento da jovem Geisy (no programa Geraldo Brasil, da Record), que tem todos os parâmetros de autenticidade, o triste episódio ocorrido na “universidade” de São Bernardo do Campo – SP teve quatro momentos distintos:

1) A moça desfila pela “universidade” seu modelito absolutamente comum, um vestido curto, mas nunca um micro-vestido como querem alguns afoitos. Provavelmente ela fez isto abusando de alguns requebros, como que provocando um grupo de machistas (não, evidentemente, toda a “universidade”). Nesta fase, provoca assobios de admiração (parece que, dentre os que vestiam calças masculinas na “uniban”, havia uma certa percentagem de homens) e, concomitantemente, olhares de reprovação de funcionários (os pés-de-chinelo pelos quais a Esquerda – muitas vezes incluído o blogueiro – vem se batendo, ingloriamente) e de um grupo de mulheres (estas, sem dúvida, de olho, não nas pernas de Geisy, mas no seu belo rosto).

2) O grupo machista, “liderado” por um macho beta (provavelmente um filhinho-de-papai que recebeu do progenitor, como prêmio, o título de Macho Alfa, quando esse título, num grupo de primatas, só pode ser conquistado junto às fêmeas e aos outros machos do bando), resolveu, como contraponto ensaiado a um episódio anterior, “dar o troco” à espevitada loura, promovendo “de brincadeira” um bulliyng.

3) Diante da inércia da reitoria, o ato infame, desenvolvido num momento em que os estudantes deveriam estar absorvendo conhecimentos, vai assumindo proporções assustadoras, de tal forma que alguém resolve “chamar a polícia”. Esse alguém esquece de avisar o macho beta e sua manada de puxa-sacos de que a intenção é apenas retirar a moça do local, com segurança, e não desafiar manada e dono-da-manada.

4) Machobeta acha que “querem estragar a sua brincadeira” e, confiando na “força” da turba que o segue, avassaladora diante de um pequeno número de policiais intimidados (ou também machistas), inicia um coro de “puta! puta! puta!”. Nessa altura alguns voyeurs sacam seus celulares e começam a filmar a triste cena nazi-covarde, preocupando-se em mostrar a moça, e nunca os seus algozes (seriam eles “tabu”?).

Bom, quando um episódio envolvendo comportamento humano coletivo é tachado de incompreensível, provavelmente algumas verdades estão sendo cuidadosamente escondidas. No caso uniban desenvolvi uma teoria, muito timidamente sugerida por um estudante daquela “universidade” que fez comentários no blog do Luís Nassif.

Minha hipótese é a seguinte: um filhinho-de-papai (com um brilhante futuro pela frente, se o Brasil atual não desmoronar antes) pensa que é Macho Alfa e tenta obter favores da estudante Geisy. Ou melhor, chega-se à Geisy e a intima a entregar-lhe “favores”. A moça, apesar de pobre (trabalha num mercadinho de bairro, recebendo cerca de R$ 400 por 6 horas diárias) não se impressiona com a figura, desdenhando da sua pretensa condição de Macho Alfa; mesmo porque, entre os primatas, um Macho Alfa de verdade não trata como “vadias” as fêmeas que quer fecundar. O aprendiz de garanhão (na verdade um simples macho “beta”, talvez mesmo algumas letras gregas abaixo) fica mortalmente ferido em sua vaidade e planeja uma vingança.

Machobeta reune o tradicional cordão de puxa-sacos (também fornecido pelo dinheiro ou pela influência política de Papai ou Mamãe) e inicia uma campanha contra a moça. Bem ao estilo do machista pé-de-chinelo (poxa, onde ficou a nobreza da família de Papai?!!), pensa: “Se ela não quer dar para mim, não vai dar pra mais ninguém!”. E estabelece que o bulliyng será perpetrado no dia tal, hora tal. Diversão garantida, para Machobeta e sua trupe.

Mas alguma coisa dá errado; a polícia intervém, a frustração machista chega ao paroxismo e os vídeos vazam para a Internet. Nos dias seguintes Machobeta, que nem de beta tinha nada, vira Machobambi, pobre vítima da moça malvada que foi à TV defender-se dos epítetos divulgados (por acólitos da figura) na Rede Mundial.

Acho eu que, fosse ele pobre, ele assumiria sua cafajestice (“Foi mal, Galera!”) e ainda viraria celebridade. Defenderia pelo menos a letra Beta. Mas, sendo filhinho de papai, a sua exposição nessa furada de Macho Zeta poderia estragar planos políticos futuros. Que, com a cumplicidade da citada “universidade” e de um bando de outras instituições, continuarão em aberto, para desgraça da sociedade brasileira.

Quase tão machista quanto o comportamento da figura é o comportamento da “instituição de ensino”, uma das piores do Brasil (dentre 175 listadas, ela só ganha de 15, perdendo para 158; numa escala de conceitos que pode chegar a 500, ela só alcança 195). A uniban protege a tal figura que veste calças (e seus “amigos”) e expulsa a moça vitimada…

Bom, esteja ou não correta a hipótese aventada acima (onde está o Jornalismo Verdade, tão apregoado pela Grande Mídia?), o certo é que a moça não foi perseguida por causa da roupa que vestia (e que pode ser vista aqui ), roupa essa que só os talibans diriam ser inadequada para uma universidade ou mesmo para uma igreja. Lembro até hoje que, há 40 anos atrás, num curso noturno (Normal), uma das alunas veio trajada com um vestido bem curto e com menos panos do que o da Geisy. Os poucos homens da sala (inclusive o blogueiro) ficaram, naturalmente, “babando”, pois a moça era bonita e tinha um corpão perfeito. Não havia vulgaridade, mas apenas beleza e uma pitada de sedução. Ninguém tentou linchar a moça, que deve ser hoje professora aposentada, feliz com seus muitos filhos e netos…

P.S. – A propósito dessas maravilhas de seres humanos (valendo dizer que os que queriam linchar a Geisy foram “apenas” 20 ou 30 unibambis, e não toda a uniban), há um divertido vídeo no Youtube ( clique aqui ).

“Um Debate Falso”

Agosto 23, 2009

Transcrição de artigo de Maurício Dias, escrito para a coluna “Rosa dos Ventos”, na revista CARTA CAPITAL. Para ver o original, clique aqui.

O depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, feito no Senado, expôs o desespero da oposição de manter acesa a chama do denuncismo que alimenta as manchetes dos jornais e o noticiário político em geral.

Tudo o que se ouve e se vê faz parte do jogo maniqueísta que se pratica. Portanto, é elementar e superficial por definição. Sem condições de enfrentar a avassaladora presença das ações do governo, os oposicionistas inventaram uma pauta de acusações em que se transfere para os acusados o ônus da prova.

É uma agenda falsa que a dobradinha oposição e imprensa tenta impor ao governo. Neste caso, com o objetivo de desconstruir a candidatura de Dilma Rousseff.

Recorro ao insuspeito ex-deputado Roberto Jefferson, que, no blog dele, acompanhando o depoimento de Lina Vieira, arrancou a máscara do episódio:

“Por enquanto, o assunto continua a ocupar os jornais e os discursos, apesar de não haver provas e sequer a data exata em que Dilma teria pedido que a investigação contra a família Sarney fosse acelerada. Mas para matar a cobra nem sempre é preciso mostrar o pau – a mera hipótese já causa estragos.”

Expert em efeitos políticos especiais, desde que fez a denúncia, sem provas, do que ele próprio apelidou com sucesso de “mensalão”, esse veredicto de Jefferson não é contaminado de suspeição pela causa governista.

A oposição demo-tucana se iguala aos piores momentos do PT na oposição. Os efeitos, no entanto, são desiguais. Os atuais oposicionistas têm a imprensa à disposição, por afinidades políticas avoengas, e produzem resultados devastadores ao adversário, embora circunscritos quase inteiramente ao eleitor passivo do universo letrado e conservador.

A oposição, arrastada pelo passe livre que tem na mídia adota um princípio primário e equivocado: quanto mais as coisas pioram, melhores se tornam.

Por isso, faz sentido o esforço oposicionista para ignorar a agenda real do País.

O governo oferece à sociedade PAC, Bolsa Família, Unasul, ProUni, Cotas, os programas de luz e moradia popular, além do não alinhamento automático com os Estados Unidos, entre outras iniciativas políticas.

A oposição reage com uma agenda de interesse eleitoral, travestida de discurso ético. Um flagrante desse confronto: na quarta-feira 19, enquanto se trombeteava a denúncia vazia e suspeita de Lina Vieira, o governo anunciava que o programa Bolsa Família atingia a marca de 573 mil famílias beneficiadas.

José Sarney é outro exemplo fulanizado dessa agenda falsa.

Ao longo dos últimos 30 anos ou mais, a imprensa ignorou as denúncias contra os desmandos dele no Maranhão, estado cujo IDH ruboriza a nacionalidade. Concentrados em desmoralizar Sarney, aliado de Lula, os ex-aliados miram na desarticulação da base governista no Congresso.

A criação da CPI da Petrobras é resultado de outra trama. O foco em supostos problemas de corrupção deixa na sombra o propósito de enfraquecer o controle da decisão que está nas mãos do governo, cuja proposta, a construção de uma nova empresa para gerir a tarefa, reacende nos corações e mentes a campanha pela criação da Petrobras nos anos 1950: o petróleo (do pré-sal) é nosso.

A pauta real do País merece uma oposição forte. Conservadora, mas honesta nos propósitos políticos, capaz de orientar a decisão da sociedade. O que está em cena não é isso.

Opinião do blog:

1. A coragem de Lina me lembra a do Camundongo enfrentando o Leão. Com o Leão fugindo em desabalada carreira. Não do camundongo, é claro, mas da brigada de Ciclopes que se escondiam atrás do camundongo. Se é que, mesmo numa alegoria, camundongo pode esconder ciclopes. Mas parece que pode, já que na realidade brasileira atual os Ciclopes (Grande Mídia e Demotucanato, aparentemente obedecendo a interesses da Entidade Capitalista Mundial) procuram cuidadosamente agir nas trevas e depois colocar-se na penumbra para ver o estrago feito à nacionalidade brasileira.

2. Será que a ministra de Lula é a única autoridade, no Brasil, que tem desafetos? Será que se Lina fizesse essa denúncia contra FHC ou o próximo presidente (desde que este seja do grupo de Ciclopes) ela seria sequer ouvida? Por que não se ouvem os desafetos do também presidenciável Serra? Seria este um santo irreprochável?

3. Outro dia lojas maçônicas sul-matogrossenses e outras entidades fizeram mini-passeata e panfletagem, “indignadas com a corrupção vigente no País”. Disseram estar agindo “contra os Poderosos” brasileiros. E estamparam nas avenidas caras e bocas que lembravam muito a pose de oficiais nazistas (em Campo Grande) e personagens de Zé do Caixão (em Dourados). Isto pelas fotos que o blogueiro pôde ver nos jornais e Internet. As pretensas vestais se referiam, com essa farsesca Operação Cansei II, à alegada corrupção no nível federal, ninguém ligando para as mazelas locais ou regionais (notórios criadouros de corruptos federais), onde apareceriam, segundo um leitor douradense (que apôs comentário na coluna do Valfrido Silva), uma chusma de maçons.

4. Parece-me que os Maçons compartilharam e compartilham o Poder com todos os verdadeiros Poderosos do Brasil (leiam os livros de História). E quando digo “Poderosos”, aí não entra o Lula, que parece ser apenas um outsider, tolerado na Presidência mas sob vigilância e manipulação implacável das Forças Ocultas, e que talvez ainda seja derrubado por algum golpe branco estilo Honduras (balão de ensaio do totalitarismo travestido de Democracia). E eu pergunto: se os verdadeiros Poderosos do país são tão melhores do que Lula e do que nós, do Povo, porque não implantam no país a Meritocracia, no estilo japonês, por exemplo (ou norueguês, sueco, taiwanês)? Parece que nesse angu tem caroço!

5. É claro que uma Meritocracia provocaria devastações, e não apenas nas hostes privilegiadas (onde, pela ordem natural, ao pai rico sucederia filho classe-média-alta, neto classe-média-baixa, bisneto miserável) , mas também, e principalmente (em números absolutos) do lado do Povão, onde há “folgados” demais (já pensaram numa Bolsa Família condicionada ao desempenho escolar dos filhos dos beneficiados?).

6. Noto que pessoas ou instituições que se querem “superiores” geralmente não aceitam ser submetidas a provas. “São superiores”, e sua opinião divinal é mais do que suficiente. Ou, no dizer de Millôr Fernandes, um tipo de gente que não quer simplesmente ganhar a refrega com os adversários; quer “nem precisar competir” (o que, convenhamos, é mais fácil, embora indigno de pessoas que se dizem nobres).

7. A despropósito, continuo contra a CSS, excrecência que o Governo Lula pretende criar para substituir a famigerada CPMF. Diminuição da receita, na área da Saúde ou em qualquer outra área, deve ser resolvida com diminuição dos custos (via aumento da eficiência), e não com o aumento da já escrachante Carga Tributária. Nisso concordo com o demotucanato (que mudará radicalmente de idéia num improvável futuro governo Serra, ou num menos improvável governo Aécio)…

8. Também a despropósito, sou contra novas demarcações de terras indígenas e contra o estabelecimento de índices de produtividade para as atividades agropastoris. No primeiro caso, porque não se pode restabelecer o Passado, e os atuais detentores das “terras indígenas” também fizeram por merecer a sua posse, que é legal. No segundo caso, porque a exigência é discriminatória: por que só o setor agropecuário deve cumprir metas de produtividade ao estilo União Soviética? Ademais, quanto mais “produtiva” a propriedade agropecuária, mas devastadora é para com o Meio Ambiente. As terras “abandonadas” é que permitiram a conservação de amplas áreas do bioma Cerrado, áreas essas que de outra forma teriam sido destruídas (com aumento notável no assoreamento dos rios do Estado) pela sempre crescente “produtividade” (apenas no sentido econômico/financeiro) agropastoril.

Sorteios no Âmbito Público

Maio 11, 2009

Transcrição de matéria publicada no jornal A Crítica, de Campo Grande, edição de 10/05/2009:

Vereador Carlão mantém projeto que institui sorteio para entrega de casas

Mesmo diante da resistência da Agência de Habitação, o vereador Carlão reafirmou sua disposição de manter o seu projeto que institui o sistema de sorteio público, em dia, hora e locais previamente anunciados através de edital, com supervisão da Ordem dos Advogados e do Ministério Público, para escolha dos beneficiados com as casas populares construídas pela AMHA.

Pela proposta do vereador, [...] as informações sócio-econômicas [ dos ] inscritos nos programas de habitação vão passar pelo crivo de uma comissão integrada por um representante da própria agência, um da Câmara Municipal, da instituição financiadora do empreendimento, do Sindicato da Habitação e de entidades do movimento comunitário.

O vereador reconhece que atualmente falta transparência no processo de seleção, que é feito internamente, sem que a população saiba os critérios de escolha. “Isto dá margem para ação de golpistas que muitas vezes iludem alguns menos informados, tirando vantagem financeira com a promessa de garantir o acesso à casa própria”, argumenta Carlão. Hoje, o apadrinhamento político também compromete a própria qualidade da seleção, em que nem sempre, quem mais precisa, consegue a casa. “Muita gente sequer entrou na casa e já vende em troca de motos, carros usados ou de qualquer R$ 5 mil”, reconhece o vereador. Ele cita o caso do conjunto habitacional Leon Denizart Conte, na saída para Três Lagoas. “Menos de um mês após sua inauguração várias casas já estavam sendo vendidas”.

Opinião do Blog:

1. Taí um vereador (Carlos Augusto Borges) que apesar de pertencer ao PPS, partido atualmente de extrema-direita (vide o Jungman tentando provocar pânico entre os micro-poupadores), parece não ser do Time do Amém (isto é, o time onde o dono da bola, do gramado e das camisas é o prefeito – qualquer prefeito de média ou grande cidade, uma vez que no Brasil as práticas políticas corruptas viraram objeto de franchising). Ao invés de propor nome de algum inútil para logradouros públicos (de avenidas a banheiros de rodoviária, de dependências intramuros a curvas do vento), apresenta um Projeto de Lei de efetivo interesse popular.

2. Todos sabem que em Campo Grande (e nas outras cidades médias e grandes) esses programas habitacionais têm origem no Governo Federal, com recursos da Caixa Econômica Federal. Mas os dividendos políticos, graças a obscuros acordos de governabilidade, ficam com as Turmas dos Alcaides.

3. O Alcaide, que geralmente joga fora (seletivamente) toda a arrecadação própria do município, faz bonito com o chapéu do Lula: a) deixa felizes as empreiteiras “da casa”, que supostamente devolvem alguns trocados a tão genial administrador (em forma de financiamento de campanhas); b) passa a impressão de que se preocupa com o povo, financiando-lhe “moradias” (toscas ocas de 32 m2, caríssimas; ouvi outro dia uma das vítimas asseverar que “uma casquinha de ovo como esta poderia ser construída por R$ 3.000,00″, ao invés dos 12.000 pagos às empreiteiras); c) fomenta um dos braços do clientelismo, dando preferência a eleitores “fidelizados” a algum Curral Eleitoral (como, na antiga União Soviética, as preferências eram dadas aos “fidelizados” a alguma célula do Partido Comunista).

4. O sorteio acaba com a última das três sacanagens municipais, justamente aquela, de triste memória, que em outro contexto fez ruir o Império Soviético (pois é um incentivo ao parasitismo e à inoperância social). Quem diz que o Capitalismo (seja de Estado ou de conglomerados monopolísticos) não aprende?

5. Apesar de tudo parece que o Projeto de Lei não vai passar, pois os nossos tão previsíveis políticos preferem arriscar os dedos (e o prefeito quase perdeu um — literalmente — outro dia, no episódio da invasão de sua casa) a ceder algum anel de camelódromo. Mas vamos observar atentamente quem votou a favor e quem votou contra, tudo isto ajudando a formar nossa opinião para 2010…

Cristovam Buarque em Campo Grande

Abril 25, 2009

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) esteve ontem, 24/04/2009, em Campo Grande (hoje estará em Glória de Dourados). No recinto da Câmara Municipal, às 20 horas, proferiu, para cerca de 200 pessoas, uma palestra explicitando os fundamentos do Movimento Educacionista, que afirma ser a Educação “a única revolução necessária e possível”.

Excelente orador, com idéias claras e factíveis, o senador iniciou explicando a necessidade de o Brasil aproveitar-se da atual crise internacional para mudar radicalmente os parâmetros de seu desenvolvimento, saindo de uma economia baseada na indústria, principalmente mecânica (automóveis, eletrodomésticos), para uma economia baseada na desconcentração da renda e na disseminação universal do conhecimento.

Em seguida falou sobre o que seria uma “federalização” da Educação. A União assumiria paulatinamente a responsabilidade pela educação fundamental, de modo que em todo o País professores fossem igualmente valorizados e alunos recebessem o mesmo tipo de acesso ao conhecimento. Isto poderia ocorrer gradualmente, com a passagem para o sistema federal de um certo número de cidades por ano (adotadas uma após outra até que fosse atingido o limite anual de 100.000 professores re-lotados). Em 20 anos, todo o sistema de ensino fundamental estaria sob a responsabilidade do Governo Federal…

Falou também sobre a conveniência da escola pública fundamental ser tão boa que pudesse ser frequentada tanto pelo filho do trabalhador como pelo filho do patrão. E frisou que uma lei obrigando os detentores de cargos públicos por eleição a matricularem seus filhos na escola pública (isto a partir de 2016), induziria os políticos a, no interesse de seus filhos, dedicarem uma atenção verdadeira à qualidade do ensino público.

O senador merecia uma platéia maior, muito maior. Ou pelo menos uma platéia mais educada: na assistência, umas dez pessoas (que evidentemente não acompanhavam o perorar do senador) não paravam com o passa-passa entre as cadeiras, numa espécie de dança-de-São-Vito; outro cidadão ficou o tempo todo espalhafatosamente abanando, com um prospecto recebido, a orelha esquerda e a orelha direita (alternadamente, é claro); na mesa diretora, o vereador Pedra se dividia entre a inquietude e o dormitar. E tem muita gente que afirma, certamente induzida pela propaganda oficial da Prefeitura, ter Campo Grande “o melhor ensino público do Brasil” (o que denotaria um povo bem educado); na verdade a capital sul-matogrossense tem entre os municípios brasileiros a pífia posição 831ª no Ideb, e ainda assim compartilhada com mais 205 cidades

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O senador Cristovam Buarque na Câmara Municipal de Campo Grande. À esquerda, o deputado estadual Onevan de Matos; à direita o vereador Paulo Pedra e o deputado estadual Coronel Ivan.

Solidariedade ao Ministro Joaquim Barbosa

Abril 23, 2009

O blog Timblindim presta aqui a sua solidariedade ao Ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal.

Trata-se de uma voz claramente independente que, assim como o Ministro Marco Aurélio Mello e quase todos os outros, costuma julgar de acordo com a sua consciência e seus conhecimentos jurídicos, e não de acordo com a conveniência de uma ou outra das duas alas que digladiam no cenário nacional e infelicitam o País.

Se o Ministro fazendeiro (ou fazendeiro Ministro) quer ser respeitado, que primeiro respeite os seus interlocutores. Sem contar que fica muito claro que o tal fazendeiro mal-educado é apenas a mão-de-gato (o rabo seria Daniel Dantas) de um poderoso cartel que se recusa a deitar na Cama de Procusto da Democracia. Lembrem que a “revolução”, que foi chamada de “redentora”, é chamada agora de “ditadura”, inclusive por filhotes ingratos. E Gilmar acabará lembrado, na História desta república bananeira, como uma figura folclórica que, mordido pela mosca azul da presidência temporária, tratava seus pares, no Supremo, e mesmo os representantes do Executivo e do Legislativo, como capatazes de sua fazenda…