Imagino:
O Clube da Esquina se reune em novo local, provavelmente no Rio de Janeiro. Milton, Lô e Márcio. Todos estupefatos com o sucesso repentino, principalmente do moço Milton Nascimento. E preparam novo álbum. Mas, longe das raízes mineiras, a inspiração demora, parece ter sido deixada atrás pela pressa da viagem. E depois do quinto dia, a consciência, a cada 24 horas, de que “lá se vai mais um dia”…
Então a Musa aparece, disfarçada de nostalgia, estranha e incompreensível para essa gente tão jovem. Saiu um primeiro acorde, ou saiu um primeiro verso, e depois tudo foi se encaixando pouco a pouco. Ora a Musa passava a peteca para Milton, ora para Lô, ora para Márcio.
E saiu uma música perfeita, em que melodia e letra se harmonizam de forma explêndida. Saiu “Clube da Esquina nº 2″.
Você ouve mil vezes e não tem coragem de separar letra e melodia. Mas quando a coragem vem, você percebe que a letra é um belo poema, que conta um pouco da saga do grupo:
CLUBE DA ESQUINA Nº 2
Por que se chamava moço
também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou prá trás
ao primeiro passo asso asso …Por que se chamavam homens
também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos calmos calmos…E lá se vai
mais um dia…E basta contar compasso
e basta contar consigo
que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
e o coração na curva de um rio…E lá se vai
mais um dia…E o rio de asfalto e gente
entorna pelas ladeiras
entope o meio fio
Esquina mais de um milhão
quero ver então a gente gente gente…
A música (com muitas fotos do pessoal do clube) está disponível neste linque: letras.mus.br .
P.S.- A Wikipédia conta que a letra é de Márcio Borges, feita em 1979 (quando a melodia, de Milton e Lô, vem de 1972), a pedido de Nana Caymmi. Mas continuo apostando na minha versão.



