Arquivo da categoria ‘Música’

Isto sim é Poesia!

maio 17, 2013

Imagino:

O Clube da Esquina se reune em novo local, provavelmente no Rio de Janeiro. Milton, Lô e Márcio. Todos estupefatos com o sucesso repentino, principalmente do moço Milton Nascimento. E preparam novo álbum. Mas, longe das raízes mineiras, a inspiração demora, parece ter sido deixada atrás pela pressa da viagem. E depois do quinto dia, a consciência, a cada 24 horas, de que “lá se vai mais um dia”…

Então a Musa aparece, disfarçada de nostalgia, estranha e incompreensível para essa gente tão jovem. Saiu um primeiro acorde, ou saiu um primeiro verso, e depois tudo foi se encaixando pouco a pouco. Ora a Musa passava a peteca para Milton, ora para Lô, ora para Márcio.

E saiu uma música perfeita, em que melodia e letra se harmonizam de forma explêndida. Saiu “Clube da Esquina nº 2″.

Você ouve mil vezes e não tem coragem de separar letra e melodia. Mas quando a coragem vem, você percebe que a letra é um belo poema, que conta um pouco da saga do grupo:

CLUBE DA ESQUINA Nº 2

Por que se chamava moço
também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou prá trás
ao primeiro passo asso asso …

Por que se chamavam homens
também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos calmos calmos…

E lá se vai
mais um dia…

E basta contar compasso
e basta contar consigo
que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
e o coração na curva de um rio…

E lá se vai
mais um dia…

E o rio de asfalto e gente
entorna pelas ladeiras
entope o meio fio
Esquina mais de um milhão
quero ver então a gente gente gente…

A música (com muitas fotos do pessoal do clube) está disponível neste linque: letras.mus.br .

P.S.- A Wikipédia conta que a letra é de Márcio Borges, feita em 1979 (quando a melodia, de Milton e Lô, vem de 1972), a pedido de Nana Caymmi. Mas continuo apostando na minha versão.

Do Coxipó ao Chuá-chuá

julho 2, 2009

Campo Grande, Palácio Popular da Cultura, 01/07/2009, com início às 20 horas. Para um auditório superlotado (dezenas de pessoas tiveram de sentar nos degraus das passarelas), apresentou-se a Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob a regência do maestro Leandro Carvalho.

O repertório partiu de composição inglesa, passeou por músicas argentinas (de Astor Piazzolla), paraguaias (de José Asunción Flores e de Pedro Elias Gutiérrez) e venezuelana, para desembocar nas composições brasileiras (muitas delas regionais como “Rabello no Coxipó”, de Tote Garcia), do quilate de “Araponga Isprivitada”, do mineiro Roberto Corrêa, e de “Noites do Sertão”, de Tavinho Moura e Milton Nascimento. Além de “Chuá-chuá”, de Pedro Sá Pereira e Ari Pavão.

A orquestra teve, ao nosso ver, um desempenho primoroso, conceito compartilhado pelos demais espectadores, que a aplaudiram entusiasticamente.

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O cenário da apresentação.

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A orquestra.

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O maestro Leandro Carvalho.

Os leitores poderão ouvir o som da orquestra clicando aqui .

Em tempo: como se sabe, Coxipó da Ponte é o nome de um bairro da cidade de Cuiabá, capital do vizinho Estado do Mato Grosso.

All I Ask of You

abril 3, 2009

Esta música, esta letra e esta interpretação tiram qualquer um, ou qualquer uma, do sério. Neste clip Sarah Brightman, contracenando com Cliff Richard, está irresistível como cantora e como imagem de mulher. A música “All I ask of You”, algo como “Tudo o que eu espero de ti” é do musical “O Fantasma da Ópera”. Se ao término da música o mundo estivesse acabando, acho que ninguém que estivesse ouvindo perceberia…

Eis a letra:

ALL I ASK OF YOU

Raoul:
No more talk of darkness,
forget these wide-eyed fears;
I’m here, nothing can harm you,
my words will warm and calm you.
Let me be your freedom,
let daylight dry your tears;
I’m here, with you, beside you,
to guard you and to guide you.

Christine:
Say you’ll love me ev’ry waking moment;
turn my head with talk of summertime.
Say you need me with you now and always;
promise me that all you say is true,
that’s all I ask of you.

Raoul:

Let me be your shelter,
let me be your light;
you’re safe, no one will find you,
your fears are far behind you.

Christine:
All I want is freedom,
a world with no more night;
and you, always beside me,
to hold me and to hide me.

Raoul:
Then say you’ll share with me one love, one lifetime;
let me lead you from your solitude.
Say you want me with you, here beside you,
anywhere you go, let me go too,
that’s all I ask of you.

Christine;
Say you’ll share with me one love, one lifetime.
Say the word and I will follow you.

Os Dois:
Share each day with me, each night, each morning.

Christine:
Say you love me…

Raoul:
You know I do.

Os Dois:
Love me, that’s all I ask of you.

Love me…
that’s all I ask of you.

Maysa : “Ouça”

janeiro 8, 2009

“Ouça”, música composta e cantada por Maysa Monjardim. Para mim, uma canção inesquecível (hoje de manhã “me peguei” cantando um verso). Linda demais! E a interpretação de Maysa, no filme “Camelô da Rua Larga”, dirigida por Eurides Ramos em 1958, quando a cantora tinha só 22 aninhos?! Está ali a imagem, empática, hipnótica, angélica, do desconsolo.

Não acompanhei os anos de glória de Maysa (era 10 anos mais novo do que ela). Mas intuo ter sido uma personalidade extremamente complexa, fascinante. Impossível não amá-la. E impossível imitá-la (a atriz global, na mini-série, dá apenas uma pálida idéia de como Maysa cantava). Veja abaixo a sua perfomance no filme citado, e em seguida a letra da música.

Ouça

Composição de Maysa

Ouça : vá viver

sua vida com outro bem

hoje eu já cansei

de prá você não ser ninguém

O passado não foi o bastante

prá lhe convencer

que o futuro seria bem grande,

só eu e você

Quando a lembrança

com você for morar

e, bem baixinho,

de saudade você chorar,

vai lembrar que um dia existiu

um alguém que só carinho pediu

e você fez questão de não dar

fez questão de negar…

Uma Música e Uma Interpretação

setembro 29, 2008

Uma música da época da Bossa Nova, que já teve intérpretes como Elis Regina, Leila Pinheiro e muitos outros. O YouTube disponibiliza a música na voz de vários intérpretes; um dos vídeos é do Garoto Bossa Nova, vídeo esse que motivou comentário de uma sua fã, com a qual concordamos totalmente:

Música muito especial (e difícil de ser decorada). Letra magnífica, dando enfoque original a um tema muito batido (e geralmente carregado de preconceitos machistas). Pela primeira vez, a “mulher que abandonou” o poeta não foi parar na sarjeta, merecendo apenas referências positivas (estrela) ou neutras (pé de vento)…

A letra, poética e instigante, é a seguinte:

SAMBA DA PERGUNTA

(Pingarilho e Marcos Vasconcelos)

Ela agora

Mora só no pensamento

Ou então no firmamento

Em tudo que no céu viaja

Pode ser um astronauta

Ou ainda um passarinho

Ou virou um pé de vento

Pipa de papel de seda

Ou quem sabe um balãozinho

Pode estar num asteróide

Pode ser a Estrela Dalva que daqui se olha

Pode estar morando em Marte

Nunca mais se soube dela, desapareceu

Quem quiser ouvir a interpretação citada (tempo de execução, 2 min e 18 seg), é só clicar abaixo:


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