Posts de agosto \30\UTC 2011

Bálsamo, Estação Fantasma

agosto 30, 2011

Linha férrea em operação cargueira, bitola estreita, ligando Bauru – SP a Corumbá – MS,  administrada pela ALL – América Latina Logística (concessão inicial para a Novoeste, em 1996).

Domingo, 28/08/2011. A Estação Bálsamo, a 20 quilômetros da cidade de Ribas do Rio Pardo – MS e a 80 km da antiga estação ferroviária central de Campo Grande, foi inaugurada em 1914. Era uma construção simples mas altaneira, com pé direito de 6 metros. Grossas paredes de tijolos (1 inteiro mais 1 meio) lhe deram sustentação para durar séculos. Mas a desídia de autoridades irresponsáveis e do capitalismo predatório entregaram o prédio à ação de vândalos e ladrões.  Pode-se dizer que foi assassinado.  Mas o seu fantasma ali continua, procurando sensibilizar autoridades que acionem uma restauração.

A fachada, hoje, da Estação Bálsamo.

A idade da figueira, à esquerda, conta o tempo de abandono.

A entrada principal.

Uma fachada simples mas, no seu tempo, harmoniosa e bem feita.

As paredes têm cerca de 44 centímetros de espessura.

Uma semente de figueira alojou-se no alto da parede destelhada. A planta foi crescendo e descendo raízes até o solo.

Sala tomada pelo madeirame desabado do teto.

Lateral direita da estação. Um anexo original, mais baixo que o prédio principal, foi retirado tijolo por tijolo.

Detalhes da parede externa do lado direito da estação.

Os fundos da antiga estação.

Insetolândia (05)

agosto 25, 2011

Chuva de 13 milímetros depois de longo estio. No cerrado, brotações e florações por todo lado. E os insetos reaparecem.

Este inseto tem 1 cm de comprimento. Não consegui definir se é uma abelha ou uma mosca.

Dois hemipteros num fruto quase maduro de Peixotoa cordistipula. Eles têm cerca de 2 cm de comprimento.

Pulgões (meio centímetro de comprimento) num ramo floral de Connarus suberosus.

Inseto (comprimento de meio centímetro) para mim indefinível. No mesmo ramo de Connarus suberosus, ele convive ou preda os pulgões da foto anterior.

Formiga translúcida, com aspecto robotóide, em ramo floral de Peixotoa cordistipula.

A mesma formiga da foto anterior. Tem cerca de 1 cm de comprimento.

Um gafanhoto padrão madeira. 6 cm de comprimento.

O mesmo gafanhoto da foto anterior.


Mini-aventura no Inferninho

agosto 11, 2011

Manhã de domingo, 07/08/2011. Como deixei insinuado numa postagem anterior, voltamos ao canyon do Inferninho, na zona suburbana de Campo Grande. Desta vez, além da parceria habitual da Rosangela, na companhia de dois adolescentes (Léo e Fabrício). Esperávamos topar com praticantes de rapel, mas nesse dia eles não apareceram. O que não foi bom, pois o lugar oferece algum perigo, pela eventual presença de marginais das vilas mais próximas, a seis quilômetros dali.

Resolvemos descer por um ponto, a cem metros da cachoeira, que recebe enxurradas e tem as rochas em degrau desnudas da sua cobertura original de terra. Deve ser o ponto em que o córrego atinge a sua maior profundidade em relação à borda do canyon. Talvez os 36 metros que quase todos atribuem à cachoeira (que na verdade tem apenas 15 metros de queda, pelo olhômetro do blogueiro). Os degraus, formando uma descida com ângulo de aproximadamente 45 graus, vão se sucedendo, irregulares quanto aos patamares (mais largos, mais estreitos ou em ponta) e altura. O desenho abaixo, de um futuro desenhista, procura dar uma ideia:

O caminho que percorremos, hipotenusa de um triângulo retângulo imaginário, com altura 36 e largura também 36, deu 50 metros. Aos trinta metros de percurso deparamos com um degrau rochoso muito alto (2 metros e meio), dividido em subdegraus de patamares muito estreitos (15 e 20 centímetros) e com ligeira inclinação para a frente. Os adolescentes, na inconsciência do perigo, e nas ondas de sua agilidade e equilíbrio, desceram rapidamente, mas os adultos empacaram. O blogueiro analisou a situação três vezes, e os três vereditos foram: “não vá!” E o blogueiro não foi. Procurou pelos lados e viu que era mais seguro descer pela parte com terra e cobertura vegetal (troncos de pequenas árvores e suas raízes expostas). Rosangela ficou no patamar superior, esperando Godot.

Depois desse ponto perigoso o caminho se mostrou relativamente suave, com muitas pedras roladas entre as raízes expostas das árvores. Chegamos ao córrego e constatamos que não seria possível seguir adiante com os tênis, pois deveríamos alternar passagens pelas pedras pontiagudas e pelo leito do riacho. A profundidade deste era mínima, mas havia muitas bacias onde a água chegava aos joelhos. A uns 20 metros da cachoeira começa uma sucessão de pequenas quedas, com a água vindo serpenteando entre grandes pedras. Num ponto entre duas rochas o Fabrício encontrou uma caveira humana. Eu fotografei de longe, mas a foto não saiu nítida.

O ponto da caveira.

Chegamos à cachoeira, que desce por um belíssimo paredão, onde algumas formações rochosas sugerem rostos de almas penadas. O vídeo abaixo mostra as belezas do lugar.

Pedras modeladas pelas águas das grandes chuvas. À direita, a pequena piscina que recebe as águas da cachoeira.

Na hora de voltar o Fabrício se adiantou, e então Léo e eu resolvemos subir pelo caminho geralmente utilizado pelo pessoal do rapel. A altura a percorrer é muito menor do que aquela da nossa descida, e o percurso começa pelas exuberanes raízes de uma árvore:

Um ponto de subida. Os primeiros 5 metros são facilitados pelas raízes.

Enquanto havia raízes, a subida foi fácil. Mas chegamos a um ponto em que havia vários patamares de pedra, todos com finas camadas de areia, e um desses patamares estava a cerca de 1 metro e quarenta de altura. O obstáculo exigia um firme pulo com o apoio das mãos, de forma que um joelho (com a perna dobrada) pudesse alcançar a borda do patamar. Isto não seria problema se estivéssemos ao nível do chão, mas estávamos num patamar estreito (uns 50 cm), e estreito também era o patamar que teríamos de atingir. O lugar seguro estava a 10 metros ladeira abaixo. Pintou o medo, pois faltava coragem para ensaiar o pulo, e faltava coragem para descer de volta. Acabei me lembrando que Deus protege os loucos e as crianças, e decidi impulsionar o corpo para cima e para a frente. Léo, que hesitara bem pouco, já estava lá em cima e quase fora do alcance da vista. Alcançado o patamar alto, suspirei aliviado e agradecido, rezando para que dali para cima o caminho fosse melhor. E era: logo reapareceram raízes expostas, e logo eu estava em terra firme.

No Parque NI (05)

agosto 5, 2011

O blog voltou ao Parque NI nos dias 04 (manhã) e 05/08/2011 (tarde).  Abaixo, um pouco do que viu.

Aves

Este belo pássaro é chamado de "Príncipe" ou "Verão" (Pyrocephalus rubinus).

João-de-Barro.

Quero-quero.

Casal de araras numa palmeira seca.

Close para a fêmea em seu ninho.

Close para o macho na torre do castelo.

Casa de João-de-Barro.

Melhoramentos

Já está ativada a pista para ciclismo. Na entrada do parque há bicicletas para alugar.

Parece que finalmente a Casa do Pantanal vai sair. O projeto é particular, mas o dinheiro vem quase todo dos cofres públicos.

Junto à Avenida Afonso Pena, prosseguem os trabalhos iniciais do futuro Aquário.

Assoreamento

O assoreamento avança pelo lago. Vista de montante.

O trecho assoreado, em vista de jusante.

A areia do assoreamento vem basicamente dos barrancos do córrego Prosa.

Outro trecho do barranco, que vem sendo sistematicamente corroído pelas águas de enxurro.

No caso do assoreamento do lago alimentado pelo Córrego Prosa, está faltando Engenharia Ambiental. A cada chuva maior uma quantidade avassaladora de águas turbulentas percorre o leito do córrego, corroendo as suas margens e entupindo o lago. Logo vai ser feita uma nova dragagem no lago, operação que contempla o efeito, mas não as causas do problema.

Essas águas pluviais vêm de vários espaços: as terras altas do próprio Parque das Nações Indígenas, a área urbanizada do Parque dos Poderes, e o asfalto do próprio parque NI e das avenidas Afonso Pena e “do Poeta” .

As águas do Parque dos Poderes deveriam chegar ao córrego apenas por infiltração no solo. No entanto, o que se vê é essa área tentando “livrar-se da água rapidamente e a qualquer custo”, como se fosse uma área totalmente calçada. Isto quando os espaçosos canteiros centrais e os bosques que ladeiam as construções oferecem condições para a absorção segura das águas do entorno. Pequenas obras de alvenaria, que até este blog poderia bancar, fariam algumas adequações necessárias.

As águas oriundas do arruamento do Parque NI e das referidas avenidas deveriam ser desviadas para muitas micro-bacias, e não convergirem diretamente para o leito do córrego. Aqui também um trabalho fácil e barato, que poderia ser bancado por algumas ongs honestas, que realmente perseguem os objetivos que dizem perseguir, e não a mera absorção de recursos públicos. Se é que existem ongs assim…

Caso queiram as autoridades e as empreiteiras continuar no círculo vicioso “dragagem, assoreamento, dragagem, assoreamento”, uma obra também simples e fácil impediria enchentes Prosa abaixo e mesmo no Rio Anhanduí. Com a construção de um pequeno vertedouro, estreito e rebaixado em relação aos atuais, as águas do lago passariam a ter dois níveis básicos: o normal, rebaixado em 20 centímetros, e o nível provisório durante o ápice das chuvas torrenciais. No nivel normal o lago serviria para recreação, com pedalinhos e caiaques à disposição de crianças, jovens e adultos. No nível provisório armazenaria emergencialmente até 8 milhões de litros de água a mais…

Rapel em Cachoeirinha

agosto 1, 2011

Campo Grande – MS, manhã de domingo, 31/07/2011. Um belíssimo lugar, com um nome estranho (“Inferninho”). Deve ser porque em certa época lá frequentemente eram “desovados” cadáveres de pessoas assassinadas. Atualmente é utilizado quase que só por praticantes de rapel, já que o acesso ao interior do canion (descida de mais de 30 metros) é um tanto difícil. Nesse dia o blogueiro apenas se aproximou dos penhascos, sem descer.


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