Se não fossem os inocentes e otários, o que seria dos espertos? Certamente passariam necessidades. Ou virariam assaltantes menos desonestos. Ou seriam obrigados a trabalhar honestamente.
Há muitos espertos por aí, mas hoje vamos falar das oficinas mecânicas, muitas delas (e bota muitas nisso) verdadeiras arapucas.
Casos Anteriores
Há alguns anos o blogueiro, que não é de fazer revisão nas concessionárias de veículos (por justificada desconfiança), resolveu fazer uma, esporádica, antes de sair para uma longa viagem de férias. O esperto de plantão, numa das agências Volkswagen da cidade, embora o carro não apresentasse mau desempenho (apenas a necessidade de substituir pastilhas de freio e fazer o tradicional alinhamento das rodas) me apresentou uma conta de R$ 3.000,00 ou pouco mais. Como o carro já fora parcialmente desmontado, fiquei entre recusar as trocas e serviços desnecessários (e arcar com um possível boicote, tipo substituição de peça boa por outra mais velha) e pagar no sistema “roubado mas com um carro seguro para a viagem”. Optei pela autorização e pagamento das trocas e serviços, tendo de amargar, ainda, seguidos atrasos em relação aos horários e dias previstos para entrega do veículo.
Até aí, tudo bem. Mas a viagem deu chabu: em Nova Alvorada do Sul, a 110 quilômetros de Campo Grande (íamos para as praias paranaenses), o meu Gol seguia outro carro, que freou bruscamente numa lombada. Os freios do meu veículo, pretensamente em perfeito estado, não foram eficientes e acabei abalroando a traseira do outro veículo. A viagem teve de continuar com outro carro, e tudo acabou bem, se descontarmos o pagamento do conserto do meu carro e do carro do motorista distraído.
Esse mesmo carro, tempos depois, teve de ir à oficina porque inventei de emprestar “um pouco” de gasolina a um parente, e ele resolveu secar completamente o tanque, o que ocasionou o entupimento da bomba de gasolina ou de um de seus condutos. Uma oficina do bairro não deu conta do problema e eu, evitando aquela concessionária onde comprara o veículo, fui a outra concessionária. Mas a conta ficou em R$ 1.500,00, pois o esperto dessa outra firma, talvez obedecendo a algum secreto Código de Desonra, aproveitou para trocar peças que estavam em bom estado. Jurei nunca mais voltar a uma concessionária dessa marca de veículos, e nunca mais comprar um veículo com sotaque alemão.
Um Caso Atual
Até há pouco tempo eu ouvia dizerem que mecânicos desonestos gostavam era de enganar as mulheres. Bastava falar que o carro tinha problemas com a Rebimboca da Parafuseta, e isto autorizava a substituição, ou a simulação desse ato, de uma série de peças em perfeito estado. As mulheres “engoliam” a estória, altamente impressionadas com uma explicação tão técnica e assustadora.
Bom, vimos que agora os mecânicos desonestos enganam não apenas as mulheres, mas também os velhos. Talvez enganem toda pessoa que mostre cara melhor do que a de um Pitbull…
Pois é, vamos falar de uma mulher que, ao estacionar num dos pátios do Shopping, foi alertada de que um dos pneus do seu carro estava meio murcho. A mulher dirigiu-se ao Shopcar Pneus Centro Automotivo e pediu para consertarem o pneu. Saem roda e pneu, abre-se o capô do motor, um funcionário zanza para cá, outro zanza para lá, e os espertos decidem que era necessário fazer uma série de outros serviços emergenciais, sem apresentar orçamento e sem especificar o valor de cada item. Advertida de que poderia ocorrer desastre iminente, a mulher concordou com os serviços propostos, que julgou corriqueiros e baratos. Qual não foi a sua surpresa quando, depois de 2 horas, lhe apresentaram uma conta de R$ 447,00! A foto abaixo descreve os serviços efetuados:
Vejam que coisa interessante:
- foi retirada apenas uma das 4 rodas do veículo, mas a “receita de vendas” aponta a troca de 4 (quatro!) válvulas dos pneus.
- Muitas oficinas (honestas) fazem caster de graça quando o motorista encosta seu carro para fazer o alinhamento das rodas. No Shopcar, o serviço menor (caster) custa quase o quádruplo do serviço maior (alinhamento).
- Após descrever os serviços prestados, cada um deles cobrado separadamente, a esperta Shopcar entra com uma “mão de obra completa”, sapecando mais R$ 80,00 na conta, que subiu para os citados 447,00. Quer dizer, cobrou separadamente por cada serviço, e cobrou uma segunda vez, pelo “conjunto da obra”…
- Na concessionária Renault, com mecânicos altamente especializados, cobra-se cerca de R$ 100,00 por hora trabalhada. No Shopcar, com “mecânicos” mirins (ou pouco mais do que isso), a hora trabalhada saiu por R$ 167,50!
O gerente, jovem com impassível cara-de-paisagem e discurso decorado de operador de telemarketing, certamente tem garantidas boas noitadas com o lucro da gerência (pelo menos até topar com um marido violento). Depois da intervenção do marido da “cliente” deu um falso desconto de R$ 72,00 (que corresponde a 90% daquele valor cobrado pelo “conjunto dos serviços”).
Acresce que o carro fora revisado recentemente (a mulher, ao contrário do blogueiro, ainda confia nas concessionárias, pelo menos nas da Renault) e estava em ótimo estado. Foi o conserto de pneu mais caro de que o blogueiro tem notícia!…
Sugestões do Blog:
1. Sugerimos à senhora ludibriada que procure o Procon. Se não conseguir reduzir a fatura a R$ 5,00 (preço do remendo de pneu nas borracharias a mais de 100 metros do Shopping Campo Grande), pode ingressar com ação no Juizado de Pequenas Causas, inclusive exigindo indenização por danos morais.
2. O citado marido notou, no balcão do “centro automotivo” (às 18 hs 10 min, na saída do veículo) uma pilha de cerca de 40 ou mais “orçamentos”; e a Nota Fiscal 0771 só foi emitida por exigência da “cliente”. Seria interessante o serviço de fiscalização da Prefeitura dar uma olhada para ver quantos dos 40 serviços desse dia mereceram a emissão de Nota Fiscal. Afinal, quem engana mulher vai poupar os cofres municipais, só por causa dos belos bigodes do Prefeito?!…














































