Posts de julho \30\UTC 2008

Descobri o Embirussu !

julho 30, 2008

Como se sabe, na maior parte dos casos, a melhor maneira de estabelecer a identidade de uma planta desconhecida é analisar a sua flor. E eu só pude identificar uma espécie antes desconhecida, em minha chácara, quando essa espécie iniciou sua florescência. A sua flor é bastante característica, e porisso, quando bati os olhos numa das fotos da página 63 do livro “Árvores Brasileiras”, de Harri Lorenzi, senti que tinha feito uma nova identificação. Trata-se da árvore chamada Embirussu (nome científico, Eriotheca gracilipes (K. Schum.) A. Rob.).

O nome é indígena. Embira é igual corda, barbante, fio. Assu, grande. Resultado, algo como “planta grande cujo fruto dá uma paina boa para fazer embira”.

Vemos no centro da foto dois exemplares de Embirussu. Diâmetro do tronco, cerca de 12 centímetros.

Manhã cedo: esta flor ainda está abrindo.

Vemos aqui, um botão, várias flores e três frutos (cor verde) em crescimento. Na maioria dos casos, a flor “arregaça” suas pétalas.

Folhas de Embirussu.

“Roteiro para Daniel Dantas”

julho 30, 2008

Transcrição parcial de artigo de HÉLIO FERNANDES no TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE de 30/07/08:

Um roteiro inteiro para Daniel Dantas

Bandoleiro da bandalheira, mercenário da moeda-podre

Daniel Dantas é o bandoleiro da moeda, da especulação, do desprezo pelas regras, pela ética, pela moralidade. Para ele importante é acumular dinheiro, embora afirme sempre que não tem o menor interesse por isso. É uma espécie de Howard Hughes provinciano que se julga aristocrata. Não sai de casa, não é visto publicamente, mas apesar disso aparece nas mais diversas colunas, com notas sempre “plantadas” a seu favor.

Seria impossível acompanhar suas aventuras, e portanto já alertamos o leitor que o que vou arrolar sobre ele não deve representar nem 1 por cento da sua desonestidade congênita e adquirida. Daniel Dantas pode até me processar, com a motivação: “O repórter que é geralmente considerado bem informado, se reduziu em mais de 99 por cento as minhas desonestidades, com isso só pretendeu me diminuir”.

1 - Começou a aparecer no governo Collor, espalhou até que havia sido convidado para ministro da Fazenda, não aceitou.

2 - Isso teria ocorrido (?) por volta de 1990, portanto mais de 18 anos.

3 - O próximo passo de “exaltação” do seu talento foi o de dizer “fui aluno do professor Mario Henrique Simonsen, que me convidou até para trabalhar com ele”. Mas teve o cuidado (Dantas é sempre cuidadoso, até nas falcatruas) de só espalhar essas coisas depois de Simonsen morrer. E não existem rastros dessa ligação.

4 – Baiano, foi muito ligado a ACM-Corleone, aí, nada a desmentir. A afinidade entre os dois vinha do total desinteresse pela credibilidade, por isso, a enorme amizade entre os dois.

5 - Por indicação de ACM-Corleone, Daniel Dantas fez sua entrada “triunfal” no mundo das altas negociatas, ao receber INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS sobre DOAÇÕES-PRIVATIZAÇÕES.

6 – FHC (e alguns economistas, hoje espantosamente ricos) é o seu ídolo e sua grande admiração.

7 - Com as “informações privilegiadas”, mandou comprar fábulas em ações que iam ser privatizadas, como Telebrás, Usiminas, Vale do Rio Doce, companhias de energia e bancos estaduais.

8 – Mas teve quase uma visão ou adivinhação, ao comprar toneladas de moedas que não valiam nada e que seriam utilizadas no “pagamento” das sólidas empresas estatais.

9 -
Essas, que se chamariam de “moedas podres”, foram utilizadas em 1 por cento (às vezes 2 ou 3 por cento) do valor de face, fizeram grandes milionários, entre eles e maior ganhador, Daniel Dantas.

10 - Um dos seus caminhos de enriquecimento passava por um economista de muito talento e despudor, que ganhou mais do que quase todos do Plano Real.

11 – Por sorte tinha um caso íntimo (não era novidade, todos tinham) com uma futura economista, popularmente conhecida como “Heleninha calça frouxa”.

12 - A CSN já havia enriquecido alguns, Dantas tomou isso como parâmetro. Comprou muito Siderbrás, títulos da Reforma Agrária que valiam 1, 2 ou 3 por cento, e trocou todos esses papéis miseráveis por empresas rendosas e estatais.

13 - Muita gente no governo FHC, principalmente os que estavam na Comissão de Desestatização, enriqueceram.

14 – Ganharam fortunas, mas sejamos justos: tinham que dividir.

15 - Sergio Motta serviu a FHC e outros “puristas” como apanhador de trigo em campo de centeio. Morreu muito moço, depois de fazer um negócio de centenas de milhões com o coronel Golbery. Negócio vetado pelo ministro Aureliano Chaves, que me deu o furo e me autorizou a publicar, citando o nome dele.

16 - Com esse dinheiro todo, fundou o Opportunity, existem dúvidas sobre o parceiro com quem se desentendeu.

17 – Dizem que foi expulso, outros que recebeu 70 milhões para sair.

18 - A privatização da Telesp permitiu que Dantas atraísse a Telecom Italia, Vicunha (do então bandoleiro pobre Steinbruch, hoje mais rico do que Dantas) até a Organização Globo.

19 - A Globo, muito ENDIVIDADA pelo alto custo do Projac, sofreu baque ainda maior com a VALORIZAÇÃO do dólar a partir de 19 de janeiro de 1999. Esse ENDIVIDAMENTO chegou a 5 BILHÕES de dólares, assustando os sócios.

20 - Mas a desvalorização desse dólar e a simpatia e quase amor do governo Lula transformaram o passivo em quase ativo.

PS – Ainda há muito a contar como a ligação ESPÚRIA de Dantas com os Fundos Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica). Como Dantas é moço, dá tempo para ir contando.

Estatística do Projeto “Livro Grátis”

julho 29, 2008

No início de dezembro de 2007 criei uma página especial (“Livro Grátis”) para receber pedidos de exemplares da obra “Tom Sawyer, Detetive”, do escritor norte-americano Mark Twain, editada em 2004 pela Livraria Editora Timblindim Ltda. Eu tinha 750 exemplares para distribuir, sobrados quando do encerramento das atividades da micro-empresa, final de 2006.

O primeiro pedido só aconteceu no dia 14 de janeiro de 2008. Aos poucos a freqüência dos pedidos aumentava, mas muito lentamente. Foi então que Gi-Docinho, que modera uma comunidade do Orkut, colocou um link direto para a página citada deste blog. Isto lá pelo dia 10 de junho. Os pedidos começaram então a chegar em maior quantidade. Outras comunidades logo imitaram a simpática Gi-Docinho, o mesmo acontecendo com alguns sítios, dois deles de Portugal.

Quanto aos leitores e leitoras de Portugal (e até uma de Macau, na China!), não sei como se arranjaram com o linguajar “brasileiro” do livro, que para eles deve soar estranho. Mas espero que tenham encarado o desafio e gostado.

Os 750 exemplares foram distribuídos da forma mostrada no gráfico abaixo:

Com a intervenção de Gi-Docinho e outros, o crescimento dos pedidos foi se tornando exponencial, e este blogueiro quase entrou em colapso (cheguei a postar 70 livros num único dia!). Dá muito trabalho anotar o pedido, conferir o endereço (alguns vinham incompletos), examinar o exemplar para ver se não apresentava nenhum defeito, embalá-lo, levar a uma agência de Correios, informar quais os pedidos foram atendidos naquele dia, anotar os novos, e começar tudo de novo. Mas acho que valeu a pena. Principalmente quando penso que dessa iniciativa poderão aparecer, em muitos pontos do Brasil, novos leitores entusiasmados. E é desses leitores que o país precisa. Sim, porque é da leitura que nascem, primeiro a capacidade imaginativa; e depois a capacidade de abstração. E essas capacidades são cada vez mais requeridas – pois cada vez mais raras – no mundo moderno.

Paratudo e outras Tabebuias

julho 28, 2008

Depois de um período de 30 dias sem chuvas, na região de Campo Grande, os Paratudos (ou Caraíbas), árvores do cerrado, do mesmo gênero dos Ipês, perderam folhas e as substituiram pela sua vistosa floração amarela. (CLIQUE NAS FOTOS PARA AUMENTAR).

Exemplar existente na Avenida Mato Grosso, quase em frente do Novotel. No cerrado, as árvores geralmente perderam todas as suas folhas, apresentando floração incontrastável.

Cacho floral do Paratudo, quase indistinguível daquele do Ipê Amarelo.

Paratudo, Ipê Amarelo e Ipê Rosa, todos do gênero Tabebuia, apresentam, no interior da flor, 4 estames (órgãos masculinos) e 1 estilete (órgão feminino). Na foto maior, flor de Ipê Rosa (que tem em seu interior um filete de cor amarela); na foto menor, flor do Paratudo.

“A Luta Surda entre a Manipulação e … “

julho 25, 2008

Transcrição parcial da coluna do PEDRO PORFÍRIO, no TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE de 25/07/2008:

A luta surda entre a manipulação e o voto de opinião

Temos que criar regras que viabilizem o processo democrático. A internet é um instrumento mais barato, é impossível barrar esse processo. Muito mais difícil é a fiscalização.” (Juiz Luiz Márcio Pereira, responsável pela coordenação-geral da fiscalização da propaganda eleitoral do TRE-RJ)

O maior crime que se comete contra a democracia tida e havida como representativa é tornar clandestina uma campanha eleitoral. No entanto, tal prática parece institucionalizar-se com a criminalização das mais variadas formas de propaganda, sempre encoberta por pretextos nobres, que, no fundo, no fundo, são autênticas arapucas contra o voto livre, o voto de opinião, alimentando o mais abjeto clientelismo, o peso da máquina pública e as coações localizadas.

Quem se debruçar sobre essa colcha de retalhos ainda chamada de Lei 9504/97 (parece um transgênico com vários enxertos) terá à mão a aquarela da manipulação pintada por políticos que jogam pesado para continuarem com seus mandatos, por incompetentes anacrônicos e até por uma hermenêutica judicial que, por bem ou por mal, estimula a queda do nível dos nossos parlamentos, especialmente os municipais.

A aplicação ao pé da letra da Lei Eleitoral e das Resoluções do TSE e do TRE implica na inviabilização das campanhas voltadas para os eleitores que escolhem por critérios críticos. Porque se ainda há lucidez na interpretação de alguns juízes, particularmente os que acumularam experiência com outras campanhas, de um modo geral os candidatos estão sujeitos a tal contingenciamento na divulgação de suas propostas que acabam impedidos de alcançar esse eleitorado infenso à troca de votos por favores.

O resultado é festejado principalmente pelos que querem que os legislativos sejam meros apêndices do Poder Executivo e valhacoutos de interesses espúrios, dedicados a um jogo de péssimos hábitos, com o que isso representa para o enfraquecimento e caricaturização do regime democrático de direito.

Opinião calada

Uma reportagem criteriosa assinada por Fábio Vasconcellos e Elenilce Bottari, no jornal “O Globo” do último domingo, dia 20, demonstra claramente que o eleitor de opinião está cada dia mais distante da escolha dos vereadores, abrindo espaço para a ascensão dos padrinhos de “serviços sociais” clientelistas mantidos, sabe Deus como, pelos controladores das máquinas públicas, pelos pastores e padres “carismáticos” e pelos bandos armados – “milicianos” ou não.

( . . . )

Internet limitada

Além do terror que se apossa de um candidato, pela possibilidade de levar uma multa por descuido de algum colaborador no trabalho de rua, o voto de opinião é ainda bloqueado pela interpretação absolutamente descabida que a lei e muitos magistrados dão à internet, a ponto de restringir o envio de cartas eletrônicas – mais conhecidos como e-mails – que têm alcance ilimitado e custo zero, ao contrário do que acontece com as malas diretas enviadas pelos correios.

Neste sistema, somando desde a impressão da carta até o selo, passando pelo envelope, etiquetas e pessoal remunerado, uma correspondência não sai por menos de R$ 2,50, o que a torna exclusividade de candidatos com mala cheia. Além disso, há um verdadeiro esquema de manipulação de cadastros oficiais, tornados privativos dos candidatos da máquina.

Segundo pesquisa do Ibope/NetRatings, o Brasil ultrapassou em junho a marca de 41 milhões e 565 mil pessoas com acesso à internet em qualquer ambiente, como casa, trabalho, escola, cybercafés e bibliotecas.

Considerando que o Brasil tem aproximadamente 184 milhões de habitantes, o número de internautas já equivale a 22,5% da população. Se esmiuçarmos o levantamento, poderemos detectar que em grandes cidades, como Rio e São Paulo, esse percentual já ultrapassou os 50%.

Opinião do Blog :

É a volta, no estilo de “O Leopardo”, dos “Currais Eleitorais” da República Velha (3 primeiras décadas do século XX). Em Campo Grande, por exemplo, desde janeiro deste ano já se sabe quem vai ser eleito prefeito, e com qual percentual; e quem serão os candidatos a vereador premiados, e quantos votos vai receber cada um …


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