Transcrição de Editorial do Correio do Estado, edição de 22/02/2008.
Há alguns meses, a direção da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) divulgou em alto e bom som que o sistema de semáforos da região central estava ultrapassado e que somente a substituição geral dos equipamentos colocaria um fim aos constantes defeitos. Dinheiro para isso viria de financiamento da ordem de R$ 40 milhões, com o qual a região central de Campo Grande seria amplamente revitalizada. Por conta disso, motoristas insatisfeitos passaram a esperar sentados o fim dos transtornos, pois o financiamento não sai da noite para o dia. Nesta semana, contudo, surgiu nova versão para os defeitos, pois os equipamentos instalados há pouco mais de dois anos (seminovos) simplesmente pifaram. Segundo o prefeito, por conta disso, passou-se a suspeitar que alguma sabotagem esteja ocorrendo na cidade, pois os problemas teriam coincidido com o aumento no rigor na aquisição de peças de reposição e com o rompimento de contrato com uma empresa que estaria vendendo material por valor até sete vezes superior ao de mercado.
Se realmente ocorreu a descoberta de super-faturamento, é de se esperar que o responsável por estas compras seja exemplarmente punido (e exposto publicamente), pois por ingenuidade ninguém pagaria valores tão absurdamente acima da realidade. Além disso, se realmente a sabotagem vier a ser confirmada, o assunto precisará virar caso de polícia, pois somente bandidos dos mais perigosos seriam capazes de chegar a esse tipo de apelação. Se realmente ocorreu sabotagem, o poder público municipal envolveu-se com fornecedores que representam um verdadeiro risco de morte não só para as autoridades, mas para qualquer motorista. Pessoas assim devem ser presas.
Por outro lado, caso venha a ser confirmada a sabotagem, cairá por terra a tese de que os equipamentos antigos estão obsoletos e não vale mais a pena recuperá-los, já que os defeitos eram resultado da sacanagem de alguém que perdeu uma boquinha. E, sendo assim, a partir deste momento acredita-se que o serviço de manutenção das sinaleiras volte a funcionar como em épocas passadas, quando a única reclamação dos motoristas era a falta de sincronismo em algumas das vias de maior fluxo e em períodos nos quais semáforos intermitentes em amarelo eram sinônimo de altas horas da madrugada.
Porém, se não se confirmar a versão da sabotagem, a prefeitura precisa, assim que acabar a investigação, dar as devidas explicações relativas às panes pois, caso contrário, poderá restar a impressão de que as suspeitas foram jogadas no ar somente para encobrir possível displicência ou incompetência dos responsáveis pelo sistema, os quais se tocaram que deveriam remanejar os “amarelinhos”, que fiscalizavam carros parados no SER, para tentar organizar o caos na Via Morena apenas depois que o Correio do Estado mostrou a confusão que se instalara na região.