Timblindim é um nome que inventei lá pelos idos de 1985/1986, para uma gata de três cores que vivia conosco em Coxim, neste Estado de Mato Grosso do Sul. Naquele tempo eu vivia com M., seu filho S., de 7 anos, e a avó deste.
Lembro de uma aventura da Timblindim. No quintal vizinho havia um cachorro grande e bravo. Como para os gatos todos os roteiros, direções e sentidos parecem possíveis de serem trilhados, Timblindim nunca conseguiu entender que aquele quintal era território proibido para ela. Assim, de vez em quando ela tinha o cachorrão em seu encalço. Numa dessas perseguições, ao invés de escalar diretamente o muro da divisa, a gata subiu como um vento pela estípite de uma palmeira, muito reta e alta, chamada macaúba. Passado o efeito da adrenalina, a gata, a 5 metros de altura, na copa da árvore, pensou em descer até o muro contíguo. Mas agora havia um sério obstáculo: a altura era grande demais para arriscar uma queda, e o tronco descia reto e grosso, perfilhado por compridos e ameaçadores espinhos. A gata achou melhor pedir ajuda aos humanos.
Algum tempo e muitos miados depois, alguém, aborrecido com a cantilena monocórdica, me avisou sobre o problema da gata. Fui lá, analisei a situação e vi que a escada de madeira que havia no quintal não chegava perto da copa da palmeira. E Timblindim continuava lá, miando angustiada. Aí me veio a idéia de fixar uma caixa de papelão na ponta de uma vara de bambu. Fiz isso o melhor que pude, e então subi pela escada, segurando o bambu, e alcei a gávea improvisada até a copa da macaúba.
Tive de explicar à gata o que ela devia fazer ; demorou um ou dois minutos, e ela acabou entendendo, ou as minhas palavras, ou o sentido daquela caixa ali bem ao seu lado. Timblindim entrou na gávea, e então eu fui descendo lentamente o bambu, até que a caixa e o seu conteúdo estivessem ao alcance de minhas mãos.
Tempos depois Timblindim, esquecida desse episódio, adentrou novamente o quintal vizinho. Dessa vez teve menos sorte, e o cachorrão conseguiu abocanhar o seu traseiro. A gata escapou, mas o seu rabo estava quase que totalmente cortado, unido à base apenas por uma tira de pele e pelos.
E passaram vários dias, com a gata arrastando aquele estranho apêndice pelo chão. A parte exposta em carne viva infeccionou, e agora, além do ridículo havia o mau-cheiro. Minha companheira tinha nojo de pus, de forma que eu tive de munir-me de chumaço de algodão, água oxigenada e pó antissético, e fazer limpeza no local dilacerado. Aproveitei para cortar a tira de pele seca que ainda segurava o rabo. Com esse trabalho de enfermagem, repetido por vários dias, Timblindim se recuperou completamente. Mas era agora uma gata cotó . . .

Setembro 4, 2007 às 1:16 am
Oi, este é um comentário.
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Setembro 4, 2007 às 11:01 am
Ainda não li o texto; apenas olhei as figuras. Mas, te conhecendo, sei que ainda vou ler… e vou adorar. Espero que você não cite casos acontecidos que envolvam “outras”… Olha lá, hem?!